segunda-feira, 9 de maio de 2016

Arcadia Quest


Depois de uma sequência de três postagens só trazendo cardgames, estamos de volta aos boardgames. Mas, eu não estava me referindo ao Arcadia Quest, quando no post passado, escrevi que um jogo que eu gostei muito iria quebrar a sequência. Apesar dela, na verdade, ter sido interrompida pelo post de retorno da campanha do Memoir'44. Porém, eu já estava com metade do texto do DC Comics Deck-Building Game escrito, bateu preguiça de mudar essa parte. Até porque, não deixava de estar correto, já que eu não estava tratando de um jogo novo.

O jogo que deveria quebrar a sequência dos cardgames seria o Blood Rage, mas fui atropelada pelo trem do hype. Então, parece que teremos uma dobradinha de Cool Mini Or Not por aqui. Arcadia Quest que eu achei um jogo bem mais ou menos e depois o sensacional Blood Rage, que foi uma maravilhosa surpresa (ouça o podcast sobre ele). O Arcadia Quest ocupou a mesa da minha sala durante pouco mais de uma semana, já que o Felipe queria jogar logo a campanha inteira. Vou tentar fazer nesse post como fiz com o Memoir'44, escrever sobre as regras e contar um pouco como foram as missões. As fotos foram tiradas com celular mesmo ao longo dos dias, por isso não ficaram muito boas.

Distrito dos Martelos 

Arcadia Quest possui uma quantidade de componentes bem grande, o que dificulta o processo de ficar tirando e colocando as peças dentro da caixa. A campanha é curta, então dá para ficar com tudo espalhado numa boa. O jogo vem com um total de 11 missões, das quais serão jogadas 6 apenas. Isso é um fator de contribui para maior rejogabilidade. O tabuleiro funciona no mesmo esquema de Zombicide, com aqueles tiles grandes frente e verso. O jogo vem com um manual de regras e outro apenas com as missões. Nesse segundo manual, temos detalhadamente a posição de cada item que deverá estar presente no cenário.

Cada jogador controla três heróis. No início da campanha, os jogadores recebem alguns equipamentos básicos, que serão dispostos conforme sua própria vontade. No seu turno, o jogadores podem andar e/ou atacar. É bem simples. Cada missão apresenta objetivos a serem cumpridos para sua conclusão. Eles não variam muito. É sempre matar o herói do amiguinho, pegar um determinado token e/ou matar um determinado monstro. Eu achei essa parte bem fraca.

Meus heróis.

Os monstros são bem variados, e não me refiro ao formato de suas miniaturas. Cada monstro possui características próprias diferentes. Outra questão bacana é que eles não possuem ação livre. Eles apenas reagem ao que os jogadores fazem. Então, um desafio do jogo é tentar não ativar os monstros. Se isso não for possível, tentar ativar os monstros mais fracos ou então uma quantidade menor. Eles são ativados quando atacados ou quando um herói se move dentro da linha de visão.

A movimentação foi bem complicada na segunda missão: Arena do Sol Brilhante.

O cenário de todas as missões é uma espécie de masmorra bem genérica em que existem vários itens para serem descobertos e portais que ajudam na movimentação, principalmente no sentido de evitar os monstros. Os jogadores precisam gastar ação de movimento para abrir ou fechar portas. Só é permitido ativar um herói de cada vez. Cada um deles possui uma habilidade única, além de valores de vida e defesa determinados em suas cartas de personagem. Um herói quando morre deixa cair os itens que por acaso tenha pego e só volta a partida quando o jogar fizer a ação de descansar.

A cada vez que um jogador utiliza um equipamento, a carta referente a ele recebe um marcador para indicar que está exausta e não pode ser utilizada. A ação de descansar retira todos os marcadores de exaustão e devolve os heróis mortos ao jogo. Porém, esses heróis ao término da missão, no momento de evoluir personagem, receberam cartas de maldição que irão atrapalhá-los posteriormente. 

Sempre que um jogador mata um monstro ou herói do oponente, ele recebe moedas que serão usadas no final para comprar as cartas de upgrade de equipamento. Existem também baús de tesouro com diferentes valores espalhados pelo cenário. Não há como se curar sem ser através de carta de equipamento, a exceção é encontrar um item no cenário que faça isso, o que é muito difícil. Então, é sempre bom tentar comprar logo de cara itens de cura ou que aumente a vida ou a defesa.

