domingo, 8 de novembro de 2015

Primeiras Impressões - Acre no Castelo das Peças


 
Acho que todo mundo já ouviu algum tipo de piadinha sobre a existência (ou não) do Acre. Na edição mais recente do Castelo das Peças, tive o prazer de conhecer o pessoal que resolveu transformar esse estado quase mítico do nosso país em tema de boardgame. Quando cheguei já estava rolando a partida, então perguntei se demoraria muito, pois dependendo de como fosse, iria procurar algum outro jogo enquanto aguardava uma vaga na mesa. Mas fui informada que estava no início e eu poderia entrar naquele momento mesmo, no lugar de um dos criadores do jogo.
 
 Vem galera!

Entrar em um jogo já em andamento pode ser um pouco tenso, mas Acre utiliza elementos bem clássicos de Euros. Então, nem foi tão difícil assim entender seu funcionamento. A grande questão é a quantidade de opções oferecidas aos jogadores. São muitos recursos, os básicos geram manufaturados. Eles serão utilizados para adquirir os diversos tipos de construções disponíveis, que são a principal forma de pontuar. O jogo ainda conta com um esquema de mercado relativamente complexo, sistema de evolução em níveis bem extenso e o calendário que não apenas controla o andamento da partida, mas também a disponibilidade dos recursos e adiciona cartas sazonais para compra. 

Concentrada para entender o jogo, já que eu simplesmente caí de paraquedas no meio da partida. :p

Além de tudo isso, não poderia faltar a questão da comida. Cada ação para ser realizada consome uma determinada quantidade de energia variável, portanto não é só uma questão de alocar os trabalhadores onde lhe parecer mais interessante, é preciso ter como pagar por isso. O alimento também possui divisão, ele é adquirido in natura e pode ser cozinhado (ou não) para consumo. Para cozinhar, é necessário alocar um trabalhador na ação específica para esse fim. Cada jogador começa a partida com dez pontos de energia e a cada final de turno recupera quatro, porém se não se alimentar perde ponto.

 Tabuleiro principal. 

 Tabuleiro individual.

Isso obriga os jogadores a correm atrás da comida, porque se não fosse assim, seria possível passar por um ou outro turno sem se alimentar, pois dependendo das ações planejadas não há necessidade de recuperar energia, as quatro recuperadas automaticamente já seriam suficientes. Mas a alimentação não é por trabalhador, o consumo é de acordo com o desejo do jogador de quanto ele quer recuperar, uma energia para cada comida in natura ou duas para cada cozida.

O calendário do Acre lembra bastante o do Midgard, com aquela roda giratória que vai mostrando as estações, só que aqui temos todas as quatro. A cada volta completa temos um ano passado, a partida é composta por três anos ou três voltas inteiras do calendário. Eu tive a oportunidade de jogar apenas um ano por uma questão de tempo, comecei às 11 horas da manhã e terminei por volta das 2 da tarde.

Gostei bastante do calendário.

O jogo oferece uma gama de possibilidades enorme e eu acho isso incrível, porém acredito que seja necessário trabalhar melhor essa questão da duração da partida. Não serve como desculpa, o fato de ser o primeiro contato, pois mesmo nesse caso, considerei o tempo excessivo. E eu não tenho problema nenhum com jogos longos. Mas, no caso do Acre, sua duração está gerando um downtime um pouco alto que pode levar a uma facilidade de dispersão. Concordo que enquanto um jogador está agindo, os demais deveriam estar pensando em suas próprias ações e isso aceleraria o andamento. Mas acaba não funcionando assim.

Muitas possibilidades acabam demandando uma série de cálculos, mesmo com planejamento prévio, na hora de agir o jogador vai acabar pensando em outras opções ou então poderá ter que mudar sua ação por interferência de outro jogador. Isso nos leva de volta às contas. O downtime não se restringe ao jogador novato que ainda está conhecendo as possibilidades oferecidas pelo jogo e demora por isso a decidir suas ações.

O Acre é um jogo bem grande também no aspecto físico, o que me preocupa por uma questão de custos. Como se pode perceber pelas fotos, mesmo em uma mesa grande, é difícil acomodar todos os componentes, que são muitos e bem diversos. O protótipo apresentado no Castelo das Peças ficou bem bacana, mas muito foi feito no improviso e deverá ser modificado para versão final. Comento sobre isso porque os planos são de colocá-lo em financiamento coletivo nos próximos dias, o que vejo como uma precipitação por parte dos criadores.

 Foto de final de evento. Não estou aí porque tive que ir embora cedo. :/

Na minha opinião, o jogo ainda não está pronto. O desenvolvimento dele está muito bacana, mas poderiam segurar um pouco a empolgação e gastar mais um tempo trabalhando para melhor estruturar as regras e fechar a definição dos componentes, isso precisa estar pronto antes do jogo ser colocado em financiamento coletivo. Acho que um teste que todo mundo que cria um jogo novo deveria fazer é escrever o manual e dar alguém que não conheça o jogo simplesmente sentar e jogar sozinho, sem nenhuma ajuda ou interferência.

Além disso, tem toda a questão de divulgação que é muito importante. Agora que começaram a apresentar o jogo nos eventos. Se eu entendi corretamente, ele antes estava restrito a um pequeno grupo de testes. Os criadores não são conhecidos no meio, é o primeiro jogo que estão lançando e já começando com um projeto bastante ousado e portanto arriscado, mais uma vez ressalto o custo financeiro muito alto. Apesar de ter uma temática que chama bastante atenção, desperta curiosidade e faz com que o jogo se destaque com maior facilidade, mas não acho que seja o suficiente. Espero sinceramente está errada, pois seria triste ver uma ideia tão bacana cair no limbo por conta de um financiamento mal sucedido.

No próximo sábado, terei a oportunidade de jogar mais uma vez no Torre das Peças. Isso se a galera não ficar chateada pelas críticas desse texto e me deixar participar. Espero conseguir jogar uma partida completa dessa vez. Eles também estarão presentes no Diversão Offline, um grande evento que ocorrerá em 22 de novembro no Centro de Convenções SulAmérica, o primeiro de tal porte aqui no RJ, escreverei um texto dedicado ao assunto em breve com todos os detalhes.


Se quiser saber ainda mais sobre o jogo Acre, tem um texto bem legal do pessoal do Tábula Quadrada.

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