domingo, 9 de agosto de 2015

Carcassonne Mares do Sul


Carcassonne Mares do Sul é fiel à mecânica do jogo original de colocação de tiles, porém com a adição de alguns detalhes que o tornam mais desafiador. Ao invés de ganhar pontos direto pela formação de cidades, estradas e monastérios, aqui o objetivo é um pouco mais complexo: coletar recursos para comprar barcos (eles são a pontuação do jogo). Outra mudança é a quantidade de meeples que está menor, então é preciso administrar mais rigorosamente onde empregá-los.

 Tradicional fotos dos componentes. Até o insert entrou porque está bonito demais.

Os barcos possuem valores diversos, sendo comprados com quantidades e combinações de recursos diferentes. Porém, quase todos pedem peixe, que é um dos mais difíceis de conseguir no jogo. Os demais são conchas e bananas. As cidades aqui são as ilhas que produzem bananas e as estradas são as pontes, onde se coletam as conchas. O monastério virou o mercado, que ao ser fechado permite pegar sem pagar custo o barco de maior valor disponível.

 Valores de barcos disponíveis.

Pagando por um barco.

Sempre ficam quatro barcos abertos para compra, mas só é permitido pegar um barco por vez, mesmo que o jogador tenha recurso para mais. Os peixes são conseguidos no mar, obviamente. Saí a figura do fazendeiro e entra o pescador. Essa sempre foi uma parte que me causa dificuldade, aqui não foi muito diferente. Eu acho meio complicado saber quando um campo/mar está fechado ou não.

No original, o fazendeiro só era contado no final. Aqui não, ao fechar um mar, os peixes são recolhidos imediatamente. Mas, como essa tarefa não é fácil, e esse é um recurso muito utilizado, existe uma outra forma. Se houver um meeple de um jogador colocado na posição de pescador em um mar aberto e o mesmo jogar um tile com a imagem de um barco naquele mar, poderá fazer a coleta do recurso antecipadamente. Então, um dos símbolos de peixe dos tiles que formam aquele mar é coberto por uma peça especifica de barco. O próximo a pescar ali, vai coletar uma quantidade menor. É tipo como se rolasse uma pesca predatória.

 Vermelho tem um pescador.
Joga um tile com desenho de barco.
 Pega todos os peixes disponíveis, retira seu meeple e cobre um simbolo de peixe com marcador de barco.

O mercado é que eu achei meio morto, porque é difícil cercar tudo em volta para poder ganhar o bônus do barco grátis. Tendo apenas quatro meeples para garantir seus recursos, não dá para deixá-los parados muito tempo em lugar algum. O lance aqui é pegar os recursos o mais rápido possível para comprar barcos. Fora que ainda pode acontecer de no momento em que finalmente consegui cercar o mercado só tenha barco de valor baixo disponível. Eu encaro o mercado como um lance de sorte, se sair em um momento em que dá para encaixar em um lugar bom, já fechado ou quase lá, beleza, se não for assim, é melhor esquecer.

 Aqui vale a pena, pois só falta apenas um tile para fechar.

O Carcassonne original é um jogo de controle de área, quanto maior a construção melhor, porque seriam mais pontos. Só ter equilíbrio para saber o quanto expandir e qual o melhor momento para fechar. Mas mesmo incompleto, é sempre bom fazer grandes construções, por causa das parciais no final do jogo. O Carcassonne Mares do Sul é um jogo de administração de recurso, não adianta querer fazer construções extensas, o jogador vai perder tempo e vai pegar uma quantidade muito grande do mesmo recurso, o que não é muito bom. Geralmente, os barcos perdem combinações variadas. Aqui também temos contagem de parcial no final do jogo, cada três recursos valem um ponto. O jogador recolhe recurso de todos os locais incompletos onde tenha meeples.

Eu gostei muito do jogo, com pequenas modificações conseguiram mudar bastante o foco, mantendo a mecânica básica. O visual também está incrível, tanto a arte quanto a combinação de cores utilizada é muito agradável. Só não curti a capa, o que é normal, elas geralmente são feias mesmo. Mas o melhor de tudo são os meeples que representam os recursos, eles são lindinhos demais.

 Muito bonito no final da partida.

Peixes, bananas e conchas.
Achei que o jogo funciona muito bem com qualquer quantidade de jogadores, assim como o original. O preço da Devir não está caro, só é preciso ficar ligado porque o manual não é PT-BR. Eles só importaram o jogo. A minha cópia veio com manual só em espanhol, mas no site tem a informação que vem também em PT-PT. Não sei se essa foi uma modificação que fizeram depois. Bom, uma opção é ver algum vídeo de gameplay ou para quem gosta realmente de olhar o manual, pegar a versão em inglês no BGG.

EDIT 11/08/2018

1- Manual em português disponível na Ludopedia.

2- Descobri que é possível devolver para reserva um meeple alocado em uma construção inacabada. Evitando aquela questão do meeple ficar preso em um local inútil. Ao colocar um tile, sem adicionar um novo meeple, o jogador pode pegar de volta um já existente. Achei sem graça isso. Um dos grandes lances de Carcassonne é justamente tentar travar as construções alheias.

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