segunda-feira, 7 de março de 2016

Guadalupeças - O Retorno


Aconteceu ontem a segunda edição de 2016 do Guadalupeças, nosso querido evento que ocorre todo primeiro domingo do mês. Fomos obrigados a realizar uma pausa forçada em fevereiro por causa do Carnaval, mas espero que a partir de agora consigamos seguir com regularidade. No início da manhã estava meio vazio, o que nos deixou levemente preocupados. Mas entendemos que acordar cedo em pleno domingo não é uma tarefa das mais fáceis, aos poucos a galera foi chegando e conseguimos garantir mais uma vez grandes momentos de diversão entre amigos. Porque essa é uma das coisas que eu mais gostos nos jogos analógicos, o poder de aproximar as pessoas, mesmo as mais tímidas. 

Contamos com as ilustres presenças do Warny Marçano, do Space Cantina e do Romulo Marques, do Die die DIE. Ambos os jogos serão lançados em breve pela Ace Studios. Além disso, o pessoal teve a oportunidade de conhecer o Zona Mágica, que é um jogo de uma editora nova chamada Arcano Games, que está em processo de financiamento coletivo e o Raid & Trade que está em pré-venda pela Redbox Editora

Eu comecei o dia jogando Thunderbirds, que é um jogo que homenageia os 50 anos da famosa série de TV britânica. Seu lançamento ocorreu no ano passado, e além da bela arte de capa retrô, ele conta também com miniaturas muito bacanas dos veículos. O jogo é um coop, no qual os jogadores tentam proteger nosso planeta e o sistema solar das mais variadas ameaças. Existe um contador de crise e outro de vilão, se qualquer um dos dois chegar ao final, todos perdem. Não tive a chance de jogar muito porque fomos massacrados. As crises são resolvidas através de rolagem de dados, o que deixa uma margem para o fator sorte. É um jogo do Matt Leacock, game designer famoso por Pandemic e Forbidden Island, ambos lançados no Brasil pela Devir. Então, já dá para ter uma ideia do que esperar. Quero muito poder jogá-lo novamente para ter uma experiência mais completa.

Perceba a quantidade de cartas abertas na parte inferior do tabuleiro, todas crises não resolvidas.

Miniaturas mais de perto. Só ficou faltando o carro.

Depois joguei uma partida do sempre muito agradável Die die DIE. Esse é um jogo que foi amor à primeira jogada. Eu estou com o protótipo para poder escrever um post completo sobre ele aqui no blog. O texto deve sair ainda essa semana. Die die DIE é um jogo de destreza, os jogadores petelecam seus dados tentando posicioná-los nos lugares do mapa que dão mais pontos. O domínio do território é determinado pelo maior resultado no dado, então não basta só acertar o lugar, é preciso também conseguir um bom valor numérico. Claro que nessa disputa, temos muito petelecos direcionados, não apenas a conseguir um território, mas também expulsar o dado do oponente.

 Situação no final do último turno (Era 4). As três miniaturas são os chamadas Monumento, eles vão entrando um por vez a partir da Era 2.

A versão atual do Die die DIE conta com algumas novidades em relação a que joguei anteriormente. Agora cada conjunto de dados acompanha uma carta que possui dois poderes especiais que deverão ser escolhidos pelos jogadores no início do turno. Esse é o meu ponto de maior insegurança, porque é o tipo de coisa difícil de equilibrar. Algumas habilidades me pareceram mais fortes do que outras, mas ainda não joguei com todas elas. Porém, acredito que isso ainda está sendo cuidadosamente testado. Nós jogamos antes do Romulo chegar, mas depois ele fez questão de perguntar quais cores nós tínhamos utilizado e anotou essa informação. Achei esse cuidado muito interessante e digno de nota.

Romulo explicando o jogo para a galera.

Além dos poderes especiais, o jogo agora conta também com diversos mapas, cada um com uma regra própria (tem até um espacial) e uma ação chamada jogada estratégica, no qual os jogadores ao invés de petelecar os dados, fazem uma rolagem do lado de fora da área de jogo e distribuem o valor obtido entre os dados que estão do lado de dentro. O dado utilizado na jogada estratégica é descartado, não podendo ser petelecado. Isso eu achei uma adição bem interessante, pois minimiza um pouco o fator sorte elevado do jogo, que pode ser um incomodo para alguns.

Em seguida, veio outro nacional - Zona Mágica. Esse é um jogo que me tem feito pensar bastante nos últimos dias. O que por si só já é um ponto positivo e um motivo para fazer um post só sobre ele. A primeira vez que joguei, eu achei o jogo bem ruim. Tanto que pensei em devolver sem fazer nenhum tipo de registro quanto a minha opinião. Em geral, essa é a minha política quando não gosto de algum jogo. Acho muita perda de tempo ficar escrevendo ou gravando sobre algo no qual não vi nada de bom. Mas resolvi dar uma segunda chance e testar algumas ideias.

