quarta-feira, 20 de abril de 2016

The Manhattan Project: Chain Reaction


The Manhattan Project é um daqueles tesouros que a gente tem a felicidade de encontrar por aí de vez em quando. Por que eu digo isso? Acho bastante enriquecedor para o hobby sair um pouco do circuito fechado dos game designers consagrados e das grandes editoras. Essas descobertas são mais comuns com jogos de pequeno porte, por isso acho ainda mais notável o trabalho da Minion Games. 

The Manhattan Project é um euro médio cuja mecânica principal é work placement e tem como tema construção de bombas atômicas, como vocês já devem ter deduzido pelo nome. Esse jogo tem uma coisa bem legal, que é a interação mais direta entre jogadores. Muita gente critica os euros por serem muito cada um por si, não que eu me importe com isso. Para completar, apesar da capa meio genérica, a arte do jogo é super bacana. Até no manual, eles capricharam. O jogo está previsto para ser lançado aqui no Brasil ainda esse ano pela Pensamento Coletivo. Para quem quiser saber mais sobre ele, dá uma conferida no post e podcast que já rolaram por aqui antes. 

Tabuleiro principal.

Tabuleiro individual.

Essa introdução toda foi porque neste post, eu vou escrever sobre o primeiro derivado do The Manhattan Project (temos previstos ainda para 2016 The Manhattan Project: Energy Empire e The Manhattan Project 2: Minutes To Midnight), que entrou em financiamento coletivo no início desse ano conseguindo arrecadar pouco mais de cem mil dólares com quase cinco mil apoiadores. The Manhattan Project: Chain Reaction é um cardgame rápido e simples, mas que consegue manter bem o clima do original, e ainda foi feito por outro game designer.

The Manhattan Project: Chain Reaction ainda está em fase de produção, mas a Minion Games liberou o PNP para quem adquiriu o jogo através do Kickstarter, ele também está em pré-venda no site da editora. A cópia que está comigo foi gentilmente emprestada pelo Amauri. Ele levou no Fábrica das Peças e percebendo o quanto eu tinha gostado, ofereceu para que eu ficasse com o jogo para jogar mais vezes e resenhar,

Quando eu ouvi falar sobre essa versão em cartas do The Manhattan Project, a primeira pergunta que veio a minha mente foi como eles iriam representar os diferentes trabalhadores utilizados no jogo. A solução é que as cartas vem com duas informações. Ao jogar a carta na horizontal, você está utilizando os trabalhadores por ela mostrados e ao jogar a carta na vertical, você está realizando a ação principal da carta, que sempre vai requerer a utilização de um determinado número de trabalhadores e frequentemente de um determinado tipo específico.

Exemplo de utilização das cartas.

O objetivo do jogo é somar pontos em bombas, assim como no jogo original. As cartas de bombas, disponíveis para compra, ficam abertas na mesa formando um mercado. O primeiro jogador que somar dez pontos de bomba, dá início ao final do jogo, no qual cada um dos demais jogadores poderá jogar uma última vez. Além das cartas de bombas que ficam abertas na mesa, existem as Bomb Loaded, que podem ser anexadas em cartas de custo cinco ou menos. As bombas podem ser compradas a qualquer momento do turno.

Setup do jogo. As bombas são as cartas da primeira fila.

Comprando uma carta de bomba.

Comprando uma Bomb Loaded.

Todos os jogadores compram suas cartas de uma deck único. O jogador compra cinco cartas e deve tentar utilizar todas elas da melhor forma possível, pois as cartas não são aproveitadas de um turno para o outro. Se não forem utilizadas serão descartadas. É um jogo com um caráter bem forte de administração de mão, onde ganha que fizer o melhor uso das combinações de cartas possíveis.

Como fazer o máximo com o mínimo?

Usei um Cientista para fazer dois Engenheiros, um foi usado para produzir Yellowcake e o outro para comprar duas cartas através da Factory. E eu ainda tenho uma quinta carta não utilizada.

Dois Cientista. Usei University para fazer mais três Cientistas...

Lembram meus dois Yellowcake? Transformo em dois Urânios.

O que eu gostei muito no The Manhattan Project: Chain Reaction foi justamente a questão de descartar cartas não utilizadas, deixando o jogador com uma mão nova todo turno. Eu tenho dificuldades em administração de mão porque não consigo ter uma visão de médio-longo prazo que jogos que utilizam essa mecânica geralmente exigem. Porque o mais comum de um jogo de administração de mão é o acúmulo de cartas, é o saber a hora certa de jogar.