Matando o Felipe, digo o herói dele. XD

Todos os combates e defesas são realizados através de rolagens simples de dados. Para ataques a distância é levado em consideração apenas a linha de visão, não importando quão longe o alvo esteja. Nos dois tipos de dados existe o símbolo do crítico, que permite rolar um dado adicional. Existem diversos itens que utilizam crítico para concessão dos mais variados poderes.

Ao matar monstros, eles vão indo para o cemitério, que possui cinco espaços. Quando todos eles são ocupados, temos o retorno deles ao cenário. Sua posição é determinada através da rolagem de dados. Existem tokens espalhados que apresentam diferentes combinações de dados. Se os dados rolados corresponderem ao que está em um desses tokens, o monstro retorna onde ele se encontra. Porém, cada token só recebe um monstro, se sair novamente o resultado correspondente àquele token, o monstro volta para caixa. O mesmo ocorre quando o resultado dos dados não corresponde a nenhum token existente no cenário.

Isso faz com que possa ocorrer de aquele monstro super difícil que o jogador se esforçou tanto para matar retorne quase no mesmo lugar ou então que um monstro apareça bem do seu lado de repente. É um fator de aleatoriedade que me incomoda bastante. Além, é claro, da questão de rolagem de dados de defesa e ataque. Por mais que existam formas de minorar isso através de equipamentos, o fator sorte ainda é muito pesado. Eu consegui rolar oito dados de defesa sem acertar nenhum.

Ao terminar a missão, algumas informações são verificadas e anotadas na ficha da campanha, coisas tais como número de morte e quantidade de dinheiro. Depois temos a compra das maldições para os heróis que houverem morrido, é comprada uma quantidade de cartas igual ao número de vezes que morreu e ele deve ficar com a de maior valor. Depois é realizado uma espécie de draft para compra de equipamentos. O jogador pode comprar até três cartas de equipamento. Sobrando dinheiro, ele será descartado. Só é permitido guardar um moeda. Além de equipar com novos itens seus heróis, o jogador pode reorganizar da forma que quiser aqueles em já estão em uso. Cada herói tem um limite de quatro cartas que podem ser equipadas. O vencedor da missão escolhe a próxima missão, que são divididas em fácil, médio e difícil.

Felipe terminou a primeira missão já com duas maldições.

Escrever sobre a qualidade dos componentes e arte dos jogos da Cool Mini Or Not é chover no molhado. Não sou tão fã do apelo cômico utilizado e das inspirações, mas não posso negar a beleza das artes e miniaturas. Para ser chata, achei os mapas um pouco decepcionantes. A arte é bem genérica e não apresenta grandes variações. Isso faz com que apesar das muitas organizações possíveis tudo pareça sempre meio igual.

Terceira missão: A Mansão.

Agora um pouquinho sobre como foi a campanha. Jogamos apenas eu e Felipe. Todo mundo sempre fala que o ideal é jogar com quatro jogadores, coisa que o Felipe quer muito fazer e eu não faço a menor questão. Se dependesse de mim, o jogo já estava anunciado para a venda. Acredito que mais jogadores deva dar uma dinâmica muito mais competitiva ao jogo. Apenas nós dois deixou a coisa muito livre, cada um podia seguir para um lado, sem uma maior obrigatoriedade de entrarmos em conflito um com o outro. Mas isso não deve mudar muito a minha apreciação do jogo.

Nas duas primeiras missões da campanha, o Felipe ganhou tranquilamente. A terceira, eu achei que também ia pelo mesmo caminho, quando consegui enxergar uma oportunidade. Quem é considerado o vencedor de um monstro é aquele que desfere o golpe responsável pela sua morte. O Felipe estava lutando contra um Troll, quando percebi que ele estava quase morrendo, fui lá e fiz o ataque final. Vencendo a terceira missão, eu tinha direito a tentar pegar um item exclusivo no mapa e isso me levou a derrota, porque acabei gastando mais energia do que deveria tentando pegar o tal item. Na quinta missão, tínhamos novamente o item, mas não gastei muitos esforços com ele. Ao invés disso, preferi focar na missão e consegui uma vitória surpreendente, pois o tempo todo o Felipe estava na minha frente rumo a completar o objetivo.

Matando o Troll

Quarta missão: Distrito do Alquimista.

Quarta missão: Praça da Aurora Vermelha.

Ganhando a missão com "objetivo de token"

Bastante dinheiro para comprar itens bem bacanas para última missão.

