quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Saiba o que rolou no Diversão Offline


Uma das minhas distrações favoritas é pesquisar fotos de boardgame no Instagram. Domingo, antes de sair de casa para ir ao Diversão Offline, descobri que estava rolando BGG Con. No caminho todo para o evento, fui pensando como seria incrível algo desse nível no Brasil. Quem leu meu post anterior, sabe o quanto admiro os eventos especializados que ocorrem lá fora. Espero um dia ter a oportunidade de visitar algum deles. Mas, naquele momento, eu estava indo para um forte candidato a ser o nosso grande evento nacional. Sim, minhas expectativas em relação do Diversão Offline eram, e ainda se mantêm, bem elevadas. Apesar de um ou outro problema, normal para primeira edição, considero que o evento foi um sucesso.

Foto da BGG Con. Vamos chegar lá.

Cheguei ao Diversão Offline por volta das 11 da manhã, estava rolando a palestra do Marcos Barreto, game designer do Zodiacus, sobre criação de jogos. Tinha uma boa galera assistindo. A área de torneios estava meio vazia, não parecia que tinha começado nada ainda. Resolvi dar uma volta por todo o evento para ter uma visão geral. Dei uma olhada em todos os estantes e salas destinadas aos jogos, além de trocar ideias com algumas pessoas. Tinha muita gente conhecida com quem eu gostaria de ter falado mais, porém a timidez me impediu.

A estrutura oferecida pelo Centro de Convenções SulAmérica é ótima, os eventos que ocorrem lá são sempre bem confortáveis. Eles tem um espaço amplo, um sistema de ar-condicionado que funciona, banheiros limpos e elevadores, só o preço do estacionamento que é um pouco salgado. Mas o grande problema foi a parte de alimentação, simplesmente não haviam opções. Porém, essa deve ser uma questão bem difícil de resolver, porque é recorrente nos mais diferentes eventos. A divisão do espaço também deixou a desejar um pouco, poderia ter sido melhor, mas reconheço que essa é outra questão complicada. No planejamento, tudo parece muito satisfatório, só quando colocado em prática é que aparecem os problemas. São diversas variáveis envolvidas que que são difíceis de prever, ainda mais quando é a primeira edição do evento.

Eu achei um pouco ruim os estantes terem ficado tão separados das mesas de jogos, acredito que para algumas pessoas não tão familiarizadas com o hobby, pode ter ficado complicado identificar de qual editora era aquele jogo que tinham acabado de conhecer. Talvez fosse mais interessante ter os estandes e mesas de jogos em um mesmo espaço. A pessoa sentou, jogou e já pode comprar, se quiser. A identificação das mesas de cada editora era confusa, dava para saber mais ou menos quem era quem pelo agrupamento de jogos. 

Haviam três salas de jogos, duas que foram anunciadas como freeplay e uma destinada apenas aos protótipos. Todas elas ficaram muito cheias durante todo o dia e ocupadas com demonstrações de jogos por editoras, era difícil encontrar uma mesa disponível para jogar algo aleatório. Acho que deveriam ter deixado mais claro, quais mesas eram para as editoras demonstrarem seus jogos e quais eram realmente livres para quem quisesse chegar e jogar qualquer coisa.

 Visão geral de uma das salas.

A sala de protótipos ficou pequena, haviam muitos jogos e era difícil se movimentar por lá, tanto é assim que alguns protótipos podiam ser encontrados espalhados nas outras duas salas. Também faltou uma melhor identificação do jogos, porém aí acho que é mais responsabilidade de seus criadores. Só o Acre e o Zodiacus estavam bem identificados, pois estão em financiamento coletivo. 


O pessoal do Acre foi com tudo que tinha direito: banner, camiseta, buttons... 

Tom Vasel fake jogando Zodiacus. :p

Uma dica para galera que vai apresentar seus jogos em eventos, coloquem o nome de maneira bem visível. Não precisa gastar dinheiro com banner, escreve grande em uma folha de papel mesmo, pode ser até mesmo à mão. Muitas vezes, a gente vê um jogo interessante, mas acaba pelos mais variados motivos não conseguindo jogar. Porém, se tivermos o nome, podemos procurar por ele depois. Todo mundo hoje em dia tem páginas para divulgar seus jogos. 