Combinando bem com o seu nome, o jogo tem uma dinâmica de reação rápida. Isso poderia dar uma ideia errada de interação entre os jogadores, até porque o jogo original tem isso bem forte. A questão de interação aqui é praticamente inexistente, algumas cartas possuem efeitos específicos para sacanear o coleguinha. A questão da relação entre o nome do jogo e sua mecânica se dá mais dentro do seu próprio funcionamento interno, da necessidade de otimização das cartas jogadas.

E se a minha mão estiver muito ruim e eu não conseguir fazer nada? Isso é algo bem difícil de acontecer, mas ainda assim é uma possibilidade coberta pelo jogo através das cartas de Landmark. São cartas fixas que ficam abertas na mesa e podem ser utilizadas por qualquer jogador. Só que elas tem um custo maior de trabalhadores para serem utilizadas e ainda oferecem uma produção menor de recursos. É só para usar em último caso mesmo.

Landmark é salvação na hora do aperto.

As localidades desse jogo são basicamente: Mine para produção de Yellowcake, Enrichment Plant para transformar Yellowcake em Urânio e as University que produzem trabalhadores especializados. Existem três tipos de trabalhador no universo do jogo: Comum, Engenheiro e Cientista. As cartas de Landmark e as encontradas no deck só mudam em relação aos valores de requisito e recompensa.

Exemplos de cartas presentes no deck com diferenças de requisitos e recompensa.

Além dessas cartas básicas, o jogo ainda vem com mais quatro cartas com funções diferenciadas: Double Agent que pode escolher entre usar uma Landmark sem paga o custo de trabalhador ou roubar um Yellowcake do oponente, Espionage que pode escolher entre olhar a mão do oponente e pegar uma carta ou roubar um Yellowcake também, Design da Bomba compra três cartas de bomba fechada e escolhe uma e por último a Factory que permite comprar para si ou fazer o oponente descartar uma determinada quantidade de cartas. Essa última é a melhor, na minha opinião.

Outras cartas utilizadas que compõem o deck.

O jogo também oferece um modo solo, onde o desafio é conquistar a maior quantidade de pontos de bomba possíveis antes do término do deck. No jogo normal, quando o deck acaba, ele é simplesmente reembaralhado, o que acontece muitas vezes durante a partida. As cartas de Double Agent, Espionage e Factory trazem habilidade especiais que só são utilizadas nesse modo. Double Agent permite jogar uma carta da mão sem pagar custo, Espionage permite comprar três carta e escolher uma e a Factory permite compra do descarte. O vacilo ficou pela carta de Design Bomb que acaba sendo um peso morto, só servindo mesmo para utilização de trabalhador.

Não achei o modo solo grande coisa, ele funciona mais como um treinamento para jogar o modo normal. Jogando dessa forma, você vai pegar melhor como combinar as cartas de forma mais eficiente. Apesar disso, achei honesto dentro do que o jogo se propõe. Eu joguei algumas partidas solo e achei bem divertido. Acho bom ter esse tipo de jogo a mão para matar o tempo de vez em quando.

A arte do jogo é a mesma do original que eu gosto bastante. Minha única ressalva é quanto as cartas de Urânio e Yellowcake que não são nada praticas. Fica muito melhor representar esses recursos através de cubos. Mas acredito que foi feito dessa forma por uma questão de custos e praticidade para eles. Mas isso é facilmente resolvido pegando alguns cubinhos de um outro jogo qualquer, que foi o que eu fiz.

Eu gostei muito do jogo, achei realmente admirável o modo como conseguiram transportar bem o clima de um jogo de tabuleiro de 2 horas de duração para um cardgame de 15-30 minutos. Acho altamente recomendado não apenas para quem curte o The Manhattan Project, mas para qualquer um que goste de jogos rápidos, mas que exijam algum grau de raciocínio um pouco mais elaborado. Porém, nada tão pesado no nível de alguns cardgames matemáticos "frita cérebro", não que eu não goste desse tipo de coisa. The Manhattan Project: Chain Reaction é um bom meio termo. Com a Pensamento Coletivo trazendo o jogo original, fica a esperança de vermos esse cardgame por aqui também.

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