quarta-feira, 1 de março de 2017

Isle Of Skye


Faz um bom tempo que estou para escrever sobre Isle Of Skye aqui no blog. Já tem alguns meses que o jogo está na minha lista de espera junto com tantos outros títulos maravilhosos. O vencedor do Kennerspiel des Jahres de 2016 causou bastante comoção devido as comparações com Carcassonne, um dos maiores clássicos modernos. Como grande fã do inconfundível jogo de colocação de tiles de Klaus-Jürgen Wrede, vencedor do Spiel des Jahres de 2001, foi com bastante ansiedade que fui jogá-lo pela primeira vez.

Sendo o Spiel des Jahres um prêmio essencialmente dedicado aos jogos familiares, em 2011 foi criado o Kennerspiel como uma categoria para premiar jogos mais complexos. Muita gente reclama da premiação, por não contemplar jogos verdadeiramente pesados, que acabam no máximo figurando na lista de recomendações do prêmio. Assim foi com Mombasa, outro jogo muito elogiado do Alexander Pfister, em 2016 e com o tão adorado Terra Mystica em 2013.

Se Carcassonne ganhou o Spiel des Jahres e o Isle Of Skye ganhou o Kennerspiel des Jahres, logo podemos concluir que um é mais simples do que o outro. Antes de prosseguir é importante deixar claro que faço referência a conjunto de regras, não a questões estratégicas. Carcassonne é um jogo extremamente simples de ensinar, são quatro formas diferentes de pontuar de acordo com a forma como os tiles e meeples são posicionados. A partir daí, vai de cada jogador como maximizar sua pontuação.

Setup montado para dois jogadores.

Isle Of Skye utiliza o princípio básico de colocação de tiles característico do Carcassonne, mas retira sua outra grande mecânica que é o controle de área ao individualizar o mapa. Cada jogador tem a sua própria área e a organiza da forma que desejar, sem a interferência direta dos demais. Em Carcassonne, a colocação dos tiles é realizada de forma coletiva em um mesmo local, então é preciso ter um planejamento flexível.

Cada jogador organiza seu mapa da forma que desejar.

Outra questão de bastante aleatoriedade em Carcassonne que é alterada em Isle Of Skye é a forma como os tiles entram em jogo. Ao invés de simplesmente pegar um tile randomicamente em uma pilha ou sacola, foi implementado todo um sistema de seleção muito interessante, e que é o coração do jogo. Cada jogador retira três tiles da sacola, secretamente escolhe um para eliminar e coloca preço nos restantes. Então, os jogadores irão pagar o valor informado para comprar um tile do oponente que seja do seu interesse.

O biombo além de servir para fazer as escolhas secretamente, ainda tem um resumo bem útil das fases do turno.

Um jogador compromete seu dinheiro ao precificar seus tiles, por isso é preciso avaliar bem quanto colocar em cada tile e quanto reservar para comprar os dos oponentes. Os tiles do jogador que não forem comprados por ninguém, ficam com ele. Então, uma estratégia para permanecer com o seu próprio tile é colocá-lo por um preço bem alto. O problema de fazer isso, é que deixa claro sua intenção. Assim sendo, é uma linha de ação mais imediatista e arriscada. Vai ser interessante ou não dependendo da situação da partida. A forma de ganhar dinheiro, além da venda dos tiles, é pela quantidade de tiles com baús ligados ao seu castelo, que é o tile inicial, no início de cada turno.

É preciso ficar esperto para posicionar os tiles com baús ligados por estradas ao seu castelo.

Os critérios de pontuação em Isle Of Skye variam de uma partida para outra. Em cada uma delas serão usados quatro tiles de pontuação de diferentes, em princípio separados e depois combinados ao longo dos seis turnos de duração da partida. O jogo vem com uma grande quantidades deles, o que permite bastante variação e aumenta ainda mais a sua rejogabilidade. A forma como os objetivos vão gradativamente se combinando durante a partida é bacana porque leva o jogador a pensar tanto a curto como a médio prazo.

Muito bacana o sistema de pontuação através de objetivos variáveis.

A primeira vez que joguei o Isle Of Skye tive um pouco de dificuldade com esse esquema de compra dos tiles. Não conseguia visualizar todas as opções e escolher a mais adequada com rapidez suficiente. Isso me fez ficar travada, gerando impaciência em todos na mesa, inclusive em mim mesma. Então, minha primeira avaliação do jogo não foi tão positiva. Até porque, meio que inconscientemente, acho que estava esperando aquele clima mais tranquilão de Carcassonne. A pegada do Isle Of Skye é muito mais tensa. 

Mesmo assim, gostei muito desse sistema de compra elaborado pelo Alexander Pfister, só achava que não era para mim. Além disso, demorei a enxergar o quanto ele era central no jogo. Nesse contato inicial, fiquei mais admirada com a pontuação variada e suas combinações. Só quando joguei novamente e superei a dificuldade com a seleção de tiles na compra foi que enxerguei melhor a elegância do processo.

Isle Of Skye foi bastante comentado aqui no Brasil porque além de ter vencido do Kennerspiel de Jahres, o que sempre aumenta a visibilidade de qualquer jogo, ele ganhou versão nacional em tempo recorde pela Papergames. Eu não tive contato com a versão gringa, mas achei a brasileira de ótima qualidade. O preço é um pouco mais elevado do que o do Carcassonne, mas acho justo para o porte do jogo, ele está saindo na maioria das lojas por volta de R$200. O Isle Of Skye possui semelhança suficiente para justificar a comparação com o Carcassonne, mas é diferente o bastante para que ambos possam figurar lado a lado na coleção

Confira o nosso vídeo para mais informações sobre o jogo:


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