segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Primeiro Guadalupeças de 2016


Esperávamos que o nosso primeiro evento do ano fosse ficar meio vazio por causa da proximidade do Ano Novo, por isso ficamos surpresos com a quantidade de pessoas que compareceram. Ainda mais se levarmos em consideração o horário novo e o tempo nublado e meio chuvoso de ontem. Achei o dia bastante produtivo e agradável, como sempre com jogos para todos os gostos.

Comecei o dia jogando The Manhattan Project, que eu só conhecia de nome mesmo. Foi uma excelente surpresa, apesar da arte de capa sem graça e que não desperta a vontade de jogar que deveria. Mas os problemas nesse aspecto param por aí, porque os componentes são todos muito bacanas, até o manual que simula a capa de um jornal. O jogo é basicamente um worker placement com temática de construção de bombas atômicas.

Foto de final de partida.

O tabuleiro principal tem os locais para alocar seus trabalhadores, cada jogador começa com quatro comuns, podendo conquistar mais oito especializados (divididos em cientistas e engenheiros). Alcançado o limite de trabalhadores ainda é possível conseguir mais, porém esses serão temporários, para uso único no turno. Uma das principais ações do jogo é a compra de construções, que serão colocadas no tabuleiro particular do jogador. Tudo que elas dão pode ser conseguido em ações no tabuleiro principal, porém com um grau de dificuldade maior, seja de custo ou pela limitação do local. Construir é a única ação ilimitada do jogo, todas as demais só podem ser usadas por um jogador de cada vez.

Tabuleiro principal.

Em The Manhattan Project, os jogadores só podem colocar ou tirar seus trabalhadores no turno, nunca ambos ao mesmo tempo. Como é muito rápido e relativamente fácil aumentar a quantidade de trabalhadores, um determinado local pode ficar travado por bastante tempo. Pois, normalmente, um jogador só vai recolher seus trabalhadores depois de já te usado todos ou se não houver mais ação de seu interesse para realizar, o que é difícil.

Tabuleiro individual.

Além do espaço para colocar suas construções, o tabuleiro individual vem com os marcadores de Fighter e Bomber, o primeiro é para defender/atacar e o segundo para carregar suas bombas depois de construídas, isso dá cinco pontos extras. Existem dois tipos de bombas no jogo: Plutônio e Urânio. Ambas envolvem aquisição e transformação de matéria-prima, mas o grau de dificuldade é diferente. Bombas de Plutônio são mais fáceis de produzir, por isso valem menos. Para aumentar seu valor é preciso usar um teste, que é o descarte de uma de suas bombas já produzidas.

O jogo termina imediatamente quando um jogador conseguir atingir um determinado número de pontos, que irá variar de acordo com o número de jogadores. As bombas disponível para compra ficam abertas em um local próprio para todos verem seus pontos e requisitos. Quando um jogador faz ação de projeto para construção de bombas, as cartas são recolhidas e ocorre um drafting. Quem fez a ação fica com duas cartas de bomba e os demais com uma. Não é necessário ter os requisitos no momento, mas todo mundo sabe mais ou menos o que todo mundo quer fazer, isso eleva bastante o nível de interação da partida.

Cartas de bombas disponíveis.

Não é fácil fazer a bomba, independente do tipo, então a partida demora um pouco. Mas como é um jogo com muita tensão, em que é preciso ficar ligado o tempo todo, não fica pesado. Primeiro, vem a preocupação em construir sua bomba e pegar todos os workers, depois que um faz todo mundo também consegue fazer. Depois começa a questão de quem vai construir a segunda bomba, porque é geralmente ela que fecha o jogo. 

A primeira partida foi eu, Felipe e Cunha. Foi bem tranquilo, cada um cuidando de fazer sua própria bomba. Só no final que os meninos se atacaram porque sabiam que ambos estavam bem próximos da vitória. Fiquei com a impressão que a diferença de pontuação é sempre bem pouca e que todo mundo em algum momento da partida acredita ter chance de ganhar. É um jogo que oferece muitas opções de estratégia.

Depois joguei uma partida com 5 jogadores, utilizando a expansão The Second Stage. Rolou muito mais conflito dessa vez. Com essa expansão temos a adição de quatro novos elementos importantes ao jogo. Cada jogador recebe um carta de nação que lhe dá um poder especial, temos os foguetes que permitem ataques diretos a construções, upgrade para bomba de plutônio - bomba H e personagens com habilidades especiais que os jogadores recebem a cada vez que recolhem seus workers. Achei a expansão bacana, adiciona bastante ao jogo, principalmente para quem gosta de interação. 

