segunda-feira, 27 de março de 2017

Guadalupeças


O post sobre o Guadalupeças deste mês é uma espécie de "antes tarde do que nunca". Eu sempre demoro para escrever e publicar, mas nunca tinha ocorrido nada neste nível, um atraso de mais de uma semana. Até cheguei a pensar em não fazer mais o post, mas rolaram umas coisas bem legais no evento e que eu não queria que ficassem sem registro. 

Nós recebemos a visita do Igor Knop e do Patrick Matheus apresentando o Gnomopolis, um Pool Building "frita cérebro" muito bom para quem gosta de combos infinitos. Além disso, também tivemos a presença do Luiz Murilho que trouxe o Folia, um Worker Placement com temática de Carnaval que utiliza umas ideias bacanas para passar aquele "feeling" de administrar uma escola de samba e colocar um desfile na avenida. 

Eu comecei o dia estreando a expansão Chibis do Takenoko, que acrescenta além da Senhora Panda e seus filhotes, novos tiles de terreno e cartas de objetivo. Em geral, não tenho uma boa relação com expansões, porque sempre espero que elas adicionem algo verdadeiramente relevante ao jogo, que enriqueça a experiência e abra novas possibilidades. Porém, não foi esse o sentimento provocado por Chibis neste primeiro contato.


A expansão na real não mudou em nada meu modo de jogar Takenoko, Comentando sobre a minha decepção, o Igor Knop disse que a diferença é sentida em mesas mais competitivas, em jogos casuais realmente a expansão não brilha tanto. Vamos ver se jogando mais vezes, essa minha impressão inicial sobre Chibis muda em alguma coisa. O problema é que só jogo Takenoko competitivo no BGA. Não escrevi explicando como funciona a expansão porque deve rolar vídeo e/ou texto em breve por aqui.


Depois de me decepcionar um pouco com o acasalamento dos pandas, fui conhecer o surpreendente Folia. Digo isso porque ele ainda está com um visual meio confuso e ocupa um bom espaço na mesa, dois fatores pouco atrativos. Fora que eu já joguei o Ziriguidum do Leandro Pires, impossível evitar comparações, tendo ambos o mesmo tema. Mas são jogos com mecânicas bem diferentes. O Folia é um Worker Placement bem tradicional. Os jogadores usam seus Workers para adquirir os diversos itens necessários para o desfile de sua escola.


Além dos tiles que serão posicionados no tabuleiro individual que representa os desfiles individualmente, os jogadores tem a opção de comprar cartas de personalidades do samba, elas dão um benefício imediato e a possibilidade de ganho ou perda de pontos mediante a exigência do cumprimento de determinado Set Collection no final do jogo. Existe também os personagens fixos que dão bônus aos jogadores e variam a cada turno.


Outros pontos que valem menção: No tabuleiro individual, além de posicionar os tiles que vão compor o desfile, ainda existe a opção de ações internas da escola que eu gostei bastante, são coisas como: ensaio fechado ou festa na quadra. Um dos recursos do jogo é componentes (isso mesmo, pessoas), eu achei uma ótima sacada temática. Outra ideia muito boa ainda dentro da questão do tema é a possibilidade do atraso, que permite ao jogador perder pontos para jogar um turno adicional após o encerramento do jogo.

Existem alguns itens que são requisitos mínimos e que se não forem cumpridos levam a uma grande perda de pontos. Utilizando essa opção de atrasar o desfile, o jogador tem a possibilidade de completar esses itens obrigatórios e ainda aumentar sua pontuação, apesar da penalidade sofrida. Em virtude do Set Collection das cartas, o jogo oferece boas chances de combo.

O Folia é um jogo com ideias interessantes para retratar o tema proposto, mas que talvez por isso mesmo, acabe sofrendo com uma certa gordura. É complicado querer colocar cada detalhe do tema. Acredito que o Luiz Murilho deveria pensar em como enxugar um pouco o jogo. Além disso, ele precisa melhorar bastante a parte gráfica para deixar a iconografia mais clara e o tabuleiro menos confuso.

Sobre enxugar o jogo, talvez seja interessante cortar a variação de Workers nos turnos. Não sei se a ideia tem um fundo temático, mas acho que adiciona uma aleatoriedade que não agrega em nada. Outro ponto que talvez mereça ser repensado é a trilha que os Workers precisam percorrer na ação do Barracão. Ela engessada o jogo e acrescenta um complicador adicional. Olhando isoladamente a mecânica criada até que é interessante, mas é preciso analisar a integração com o restante. A percepção dessa questão especificamente foi prejudicada porque não joguei a versão completa do jogo e a adaptação deste ponto foi falha na versão reduzida proposta.

Mas essa ideia da versão reduzida foi bem legal, apesar de um problema ou outro na execução. Acho que é uma boa dica para a galera que está criando jogos de maior porte. Não dá para querer que o pessoal em um evento tenha disposição para jogar um protótipo que leva 2-3 horas de duração. Sei que isso não é o ideal, mas é melhor do que ficar com o jogo parado, servindo apenas de exposição. 

