sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Tao Long


No post passado, eu comentei um pouco sobre as minhas impressões ao jogar o Tao Long pela primeira vez no Guadalupeças e escrevi que esperava ter a oportunidade de pegar o protótipo para fazer um texto mais completo sobre ele, além é claro de jogar mais. Porém, os últimos dias tem sido bastante agitados e não consegui um momento para sentar e escrever, coisa que demanda algum tempo. Tudo que consegui fazer foi gravar o vídeo que coloquei no ar semana passada, quando também aproveitei para tirar as fotos para este post. Desde então, elas me observam todos os dias na área de trabalho do meu notebook meio que condenando a minha demora.

Eu jogando Tao Long no Guadalupeças.

Eu fiz também uma entrevista com o Pedro Latro, game designer do jogo, que também ainda não consegui tempo para transcrever, pois ele me mandou as respostas em áudio. Assim sendo, se estou tão incrivelmente enrolada, por que não simplesmente deixar para lá? Por que escrever este texto de madrugada correndo no dia do término do FC/Pré-Venda? Acho que a resposta está naquele sentimento de empolgação que toma conta da gente quando jogamos algo que realmente consideramos bom e aí bate aquela vontade de compartilhar isso com as outras pessoas.

Depois de algum tempo no hobby e conhecendo vários jogos diferentes, vai ficando cada vez mais difícil ficar empolgado com novos jogos, pois acaba não existindo mais aquele fator surpresa. Então, foi incrível poder sentir essa sensação de novo que estava um pouco esquecida. Não apenas sentir satisfação por jogar um bom jogo, mas ser surpreendida com algo que realmente te colocou para pensar. Eu gosto de jogos que me fazem ficar refletindo sobre eles após as partidas.

Tao Long tem aquela elegância clássica de jogos com Xadrez, cujas regras são simples de aprender, mas difíceis de dominar. Um jogo que apresenta uma riqueza estratégica fantástica. A utilização do sistema de mancala para controlar a movimentação no grid do tabuleiro foi uma ideia incrível, pois facilita a visualização das possíveis jogadas do oponente de uma maneira mais direta. Ficou muito bem integrado ao tema pela questão do equilíbrio, o tempo todo o jogador precisa avaliar vantagens e desvantagens de cada ação disponível. Claro que inúmeros outros jogos fazem isso também, é um princípio fundamental conseguir antecipar jogadas, mas a forma como o Tao Long torna isso mais acessível é bastante significativo.

Simples e elegante.

No Tao Long, cada jogador controla um dragão lutando para assumir o controle do tabuleiro, que simboliza o mundo humano. Cada dragão é formado por quatro partes, ao perder três delas, restando apenas a cabeça, ele é derrotado. O jogo tem seu tema baseado nos princípios do Taoísmo e todas as suas regras procuram ter uma justificativa temática, apesar de ser classificado como um jogo abstrato. A mancala controla a movimentação dos dragões no grid do tabuleiro humano, sendo chamada no jogo de Ba Gua. A manipulação das pedras para escolha do movimento a ser feito pelo dragão é chamada de fase de Espírito, enquanto que a sua execução propriamente dita é a fase de Matéria.

A mancala funciona distribuindo as pedras de uma posição nas seguintes. A última irá determinar a ação.

Todos os movimentos possuem uma justificativa e funcionam de forma espelhada. Todo o jogo se baseia em dualidades e oposições, os dragões são um do Céu e o outro da Terra, que estão representados como movimentos no Ba Gua, vertical e horizontal respectivamente. Há ainda os movimentos livres concedidos pela Água e pelo Fogo, os dois elementos de ataque do jogo. Os movimentos em curva ficam por conta de Montanha, Lago, Trovão e Vento, sendo que os dois últimos concedem uma movimentação extra.

Entender a movimentação é uma parte fundamental do jogo e pode ser algo um pouco difícil a princípio, pois ela depende da direção em que está a cabeça do dragão. Ao lado de cada opção existe um pequeno desenho mostrando como é o movimento por ela concedido. Posicionar bem o dragão não é algo fácil e várias vezes vão ser necessários diversos movimentos para isso. Uma forma de facilitar a movimentação dos dragões pelo grid é através da utilização de portais, porém eles também os deixam mais vulneráveis a ataques.

Detalhe do movimento da ação Terra.

Os próprios portais são considerados áreas válidas para ataques quando estão sendo atravessados.

Os ataques do jogo podem ocorrer corpo a corpo quando a cabeça de um dragão fica de frente para qualquer parte do outro. A chamada Mordida causa 1 de dano. Outra forma é através de uma ataque à distância, seja utilizando Fogo ou Água. O jogo apresenta uma régua para medir o alcance, que irá determinar o dano junto com a reserva de fogo que o dragão atacante possua e resolva utilizar ou a água disponível no centro do Ba Gua. A cada 4 de dano, uma parte do dragão é perdida. É possível curar dano utilizando a ação de Água, que possui essa dupla função.

Mordida.

Ataque à distância na vertical.

Ataque à distância na horizontal.

Depois de dominar as regras básicas, o jogador tem a disposição algumas opções de variantes que utilizam as combinações de cores das pedras da mancala para adicionar ações especiais que tornam as partidas ainda mais desafiadoras. Não experimentei nenhuma delas, mas me pareceram bem interessantes. É uma forma de aumentar ainda mais a já elevada rejogabilidade.

Como eu disse no início deste post e no meu anterior, Tao Long foi um jogo que me surpreendeu muito e abriu com pé direito total o ano de 2017 para o game designer nacional. Hoje é o último dia do FC/Pré-Venda, então para quem curte jogos estratégicos para dois jogadores está aí uma excelente opção. A edição normal está saindo por R$90 e a de luxo por R$150, ambas incluindo todas as metas estendidas do KS que foi um super bem-sucedido.

Confira mais sobre o Tao Long assistindo o nosso vídeo:

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