quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Guadalupeças



No último domingo ocorreu mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Ele foi realizado uma semana depois do habitual em razão do conflito de data com o Diversão Offline. Foi um evento um pouco mais vazio do que os anteriores em razão disso, até porque também não trabalhamos tanto a nossa divulgação, já que estávamos ocupados liberando o material produzido no Diversão Offline

Nesta edição do Guadalupeças, tivemos uma presença ainda mais significativa de pessoas completamente de fora do hobby, muitas famílias com crianças. Tanto que estamos pensando em ações para atender melhor a esse crescente e público nas próximas edições. Como jogadora, eu tenho uma inclinação bem maior para o lado dos jogos mais pesados; porém quando se organiza evento é preciso pensar mais no que é adequado aos seus frequentadores.

Fruit Salad estreou já fazendo sucesso.

Contamos com a presença do parceiro Filipe Cunha da Pensamento Coletivo, que trouxe os jogos novos da editora: Entropy, Don't Turn Your Back e Rise To Power. Infelizmente, ainda não foi desta vez que consegui experimentá-los, mas dei uma conferida nos componentes e gostei muito do que vi. Só a explicação sobre do que se tratava cada jogo já tinha me deixado bastante animada com eles. Assim sendo, ver a beleza do material só aumentou a minha ansiedade por oportunidade de jogá-los. Porém, o Filipe estava mais no clima jogador e acabou colocando na mesa o bichão que vocês podem ver nas fotos abaixo.


Cartas que não acabam mais.

Outra presença querida que tivemos no nosso evento foi do game designer Rodrigo Rego que trouxe o Micropolis e o Copacabana para apresentar para a galera, dois jogos que estão planejados para serem lançados pela Redbox Editora em 2017. No Diversão Offline, eu só tive a oportunidade de jogar rapidamente o Micropolis em uma partida contra o próprio Rodrigo. Tinha ficado só na vontade em relação ao Copacabana. Questão resolvida neste Guadalupeças.

Comecei jogando o Copacabana, um jogo com uma temática que tem bastante apelo com os cariocas e acredito que com jogadores de outros lugares do Brasil também, afinal é um local mundialmente conhecido, um dos símbolos do nosso país. O jogo situa os jogadores no momento histórico da expansão do bairro com a abertura do Túnel Velho e o mandato como prefeito de Pereira Passos que ficou conhecido pelo seu trabalho intenso de reforma urbana. Essas não são questões fundamentais no jogo, mas é interessante de saber.

A mecânica principal de Copacabana é colocação de tiles. A peça inicial do jogo marca as ruas mais importantes do bairro, tem a Praça Serzedelo Correa como área central, acima dela temos uma área para alocação de tiles de construções e os tiles de morro que delimitam a expansão do mapa; na parte de baixo ocorre o mesmo, um espaço para tile de construção e os tiles de praia. Então, temos uma expansão que ocorre basicamente na horizontal. O objetivo do jogo é montar ruas valorizadas para colocar nossos meeples.

Rodrigo explicando as regras para a galera.

Na sua vez, o jogador tem duas opções de tiles de construção abertas e os tiles de morro e praia. Ele vai escolher um deles e colocar em um local da sua escolha. Quando uma rua é fechada, duas colunas de três tiles posicionados lado a lado, verifica-se quem tem a maior quantidade de meeples na rua e o jogador ganha um tile especial que é algum marco do bairro, tipo o Copacabana Palace.

As primeiras ruas se formando.

Existem quatro tipos de tiles de construção no jogo: hotel, boate, cinema e apartamentos, cada um deles possui regras diferentes para colocação de meeples. O mais interessante é a boate que te dá pontos quando você coloca, mas desvaloriza a rua. É ótima para colocar em uma rua que outro jogador tenha maioria de meeples, porque te fazer pontuar e ainda atrapalha o oponente. Os hotéis também são um investimento importante, principalmente na orla.

Uma foto mais de perto para melhor visualização. 

Não vou entrar em mais detalhes porque o final é muito salada de pontos. Foi a parte que achei mais complicada no jogo. Porém, eu consegui ter uma boa visão do que fazer para ganhar o jogo. Minha vitória não foi um acidente inesperado, teve um planejamento. Apesar de eu estar jogando com uma mesa na qual praticamente todos eram novatos, isso claro que pesou a meu favor. Porém, eles conseguiram entender bem o jogo e a partida teve uma boa fluidez.

Fim de partida. Foi assim que ficou nossa versão de Copacabana.

Depois foi a vez de experimentar o Micropolis em duplas, tem em vista que eu já havia jogado a versão 1X1 na semana anterior. Ele é um jogo mais simples de regras e quantidade de componentes do que o Copacabana, porém com uma curva de evolução de aprendizado bem mais alta porque exige muito da sua atenção espacial e a temática é bem menos presente, o que torna ele um jogo mais seco.

Rodrigo explicando as regras de Micropolis.