Comecei dando uma geral nos estandes para já identificar o que queria comprar. Nisso já notei algo de estranho, a Galápagos Jogos e a Grow não estavam realmente no evento, mas apenas sendo representadas por lojas - a Tabuleiro Mix e Magic Store. A primeira teve problema com a remessa da editora que não chegou a tempo e acabou levando o que já tinha em seu próprio estoque. Já a segunda, não tinha o único jogo que me interessava, o Card Wars. Eles informaram que as 200 cópias levadas esgotaram logo no início do evento.

Não achei isso uma postura bacana, mas pior foi a Devir que nem isso fez, ignorando totalmente o evento. Bom para editoras menores como a Funbox Jogos e a Conclave Editora que fizeram a festa. Quando vi o estande da Funbox Jogos fechando no meio tarde fiquei um pouco confusa, mas aí eu soube que estavam fechando porque simplesmente venderam tudo. As mesas de demonstração deles eram as mais disputadas. Tinha uns amigos meus que queriam jogar Flash Point e ficaram só na vontade mesmo, porque não conseguiram vaga.

 Mesas da Funbox Jogos disputadas durante todo o dia.

Fiz duas compras no estande da Conclave Editora, a expansão do Camel Up e o Dungeon Twister Card Game. O estande deles ficou bem movimentado por conta da presença do Christophe Boelinger, que esbanjou simpatia durante todo o evento, se mostrando sempre disponível para explicar seus jogos, dar autógrafos e tirar fotos com o pessoal. Quando ele foi demonstrar Illegal direto no estande, todas as cópias esgotaram. O que só reforça a minha opinião de que deveriam ter colocado as mesas de demonstração perto dos estandes de venda. 


Christophe Boelinger explicando Illegal no estande foi sucesso absoluto.

O Christophe Boelinger nos explicou o Dungeon Twister Card Game com muita paciência e bom humor. Meu inglês é péssimo, então muitas vezes, ele tinha que esperar o Felipe traduzir para mim. No final do evento, fizemos uma entrevista com ele que também foi ótima. Em breve, será publicada aqui no blog. Nós gravamos em áudio, então vai ser preciso transcrever e traduzir, o que demanda algum tempo. Mas temos esperança de conseguir postar ainda essa semana, junto com os materiais em vídeo que gravamos. 


Aprendendo as regras com Christophe Boelinger.

Conversamos com alguns nomes nacionais sobre projetos para 2016. Entre eles, o Leandro Pires, autor do Rock N Roll Manager, um excelente Euro nacional que vai ser lançado pela Conclave Editora no primeiro semestre do ano que vem. A mesa de demonstração do jogo também ficou bastante cheia durante todo o evento, bem difícil conseguir uma vaga. Como se tudo isso já não fosse suficiente, ainda trouxeram o famoso Igor Knop para demonstrar vários jogos da editora e tínhamos o próprio Cristiano Cuty, que também é autor de jogo, o ótimo Midgard. Ás vezes, a gente esquece e acaba vendo só o dono da Conclave Editora. Como sempre, ele foi bastante simpático, conversou bastante com a gente. 


 Leandro Pires apresentando seu jogo.

I wanna rock!!!

O Cristiano junto com outros grandes nomes do meio participaram de um bate-papo bem bacana que infelizmente eu não consegui descer para assistir. Como eu sei que foi bacana? Bem, só pelas pessoas em questão já dava para imaginar, porém o Felipe conferiu para mim. Muitos grandes nomes do hobby estavam participando, além do dono da Conclave Editora, tivemos também o Jack Explicador, Shamou do Castelo das Peças, Antonio Marcelo da Riachuelo Games, Marcelo Groo da Gigante Jogos e Vanessa Hellen da Funbox Jogos, que acabou entrando no bate-papo por ter imposto sua presença. Uma situação que considerei extremamente desagradável, ela deveria ter sido uma das primeiras a ser convidada.

