terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Guadalupeças - O Retorno


Depois de alguns meses sem termos condições de realizar nosso querido Guadalupeças, já estávamos achando que só íamos retomar as atividades no ano que vem, surpreendentemente conseguimos fazer uma última edição ainda em 2015. Contamos presença de alguns amigos e parceiros do evento, gente que está sempre presente nos apoiando. Já fica aqui registrado nossos agradecimentos ao Filipe Cunha da Pensamento Coletivo (Gunrunners é foda. Comprem!!!) e ao pessoal da Riachuelo Games que promoveu um campeonato do excelente Orcorrida, joguinho bem rápido e divertido, que deve ser lançado em breve. Tivemos também a presença do Christophe Boelinger, provando o quanto é gente fina, não importa se o evento é grande ou pequeno, a simpatia permanece a mesma.

Galera jogando Orcorrida.

Os campeões.

O Guadalupeças está começando mais cedo, por isso estávamos com medo de ficarmos um bom tempo lá sozinhos, mas teve um quantidade razoável de pessoas que chegaram cedo. Nós levamos um bolo para comemorar o aniversário de uma amiga com refrigerante e também rolou café com pão de queijo. Por volta das 9 da manhã, já estávamos todos posicionados para começar os jogos. O Felipe abriu os trabalhos do dia com Tash-Kalar. Eu não conheço o jogo, mas sempre ouvi muitos comentários e como ele gostou muito, tenho certeza que logo estará aqui em casa. Então, terei muitas oportunidades para conhecer. Uma opção para quem quiser conhecer é a versão digital no BGA.

Esse jogo ia ficar perfeito com miniaturas, tokens são muito sem graça. #ironia

Eu comecei jogando Dungeon Twister Prison porque eu queria ter a oportunidade de comparar o board e o card. Pude comprovar que realmente a adaptação foi muito bem feita como todo mundo diz, o nível de similaridade é enorme. Mas eu prefiro o card. Ele tem uma flexibilidade maior, porque não tem um setup fixo como o board, você escolhe o tamanho do seu jogo de acordo com a sua disposição de tempo e paciência. Outra coisa que eu gosto muito no card, foi a solução dada à questão de posicionamento dos personagens nas salas. Isso não apenas resolve um problema de adaptação, mas adiciona todo um novo grau de dificuldade que compensa a perda de complexidade em relação ao board pela redução de tamanho da masmorra.

Faria mais sentido uma foto do tabuleiro, eu sei. 

A minha maior dificuldade jogando o board foi lidar com as dimensões muito amplas do jogo. Tive dificuldade em administrar tantos personagens ao mesmo tempo e ter que tentar cruzar uma distância muito maior. O esquema de ações do board também gerou algum estranhamento, acho que ele é a diferença mais significativa. No card, o esquema é jogador inicial com dois pontos e depois disso todo mundo sempre com três pontos, podendo acumular pontos para o próximo turno quando utilizar uma quantidade menor de ações no atual. No board, as ações são controladas por cartas, a regra é que jogador precisa jogar uma carta igual ou menor que a utilizada pelo oponente. É uma forma de controle de ações bem mais complexa, que exige e permite um planejamento muito mais estratégico. Foi a única coisa no board que eu curti mais do que no card.

Eu joguei com o Filipe Cunha que é super hardgamer, no board a questão da necessidade de nivelamento fica bem mais evidente. Ele mesmo comentou isso, após ter me massacrado. Não pegaria o jogo porque ele tem uma pegada muito parecida com diversos outros com a temática, apesar de ter apreciado bastante a mecânica, é muito bem integrada. Mas eu fico mais com a flexibilidade e a inovação implantada pela necessidade de adaptar a questão de posicionamento dentro da masmorra do card.