Em Micropolis, tentamos juntar tiles de cores específicas conforme nossos objetivos, um aberto composto por três tiles e outro secreto formado por quatro. O jogo começa com três aleatórios sobre a mesa e a compra pode ser realizada de duas formas, pegar um tile aberto ou dois fechados para escolher um, o outro será colocado aberto na área de compras, não existe um limite para seu tamanho.

Quando um jogador cumpre um objetivo, ele coloca marcadores de influência em cima de cada tile usado para isso e o tile do objetivo é posicionado em cima de qualquer um deles, a escolha do jogador. Essa é a única influência definitiva possível no jogo, as demais podem ser futuramente substituídas pelas de outro jogador que venha a cumprir seu objetivo usando algum dos outros tiles restantes. O jogo acaba quando a última influência for utilizada.

Partida em andamento.

No jogo em dupla, os jogadores sentam intercalados e a principal estratégia é tentar preparar caminho para o seu parceiro fechar o objetivo dele, um deve tentar o outro a fechar seus objetivos ao invés de ficar focado em seu próprio, além é claro de manter o olho aberto nos objetivos dos jogadores da outra dupla para não entregar objetivo de bandeja. O jogo de dupla exige muito mais atenção e por isso acaba por fritar ainda mais o cérebro do que uma partida cada um por si. Eu gostei bastante da experiência apesar de ter sido massacrada. Para pegar as manhas do Micropolis é necessário jogar várias vezes. Espero poder jogar ambos os jogos outras vezes, pois gostei muito deles.

Momentos finais da partida. Na próxima, quero fazer dupla com o Rodrigo. XD

De resto, meu Rock N Roll Manager foi estreado no evento, mas eu não joguei, só ensinei as regras para a galera. A recepção foi muito boa como já era de se esperar, a Conclave Editora acertou muito em apostar nesse Euro nacional incrível. Eu já escrevi sobre ele aqui na época que joguei o protótipo, uns dois anos atrás. Mas pretendo fazer um post totalmente dedicado a ele para mostrar como ficou a versão final. E espero em uma próxima edição contar com a presença do Leandro Pires, game designer do jogo, pois já tem outros projetos rolando e quero conhecê-los.

Joguinho bom até para explicar. As dúvidas foram mínimas ao longo da partida.

E não parou por aí de nacional rolando no evento não, tivemos mesa de Zona Mágica, que o Shamou do Castelo das Peças trouxe para gente. Porém, o Michael da Arcano Games gentilmente já nos enviou uma cópia do jogo. Então, teremos sempre Zona Mágica no Guadalupeças, mas esse eu não vou fazer post de versão final porque o protótipo que recebi era praticamente uma versão final e o texto que fiz na época do FC dele ficou bem completo, porque não foi algo jogado apenas em evento, como é o mais comum. Eu tive a oportunidade de analisar com mais calma. O Contária, próximo lançamento da editora, já está a caminho aqui do RJ. Em setembro, teremos mais essa novidade para a galera conhecer.

Pessoal conferindo o Zona Mágica.

O Felipe apaixonado pelo Masmorra de Dados como é, toda edição ele quer levar o jogo para evento, aproveitou para apresentar o jogo para o pessoal. Acho que esse é o jogo que ele tem mais prazer de explicar. O Masmorra de Dados foi o primeiro jogo lançado pelo Daniel Alves da Histeria Games  e que recentemente ganhou uma versão pela CMON no universo de Arcadia. O game designer mineiro atualmente está no FC do seu quarto jogo, Sonhando com Alice. Uma pena que não conseguimos trazer o jogo para apresentar no evento.

Felipe feliz da vida explicando o Masmorra de Dados.

Foi uma edição com bastante presença de jogos brasileiros, tanto já lançados quanto ainda em fase de protótipo. Isso é algo que me alegra bastante. O Guadalupeças é um evento que abraça o trabalho de game design nacional, assim como este blog. Então, se quiser playtestar seu jogo com a gente, será muito bem-vindo. Nosso público é bastante variado, então acredito ser uma boa experiência.

Segue fotos de outros jogos que rolaram no evento:

Tokaido.

Red 7. 

Wasabi.

Obrigada a todos que compareceram a esta edição do Guadalupeças, espero poder rever a todos no mês que vem, voltando a data normal do terceiro domingo (18). Curtam as páginas do Guadalupeças e Turno Extra no Facebook para acompanhar todas as novidades. Tem algumas parcerias que a gente está negociando por aí, sempre procurando fazer um evento cada vez mais bacana para todos. Fiquem ligados!!!

2 comentários:

  1. Excelente texto! Sou novato no mundo dos Board Games e estava mesmo a procura de eventos pra ter gente pra jogar. Bom que agora já conheço o Guadalupeças! Parabéns pelo trabalho!

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    1. Obrigada! Espero ter a oportunidade de jogar com você na edição deste mês. :)

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