sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Escola de Dragões + Intercâmbio no Oriente


Já fazia quase um mês que não postava nada por aqui. Fevereiro tem sido um mês bem complicado, mas pretendo me esforçar para aumentar a frequência das postagens. Nesse retorno às atividades, vamos de um joguinho bem tranquilo e divertido, mas que é do tipo que acaba passando despercebido. Escrever sobre jogos menos conhecidos é algo que eu gosto bastante de fazer. Fico com a sensação de estar dividindo algum tipo de descoberta especial.

Eu já tinha visto o Escola de Dragões diversas vezes, mas nunca tinha sentido interesse em conhecer. O jogo foi lançado pela RetroPunk Publicações, que é uma editora conhecida pelo seu trabalho com RPG. Mas que parece está começando a entrar no mercado de boardgames. Escola de Dragões lançado em 2014 foi uma primeira experiência. Para 2016, eles têm uma série de jogos programados para serem lançados. O primeiro a sair foi a expansão do Escola de Dragões chamada Intercâmbio no Oriente. Além de ser muito legal ver uma editora de RPG abrindo espaço em sua linha editorial para o nosso segmento, é bom ver que estão fazendo isso utilizando jogos nacionais ao invés de importados.


Nada contra as importações. Tudo a favor, na verdade. Quanto mais jogos lançados aqui melhor. Se já era caro e complicado comprar lá fora antes, agora com o dólar nas alturas ficou praticamente impossível. Mas eu sou uma grande entusiasta do trabalho realizado pelos game designers brasileiros, então sempre que vejo uma editora abrindo espaço fico feliz. Ainda temos muito o que melhorar aqui no nosso país para que possamos realmente competir com os jogos vindos do exterior. Acredito ser importante o suporte das editoras para acelerar o processo.

Mas voltando ao Escola de Dragões, por que eu nunca tinha me interessado? É um jogo de uma editora que não é popular no meio dos boardgames e a temática de dragões não me atraiu nem um pouco. Minha última experiência com cardgames com esse tema não foi muito feliz. Além disso, a caixa do jogo me lembra aquelas de sabonete antigo. Enfim, estava muito errada em não ter dado a devida atenção ao Escola de Dragões antes.


Quem me ajudou a corrigir essa falha grave foi o Filipe Cunha, o cara que mais me apresenta jogo bom. Ele veio aqui em casa jogar uma partida de StarCraft The Board Game (não vai rolar post, talvez numa próxima, mas teve podcast) e enquanto esperávamos o restante do pessoal chegar, nos apresentou esse joguinho tão simpático. Escola de Dragões é extremamente rápido, fácil e divertido. Jogamos duas partidas seguidas em menos de meia hora.

O objetivo do jogo é somar 25 pontos em cartas de dragão. Os jogadores começam a partida com 5 cartas na mão. Elas podem ser de três tipos: Treinamento, Dragões Coloridos e Ação. As cartas de Treinamento são os dragões com os valores mais baixos. Os Dragões Coloridos possuem valores mais altos e para colocá-los em jogo é necessário descartar cartas de Treinamento no valor indicado. As cartas de Ação são cartas de habilidades especiais. Elas permitem tirar cartas da mão ou da mesa do oponente, deixar um jogador sem jogar durante um turno e comprar cartas adicionais.




A ordem do turno é bem simples. Primeiro o jogador deve comprar duas cartas, depois ele pode jogar até três cartas de Treinamento e/ou Dragão Colorido e por último suas cartas de Ação, essas não possuem um limite e podem ser usadas inclusive durante a vez de outro jogador para atrapalhá-lo. Ter atenção para utilizar as cartas de Ação no momento certo é fundamental para ter sucesso no jogo. A carta mais utilizada é a que tira cartas da mesa do oponente. Um jogador pode juntar várias cartas desse tipo para levar ao descarte de um dragão de valor alto, mas é necessário atenção, pois o descarte não precisa ser realizado exatamente no valor informado, ele pode ser menor. É sempre bom deixar cartas menores na mesa, para evitar o descarte daquelas de maior valor.




O jogo base vem com 54 cartas e é indicado para 2-4 jogadores, mas para aumentar esse número basta possuir uma outra cópia. A arte das cartas não possui nada de sensacional, mas me agradou. Só não curti muito os desenhos das cartas de Ação, mas acho que isso se deve ao fato deles serem naturalmente mais engraçadinhos. Achei bem legal os desenhos das cartas de Treinamento, são os melhores porque ficaram bem fofinhos. A iconografia das cartas e o design em geral ficaram bem bacanas. Bem limpo e sem exageros, cumprindo sua função de diferenciar os tipos de cartas e informar de forma clara o que cada uma faz.

A expansão Intercâmbio no Oriente adiciona 26 cartas ao jogo, o que permite a entrada de 5° jogador. Porém, em questão de regras nada é alterado, apenas temos a adição de 2 novas cartas de Ação, uma que permite inverter o sentido da partida e outra que permite olhar 4 cartas da mão de outro jogador. As cartas novas cabem perfeitamente dentro da caixa do jogo base, o que é sempre uma comodidade que me agrada muito.


Sobre a arte, eu curti mais a da expansão. Achei que os desenhos estão com um traço mais bonito, além de mais detalhados e coloridos. As cartas também parecem ser de um material de qualidade levemente superior. Eles aumentaram a margem, o que eu acho ajudou a melhorar o aspecto das cartas. As cartas do jogo base possuem uma margem muito pequena e por vezes desigual. Infelizmente, esse último problema se mantém na expansão. Outro ponto é uma leve diferença de tonalidade no verso das cartas. Mas nenhuma da questões apontadas prejudica o jogo, são pequenos detalhes que a maioria dos jogadores nem devem perceber.



Agora a parte mais importante, onde comprar? Acredito que por ser tratar de um jogo um pouco mais antigo e de uma editora não tão conhecida, fique um pouco difícil encontrá-lo em outro lugar que não seja a própria RetroPunk Store. O combo do jogo base com a expansão está saindo por R$51. Separados, o base está R$34,90 e a expansão R$24,90. Achei os preços bem tranquilos e justos.

É um bom jogo para matar o tempo enquanto se esperar o início de algum outro maior, como foi o meu caso. Também é bacana para iniciar uma galera mais casual, acho que é aquele tipo de jogo que dá para jogar com qualquer um, inclusive crianças. Pode até ser muito proveitoso para elas, pois tem a questão da matemática bem presente. É uma forma de aprender brincando. Eu gosto muito de jogos pequenos, tenho uma prateleira inteira deles e posso dizer que o último jogo nesse formato que me agradou tanto como Escola de Dragões foi o Sushi Go. Para ficar perfeito só faltou um modo solo.

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