A sexta missão, por ser a última, tinha um esquema diferente. Um único objetivo e sem retorno de monstros mortos ao cenário. Além disso, os heróis mortos recebiam na hora a maldição. O monstro a ser derrotado estava dentro de um local fechado que só poderia ser acessado quando o jogador tivesse seis de dinheiro e estava cercado pelos mais fortes tipos de monstros. A estratégia do Felipe foi deixar eu limpar a área para entrar depois e dar o golpe final, assim como eu já tinha feito com ele antes.

Sexta missão: O Templo do Amanhecer Crepuscular.

Indo para cima dos monstros.

Minha distribuição de itens não estava muito boa. Eu tinha um arqueiro usando machado, o que inutilizava a habilidade natural dele. Por ter uma defesa baixa, eu tentei usar nele um item para recuperar vida a cada início de turno, mas não adiantou muito porque ele estava recebendo dano suficiente para matá-lo de uma vez só. Então, eu tinha um único ataque muito, combinando o machado com um item que dava mais dois dados, porém quase sempre morria na reação do monstro. E ainda tive o prejuízo de ficar com um espaço ocupado por maldição.


Distribuição de itens dos meus heróis na sexta missão.

Meu outro herói, eu reforcei bastante com defesa, ficou meio a meio. Então, eu consegui bater bastante com ele e tentava sempre manter por perto o terceiro que funcionava como suporte por ter habilidade de curar os outros que estavam por perto, mas mesmo reforçando a defesa dele no final, ainda não foi suficiente e ele morreu mais do que o desejado. Então, era um esquema, primeiro ataque do elfo, que era o mais forte, e ele morria. Os outros dois heróis se revezavam nos ataques, até usarem todos os equipamentos e precisarem descansar ou até morrerem, o que era mais comum.

Salinha do "Chefão" e olha que eu já tinha matado duas irmãs.

Quando o monstro já havia tomado bastante dano, o Felipe veio tentar desferir o golpe final e assim garantir a vitória, mas ele não conseguiu. O que, na verdade, não adiantou de muita coisa. Apesar de ter vencido a missão, ele saiu como vitorioso do jogo, pois seu desempenho ao longo da campanha foi melhor. Ainda assim, foi bom vencer e eu não me sai tão mal, em número de vitória terminamos empatados.

Derrotando o Lorde Presas.

O registro completo da nossa campanha.

Arcadia Quest é um bom jogo para quem gosta de competição mais direta sem muita elaboração estratégica. As regras são bem simples e claras, apesar de um ou outro detalhe adicional que aparece dependendo da missão jogada. É fortemente recomendável que o jogador ao comprar já tenha um grupo certo para desenvolver a campanha. Ela é curta, então dá para jogar em um final de semana, as partidas não são demoradas e por isso não se torna cansativo. Por causa da simplicidade das ações, praticamente não existe downtime no jogo. Acho que pode ser bem interessante também para novos jogadores, pela questão da simplicidade e da beleza dos componentes já mencionados. Parece ser atrativo para jogadores de videogame, Felipe falou que a mecânica emula bem aspectos característicos de jogos clássicos. Ele comenta sobre isso no podcast que a gente gravou logo após o término da campanha.

Como eu já disse, não é um jogo que eu teria na coleção, se ela fosse exclusivamente minha. Apesar de ter gostado de como fizeram a movimentação dos monstros e a evolução de personagens, achei o jogo é bem raso. Se resume a andar, bater e rolar dados para completar objetivos genéricos e repetitivos. O tema de fantasia medieval não me atrai em absoluto, muito menos a bela estética do jogo. Eu gosto mais de mecânicas intrincadas que ofereçam caminhos diversificados para avançar em uma trilha de pontuação. Dispenso interação entre jogadores, mas se ela ocorrer, deve ter uma boa justificativa, não o simples atrapalhar um ao outro. 

Enfim, Arcadia Quest não é ruim, mas foi feito para um determinado público específico, da qual o Felipe faz parte, mas eu não. Assim sendo, na hora de comprar é bom ter isso em mente. Qual o tipo de jogo que você e seu grupo curtem. Para mim, existem jogos bem mais baratos que atendem a mesma proposta de diversão do Arcadia Quest, além de outros muito mais interessantes que podem ser comprados por esse valor, como o Blood Rage, da própria Cool Mini Or Not.

Confira mais sobre o jogo ouvindo o nosso podcast. Ele foi gravado logo após a última partida da campanha.

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