quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Guadalupeças


Domingo passado rolou mais uma edição do querido nosso Guadalupeças. Na edição deste mês, tivemos disponíveis protótipos de duas novidades nacionais para a galera conhecer. O Pit Crew da BGC Editora que acabou de encerrar com sucesso sua campanha de FC e o Contária da Arcano Games que deve iniciar sua campanha de FC em dezembro. Dois jogos rápidos, divertidos e com bastante interação, apesar de possuírem tema e estrutura bem diferentes um do outro.


O Pit Crew é um jogo com temática de corrida, porém com uma outra abordagem. Ao invés do tradicional papel de pilotos, o jogo nos coloca no lugar dos mecânicos que trabalham nos boxes e tem poucos segundos para deixar os carros prontos durante os pit stops. Para simular toda essa adrenalina, o jogo apresenta como base um sistema de ação simultânea.


Cada jogador possui um tabuleiro individual no qual cada parte do carro é representada por uma carta. De acordo com cada um dos tipos de componente, ela vai pedir um tipo de operação matemática diferente para ser resolvida. Na mesa ficam abertos diversos tiles com resultados numéricos. A cada turno será revelada uma carta de incidente que irá determinar o que precisa ser consertado. Então os jogadores irão abrir as cartas dos respectivos componentes e procurar os resultados adequados.

Conforme os jogadores completam as exigências de suas cartas, eles pegam os troféus que irão determinar o avanço de seus carros na corrida. O mais rápido nos boxes será também o mais rápido na pista. É um jogo bem rápido e fácil de entender. A mecânica é simples, mas representa bem o tema proposto, fugindo do lugar-comum.


Apesar de ter gostado da ideia do Pit Crew, ação simultânea não é para mim, porque eu simplesmente travo. Juntou com matemática então, aí é que deu tela azul mesmo. Mas os cálculos são bem simples, dá para jogar com crianças. Eu é que tenho problemas mesmo com esse estilo. Sou mais aqueles jogos em que se pode pensar com calma, sem muita pressa. O que faz com que alguns digam que sou devagar, o que é totalmente injusto.

Já o Contária é um cardgame rápido no qual os jogadores vão buscar contar a história mais triste ou mais feliz dentro de um limite de 4 cartas. O jogo conta com um total de 20 personagens com habilidades distintas. Apesar de serem personagens tradicionais de contos de fadas, Contária não é um jogo de storytelling como pode parecer a primeira vista. Suas mecânicas básicas são gerenciamento de mão  e take that. O importante aqui é saber combinar as cartas para maximizar a pontuação tendo em vista o limite pequeno de cartas que podem ser utilizadas.


Além das cartas de personagens, o jogo apresenta as chamadas cartas de espelho. Isso ocorre porque as cartas de personagens são dupla face. Elas sempre serão baixadas na mesa em seu lado básico, sendo necessário a utilização de uma carta de espelho para revelá-la. Isso adiciona o elemento blefe ao jogo, deixando-o ainda mais estratégico. 

Uma carta de espelho pode ser utilizada para revelar qualquer carta na mesa, seja do próprio jogador ou de um dos oponentes. Quem usou o espelho é que utiliza o poder da carta. Porém, cada jogador possui apenas três cartas desse tipo. Então é preciso pensar bem para não desperdiçá-las. 


Todas as cartas entram no jogo, então para um jogador iniciante pode ser um pouco confuso. É preciso um tempo para entender o que cada carta faz e principalmente como elas interagem umas com as outras. Apesar de ser um jogo dentro da categoria "filler", ele possui uma certa curva de aprendizagem. A forma como as cartas são jogadas também uma outra questão por não ser o usual. É necessário compreender a proposta para desfrutar bem o jogo. 

O fato de não ser tão pronto consumo como se poderia esperar desse tipo de jogo e ainda a quebra da expectativa por um storytelling gerado pelo tema pode gerar algum descontentamento. Porém, recomendo tentar superar essa possível barreira inicial. Em geral, eu prefiro jogos com tema e mecânica mais amarrados, o que não é o caso em Contária. Apesar dos personagens terem interações coerentes. Mas acho que o tema proposto serviu para dar uma bela roupagem a uma mecânica bem bacana. Gostei muito da opção por uma arte mais clássica, com uma pegada renascentista. 

Depois de Pit Crew e Contária, eu fui jogar Freedom: The Underground Railroad. Ele é um cooperativo que tem como tema o movimento abolicionista nos EUA. O objetivo do jogo é conseguir transportar um determinado número de escravos das plantações do sul para a liberdade no Canadá e conquistar os apoios necessários para que a causa tenha êxito. 

Em Freedom: The Underground Railroad, os jogadores têm quatro ações básicas: suporte, condutor, dinheiro e eventos de cartas. O jogo possui oito turnos e é divido em três períodos que são liberados de acordo com os apoios conquistados, o que abre a opção para a utilizar ações mais fortes. É importante avançar os períodos não apenas para melhorar as ações, mas também porque elas são limitadas pela quantidade de tokens.  


A inteligência do jogo se dá por meio de cartas de eventos especiais que saem aleatoriamente e a movimentação dos caçadores realizada por meio de rolagem de dados, eles também reagem ao avanço dos escravos. Chegar ao Canadá não é nada fácil e cada passo precisa ser muito bem pensado. Várias vezes será necessário sacrificar algum escravo para salvar outros. Quando capturados, eles voltam para o grupo daqueles que serão alocados nas plantações.

Todo turno um novo grupo de escravos precisa ser alocados nas plantações, é isso o que controla a duração do jogo. As quantidades são conhecidas previamente para que os jogadores tenham a possibilidade de se programar. Se não houver espaço disponível para isso, eles são perdidos. Assim como existe um número de escravos que precisam ser libertos, também existe um limite para quantos podem ser perdidos. 

Freedom: The Underground Railroad é um jogo bastante apertado porque toda ação dos jogadores provoca uma reação. É necessário ter uma visão muito boa para calcular as causas e efeitos. Isso pode acarretar um downtime grande que pode ser bastante incômodo se os jogadores não estiverem imersos. Sendo um jogo cooperativo é ainda mais importante prestar atenção ao que cada jogador está fazendo e coordenar as ações.

Eu já havia jogado Freedom: The Underground Railroad anteriormente, porém foi a primeira vez que senti essa questão do downtime. Acredito que faltou um pouco da imersão necessária e maior integração entre os jogadores, o que fez com que houvesse uma queda de interesse. Apesar de gostar muito do jogo, acabei entrando em uma partida de Ticket To Ride que começou na mesa ao lado. Foi a primeira vez que joguei a versão de aniversário. 


Claro que a gente não conseguiu vencer no Freedom: The Underground Railroad, mas até que conseguimos chegar bem perto. Espero voltar a jogá-lo em breve, nem que seja no modo solo. No Ticket To Ride também não deu para mim, mas também passei perto, meu erro foi ter sido olho grande e ter pego mais rotas. Por último, joguei uma partidinha rápida do divertido Fruit Salad.

Segue abaixo algumas fotos de outros jogos que rolaram durante o evento:




Obrigada a todos que estiveram presentes em mais uma edição do Guadalupeças. Espero poder reencontrá-los no mês que vem. Nos acompanhe através da nossa página no Facebook para se manter informado sobre as novidades. O evento do próximo mês já está criado e quem quiser pode pedir jogos para levarmos. Só entrar no meu perfil no BGG para conferir o que temos disponível na coleção. Venha jogar com a gente!  

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