Depois de queimar tanto o cérebro com o Dungeon Twister Prison foi a vez de jogar algo para relaxar, então fui conhecer o extremamente rápido e divertido Fruit Salad. Cada jogador na sua vez rola dois dados, um numérico e outro com as frutas. Todos vão colocando suas cartas em uma pilha no centro da mesa e quem achar que o resultado rolado já foi alcançado deve bater com a mão nelas para indicar isso. Caso esteja correto, ele pega uma carta para marcar o acerto e distribui o restante das cartas para os outros jogadores, na proporção desejada. Caso esteja errado, fica com todas as cartas para si. O jogo acaba quando alguém consegue quatro acertos ou fica sem cartas na mão.

Geralmente, várias pessoas tentam bater ao mesmo tempo. Cuidado para não machucar o amiguinho.

As cartas são secretas, os jogadores recebem elas viradas para baixo, só sendo reveladas no momento em que são colocadas na pilha. As cartas possuem o desenho de frutas variadas em diferentes quantidades e combinações, além disso algumas cartas possuem um simbolo para rolar novamente o dado numérico ou de fruta. É o momento que dá nó na cabeça de todo mundo. Por exemplo: A fruta era morango e o número seis, aí muda para laranja. Todo mundo estava prestando atenção aos morangos, é difícil contar várias frutas ao mesmo tempo.

Eu venci a partida que joguei pelo critério de ficar sem cartas na mão. Achei isso meio injusto, porque eu não bati nenhuma vez para tentar acertar a quantidade de frutas. Eu venci pelo erro dos outros basicamente. Na minha opinião, deveria existir apenas o critério dos quatro acertos e quem ficasse sem cartas na mão estava fora da partida. É assim que funciona em Halli Galli, porque o objetivo é justamente o contrário, quanto mais cartas na mão melhor. Só depois que me liguei na semelhança entre os dois. O Fruit Salad acrescenta uma variação mais interessante ao acrescentar os dados, mas para quem tem o jogo da Copag usar o sino pode ser uma opção bacana, porque o risco de levar um tapão na mão é bem alto. Queria ter lembrado do Halli Galli na hora, seria legal perguntar ao Christophe Boelinger se rolou alguma inspiração.

Fruit Salad talvez seja lançado aqui no Brasil pela Conclave Editora, se vier com um bom preço pode ser uma opção interessante de Party Game. Na minha opinião, o problema dele é o formato redondo das cartas. Faz todo sentido tematicamente, mas não é nada prático, já que não existe sleeve neste formato. Ele é um jogo em que as cartas sofrem um desgaste bem rápido, porque são embaralhadas muitas vez e tem a questão de bater em cima delas.

Muito bonitinho o jogo.

O último jogo do dia foi Dogs do Macri, o Christophe Boelinger estava com muita vontade de jogá-lo porque está criando um dentro da mesma temática. No geral, ele gostou bastante. Mas criticou a limitação das ações da fase dois do turno. Ele achou que isso deixou o jogo travado e não fazia sentido tematicamente. Engraçado que eu acho Dogs muito tranquilo nesse sentido. Nunca fiquei bloqueada no jogo por não poder usar uma determinada ação que gostaria, até porque sempre tento pensar em outras alternativas.

Christophe Boelinger conhecendo Dogs.

Ele e a esposa fizeram uma verdadeira corrida para ver quem pegava mais cães e no fim não conseguiram alimentá-los. Foi a primeira vez que vi a capacidade máxima da enfermaria ser ultrapassada. Não sei se foi o Felipe que não explicou direito o jogo ou se foi uma falha na percepção deles. A ideia não é ter mais cães, mas sim quem administra melhor o canil. De qualquer forma, foi muito interessante observar a visão de alguém em uma posição que possibilita tanta isenção para avaliar um jogo, independente de concordar ou não.

Confira abaixo algumas fotos de outros jogos que rolaram nessa edição do Guadalupeças.

Playteste de Invasores. Queria muito ter jogado.

Tradicional Ticket To Ride.

World Without End, sequência de The Pillars Of The Eath.

Raiders Of The North Sea.

Ouça o nosso podcast especial sobre o evento.


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