Os DBGN atraíram bastante público.
Eu comecei o dia jogando Sentinelas do Multiverso, jogo que a Gigante Jogos vai lançar em breve aqui no Brasil. Não havia uma demonstração oficial do jogo, apenas uma cópia que estava rolando para quem estivesse interessado, algo bastante informal. O Felipe tinha jogado no último Guadalupeças e ficou apaixonado por ele. Não achei isso tudo não. Ele disse que eu não soube usar a minha personagem. Sentinelas do Multiverso é um cardgame cooperativo, em que cada jogador é um herói tentando derrotar o vilão. Acho que não é meu tipo de jogo ou talvez eu só não tenha jogado em condições ideias, foi uma partida meio apressada. Mas vou ter bastante tempo para descobrir quando for lançado, porque certamente o Felipe irá comprar.

Depois disso, dediquei uma parte do meu tempo para demonstrar o Gunrunners, lançamento da Pensamento Coletivo. Eu fiz a revisão do manual do jogo, então sou um pouco parte da equipe. Ele tinha acabado de chegar da gráfica e fiquei surpresa com a qualidade, principalmente das cartas. É um jogo bastante divertido, fácil de aprender e relativamente rápido. Ensinei para um amigo que estava com a gente e ele ficou lá demonstrando o jogo tranquilamente quando me ausentei para ir jogar o Dungeon Twister Card Game.


Ficou muito bom o menino Gunrunners.

Por falar nisso, joguei muito pouco. Só Sentinelas do Multiverso e algumas partidas de Gunrunners. A gente não jogou uma partida inteira do Dungeon Twister Card Game, o lance foi mais ouvir a explicação ser dada pelo próprio autor. Todo mundo sabe que adoro playtestar jogos, então passar pela sala de protótipos sem ter tempo de jogar nada foi triste. Vi vários jogos que eu já estou há algum tempo querendo experimentar e outros que eram totalmente novidade, mas chamaram a minha atenção.


Herdeiros de Khan está tão bonito que nem parece protótipo.

Esperava jogar também com o pessoal da Ace Studios, mas eles vieram bem decepcionantes, apenas com Sapotagem no estande. Nem uma mesinha no estande para demonstrar o próprio jogo que estavam vendendo tinha, e ele tem um ótimo apelo popular. É fácil, divertido, rápido, bonito e barato. Voltaram com muitas cópias para casa por culpa da postura deles mesmos. O que é realmente uma pena, poderiam ter ganhado muita divulgação no evento, pois tem jogos bastante atrativos para o público mais casual.

Estante da Ace Studios deixando muito a desejar.


Enfim, gostei muito do evento. Não foi perfeito, mas para o primeiro foi um grande êxito. Teve problemas, mas coisas que considero pequenas. As questões que já citei acima, como a organização do espaço de estandes e mesas, a ausência de opções de alimentação e as palestras que poderiam ter sido melhores. Deveriam ter chamado alguém mais relevante para falar sobre criação de jogos e no bate-papo sobre o mercado, o Cristiano da Conclave Editora entrou de última hora e a Vanessa da Funbox Jogos precisou impor presença para participar. No mais, acho que algumas editoras, principalmente as grandes, erraram em não dar a devida atenção ao evento. Os torneios não atraíram tanto público, a organização destinou um espaço bem grande para eles, mas foi algo que não tinham muito como prever. 

Já estou ansiosa pela próxima edição do evento, acho que tem tudo para crescer e figurar entre os principais eventos nerds do RJ, e talvez até mesmo do Brasil, não ficando limitado apenas ao nosso público específico, apesar do foco nos jogos analógicos. Por favor, não percam o foco!!! Espero ano que vem um evento maior e melhor, que os organizadores possam receber as críticas com a mente aberta e trabalhar para corrigir as falhas. Mas o que eu acho de principal é que as editoras vão dar muito mais atenção ao evento na próxima edição. No mais é parabenizar a galera da organização pela coragem de fazer um evento pioneiro como o Diversão Offline.



Foto de final de evento. Todo mundo cansado, mas bem feliz.

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