Início de partida com 5 jogadores.

Entre uma partida e outra do The Manhattan Project, joguei Star Wars Card Game com o Cunha. Eu já tinha jogado com o Felipe e não tinha curtido muito, então ficou a dúvida se a gente tinha jogado certo mesmo, já que esse é um jogo tão elogiado. Tínhamos jogado certo sim e eu que realmente não gostei mesmo. Talvez a curva de aprendizado dele seja um pouco alta e isso tenha atrapalhado a minha apreciação, ele pareceu depender da capacidade do jogador de formar os combos certos mais do que normalmente já se vê em outros jogos do estilo. 

Tentando gostar...

Enquanto eu jogava The Manhattan Project e Star Wars Card Game, o Felipe finalmente conseguiu estrear o nosso The Witcher. Não posso escrever muito, pois não joguei. Mas surpreendeu as comparações com Eldritch Horror e que o jogo é grande demais para a quantidade de personagens. Se com quatro jogadores já ficaram com essa impressão de espaço sobrando, fico imaginando uma partida só com dois jogadores, já que ao contrário de outros jogos não rola o tão comum esquema de controlar mais de um personagem. Ouvi comentários também de que apesar de ser competitivo, os jogadores precisam se ajudar para completarem suas quests. Logo saberei mais sobre o jogo, ele está em cima da mesa aqui de casa aguardando para ser jogado e eu também posso jogar a versão digital na Steam, só preciso vencer a preguiça e o desanimo na vida. Quero jogar o Gwent também.

Bem bonito o tabuleiro.

Fechei o dia com Notre Dame do Feld. Esse era um jogo que eu queria jogar já fazia bastante tempo, apesar de saber que o tema era colado com cuspe. Mesmo deixando de lado a questão do tema e focando só na mecânica, achei o jogo bem decepcionante. Quando o Cunha comentou que era tipo La Isla para tentar convencer a Paula a jogar, já senti que não vinha coisa boa por aí. Sim, eu também não gosto de La Isla. Até agora só curti Burgundy

Notre Dame funciona em um esquema de drafting bem interessante. A catedral fica no centro e cada jogador tem seu distrito próprio onde estão as ações a serem realizadas. Em cada rodada, os jogadores compram três cartas do seu deck, escolhem uma para ficar e passam o resto. Porém, os jogadores só podem utilizar duas cartas, a terceira é descartada. Após realizadas as ações das cartas, ficam disponíveis ações especiais que podem ser realizadas mediante o pagamento de uma moeda. São três cartas de personagem que são abertas toda rodada, além de possibilitar ações diferentes, essas cartas vem com a contagem de ratos.

Podemos trocar Notre Dame por uma empresa de dedetização.

Cada jogador tem em seu distrito um contador de ratos e toda rodada são somados os ratos mostrados em cada carta para subir o contador, quando ele passa de nove, o jogador perde dois pontos a cada rodada que esse resultado persista. Então, o jogo vira uma caça aos ratos. Achei isso muito chato. Eu sei, eu sei, que a Europa no período medieval tinha sérios problemas com ratos e tem a questão da peste negra. Mas como recurso no jogo não ficou legal. Talvez se ele tivesse uma mecânica de administração de territórios mais consistente, mas é tudo na base do ganhe dinheiro, ganhe cubo, ganhe ponto... É um jogo seco demais. Ainda jogarei muita coisa do Feld e outros amores como Burgundy podem acontecer, mas por enquanto está 2X1 contra ele.

Segue abaixo algumas fotos de outros jogos que rolaram nessa edição do evento.

The Speicherstadt (Goulart gosta do Feld)

Ca$h 'n Guns


Dixit

Obrigada a todos pela presença e por fazerem nosso evento ser tão agradável. Não sabemos como ficará no mês que vem por causa do Carnaval. Pensamos em adiantar em uma semana, mas tem Expo Geek. Colocar para a semana seguinte também não sabemos se é uma boa opção porque ainda vai estar todo mundo em clima de Carnaval. Então, talvez só voltemos com o evento em março. Mas fiquem ligados nas páginas do FB tanto do Turno Extra quanto do Guadalupeças para saber todas as informações. Inscrevam-se também no canal do blog no Youtube.

Valeu, galera!!!


Ouça nosso podcast sobre The Manhattan Project:

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