Eu curti bastante a versão reduzida do Folia e fiquei interessada em jogar a versão completa, o que tem uma boa chance de acontecer já que moramos no mesmo bairro. Porém, se o jogo tivesse sido apresentado na integra, talvez eu não tivesse parado para jogar, mesmo sendo grande entusiasta de protótipos. 

Um evento tem cerca de 6-8 horas de duração, pode parecer um tempo razoavelmente longo, mas não é. A maioria dos jogadores não fica durante todo o evento e a oferta de jogos disputando atenção é bem variada. Aproveito para deixar uma outra dica que é explicação rápida e concisa das regras. Deixa para entrar em certos detalhes, conforme eles forem aparecendo no decorrer da partida. Uma explicação longa desanima e o jogador não vai gravar tantas informações novas de uma só vez.

Depois eu joguei uma partidinha de A Fake Artist Goes To New York, mais um joguinho japonês simples, rápido e criativo. Um jogador escolhe uma categoria e escreve em uma folha de papel para que todos vejam. Em seguida, ele escolhe um item específico dentro da categoria escolhida e escreve em placas individuais que são entregues secretamente ao demais jogadores. Porém, em uma dessas placas, no lugar do item específico haverá apenas um X. A folha de papel rodará a mesa duas vezes e cada jogador deverá desenhar o item específico que foi informado. Após isso, haverá um votação para determinar quem é o artista falso.


Fechando o dia, eu joguei o Gnomopolis. Foi a minha segunda vez, então tive uma experiência diferente. É legal quando você tem a oportunidade de jogar mais de uma vez um jogo ainda em desenvolvimento e ir acompanhando as modificações que vão sendo realizadas. A principal mudança foi a inclusão de um tabuleiro de ações básicas, que não tinha na última vez que eu joguei. Se eu não me engano, as opções de ação eram indicadas em uma carta. Com o mini-tabuleiro fica mais claro, já que você realmente aloca o meeple na ação.

O Gnomopolis para quem não conhece é um jogo cujo a principal mecânica é o Pool Building. A historinha é que os gnomos precisam de uma nova cidade para morar e cabe aos jogadores construir a melhor possível. Os jogadores começam a partida com um certo número de meeples iniciais, que são colocados em um copo e vão sendo comprados a cada turno. É o mesmo sistema do Deck Building, conforme os meeples vão sendo utilizados, eles vão para o descarte e só voltam ao copo depois que este fica vazio.


A principal ação do jogo é comprar cartas, que são as localidades da nova cidade dos gnomos. Cada uma delas irá atrair um novos moradores e abrir novas possibilidades de ação. Outro modo de obter novos meeples é transformando os já existente. Os meeples básicos são adultos e crianças, adultos podem se especializar em uma profissão e as crianças viram novos adultos. Porém, é preciso fazer um planejamento muito eficiente, pois o jogador precisa ter construções para alocar todos os seus meeples no final da partida. Esta é uma outra parte do jogo que eu gostei muito.

Cada prédio que vai sendo construído, além de liberar uma nova ação, tem espaço também para abrigar meeples em cores específicas. Então, o jogador precisa ir controlando se ele vai ter lugar para colocar os seus meeples, pois cada um sobrando será menos um ponto. Muitos meeples de variadas cores permite uma grande possibilidade de ações, até porque os jogadores não estão limitados apenas as suas próprias construções. Mas não vai adiantar muito se no final não for possível alocá-los. Tematicamente quando sobram meeples é como se eles fossem desempregados. Uma cidade incapaz de absorver a mão de obra de todos os seus habitantes não é um bom lugar para morar.

O jogo começa bem rápido, pois praticamente só tem as ações básicas disponíveis, porém no final quando todos já possuem muitas construções, ele fica bastante lento. O Gnomopolis é um jogo de eficiência, maximizar pontuação através dos melhores combos. A grande quantidade de opções faz com que até mesmo o mais ágil dos jogadores gaste um bom tempo avaliando o melhor caminho a seguir. Eu tenho muita dificuldade com jogos com alto grau de exigência de combos. Não consigo pensar em sequências de mais de cinco ações. E as ações em Gnomopolis são muito dependentes umas das outras.


Eu gostei bastante do Gnomopolis pelo Pool Building e pela questão da alocação dos meeples no final da partida, são pontos que dão um bom diferencial ao jogo. Porém, ele não é para mim por causa dos combos. Acho que mesmo que eu jogasse mais vezes não conseguiria pegar o jeito. Além disso, o tema é bem pouco atrativo. Geralmente, eu insisto um pouco mais em jogos que tenho dificuldade quando o tema me agrada.

Confira mais alguns jogos que rolaram nesta edição do Guadalupeças:




Obrigada a todos pela presença em mais um Guadalupeças, espero revê-los no mês de maio, quando ocorrerá a nossa próxima edição. Em abril, não teremos evento por causa da Páscoa. Mas estaremos participando nos dias 8 e 9 do Family Geek, no horário de 13h às 18h, no próprio Shopping Jardim Guadalupe. Não deixe de nos acompanhar nas redes sociais para saber de mais novidades, estamos no Facebook, Youtube e Instagram.

Nenhum comentário:

Postar um comentário