Agora, na segunda partida, joguei com um pessoal com um perfil bem diferente da galera com quem eu tinha jogado anteriormente. Isso me mostrou que nem sempre um jogo é necessariamente ruim, ele pode apenas não ser adequado para um determinado grupo. Na primeira vez, tínhamos uma galera mais boardgamer e com uma faixa etária mais elevada. Já no Guadalupeças, joguei com um grupo mais casual e com uma faixa etária bem menor. A partida com a garotada foi bem divertida, porque eles tinham uma vibe muito de entrar na zueira.

Protótipo praticamente com qualidade de jogo pronto.

Em Zona Mágica, cada jogador é um mago participando de um campeonato. Existem duas escolas que são representadas por diferentes círculos no tabuleiro, é a parte mais interessante do jogo. Para baixar uma magia, é necessário que os manas requisitados estejam no círculo indicado. No turno, o jogador pega um mana e pode colocar em um dos círculos de escola, isso lhe permite baixar uma magia e ganhar pontos, além dos efeitos ativados que podem ser tanto de ataque quanto de defesa. Colocar uma magia no jogo não é fácil porque os círculos estão sempre em constante mudança.

Uma outra opção que o jogo lhe dá é colocar o mana na área de torcida e receber cristais da escola correspondente que lhe darão pontos no final da partida. Os primeiros três manas de cada lado da parte inferior do tabuleiro, que funciona como um controle para a passagem dos turnos, aumentam o contador da torcida. Depois da primeira partida percebi que esse era um caminho mais fácil para ganhar o jogo. Pontos de magias podem ser perdidos a qualquer momento. Aqui a pontuação é muito mais segura. Além disso, os cristais são usados nos leilões para compra de implementos, que são itens mágicos de uso fixo.

Fim de partida ainda rolou uma dúvida se eu ia conseguir ganhar ou não.

Meu plano foi aumentar o máximo possível em ambos os contadores de cristais e pegar os implementos mais adequados para aumentar ainda mais minha pontuação dessa forma e me defender de ataques que certamente viriam. Apesar de ser uma mesa de iniciantes, todo mundo era jogador de cardgame e minha jogada não passou despercebida. Recebi muitos ataques e no final perdi a liderança em ambas as trilhas de cristais, porém mesmo assim ainda consegui vencer o jogo.

Lancei pouquíssimas magias a partida toda, não só porque não era interessante para minha estratégia, como também não tinha mana no círculo necessário. Se eu avançasse na pontuação seria alvo de ataque, então preferi ficar marcando passo mais atrás. Eu achei a relação de pontuação entre magias lançadas e os cristais conquistados na trilha das duas escolas no final do jogo um pouco desequilibrada. As magias dão muito trabalho para pouco retorno.

Não vou mais me alongar comentando sobre o Zona Mágica porque vai ter post sobre ele aqui ainda essa semana, no qual pretendo detalhar melhor não apenas as questões que acabei de apresentar acima, como também todo o jogo de maneira geral. Vou escrever sobre as regras, comentando o que gostei ou não e o porquê. Quem estiver interessado no jogo e quiser saber a minha opinião fique ligado.

Fechei o dia recebendo uma aula de game design com o sensacional Five Tribes do Bruno Cathala. Esse é um jogo que eu queria jogar já fazia algum tempo e até então não tinha tido oportunidade. Eu gosto muito de mancala e não tinha visto isso ser utilizado em um jogo moderno ainda. O jogo une essa mecânica clássica maravilhosa com um conceito bem moderno de atribuir funções diversas aos meeples de acordo com as suas cores. Em Five Tribes, cada tile começa com três meeples coloridos. Na sua vez, o jogador vai distribuir um deles em um tile diferente, sendo que no último precisa ter um meeple da mesma cor daquele que está sendo colocado. Então, será realizada a ação do meeple e do local, se possível. Quando um jogador terminar a distribuição em um local em que todos são da mesma cor, ele ficará vazio, então será colocado um camelo indicando que aquele tile foi conquistado. O jogo segue assim, até que não haja mais possibilidade de movimento ou algum jogador tenha colocado todos os seus camelos no tabuleiro. Lógico que tem muito mais do que isso no jogo, tentei aqui dar uma visão bem geral e simplificada. Já está na lista de desejos e super recomendo para quem curte uma boa "fritação de cérebro".

Desculpem a qualidade ruim da foto. Tirei com o celular. Final de evento, Felipe esqueceu de fotografar.

Seguem fotos de alguns outros jogos que rolaram nessa edição do Guadalupeças:

Space Cantina.

Raid & Trade.

Lords Of Waterdeep.

Obrigada a todos pela presença e por fazerem nosso evento ser tão agradável, espero reencontrá-los no próximo mês. Curtam as nossas páginas no FB: Turno Extra e Guadalupeças. Inscrevam-se também no canal do blog no Youtube. Essa semana teremos muitas novidades, além dos posts que eu já mencionei do Die die DIE e do Zona Mágica, ainda gravamos vídeos explicativos com o Warny do Space Cantina e o Romulo do Die die DIE.

Não deixem de ouvir o nosso podcast:


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