domingo, 12 de julho de 2015

Camel Up


Eu sempre admiro jogos que possuem regras simples, mas que não são bobinhos, funcionando bem tanto com novatos quanto com jogadores mais experientes. Acho que já escrevi isso várias vezes aqui e vou continuar repetindo. Camel Up é certamente um deles, não foi por acaso que levou o Spiel des Jahres do ano passado.


Não sou muito fã de jogos com alto fator sorte, por isso o encarei com certa desconfiança. Um ponto positivo dele, mas que para mim funcionou ao contrário, foi a temática divertida e o visual bacana. Isso me atrapalhou um pouco de ver a mecânica, que vai além da simples rolagem de dados. Ela é o principal? Sim, mas não está sozinha. Até a pirâmide que eu meio que esnobei no início, agora olho com mais carinho.


Camel Up é um jogo de corrida de camelos, no qual vence quem fizer as melhores apostas e consequentemente terminar a corrida com mais dinheiro. Na sua vez, o  jogador precisa escolher uma das quatro ações possíveis: movimentar camelo, apostar na parcial, colocar/mover seu tile especial na pista e apostar no final.



Os dados que determinam como ocorrerá a movimentação ficam dentro de uma pirâmide que compõe o cenário dessa inusitada disputa, existe um dado correspondente para cada camelo. Ao escolher movimentar, o jogador ganha automaticamente um de dinheiro. Ele irá sacudir a pirâmide, posicioná-la de cabeça para baixo e empurrar a trava para liberar um dado. O camelo da cor correspondente ao dado irá andar a quantidade de espaços por ele indicada.

O turno acaba quando todos os camelos tiverem sido movimentados, por isso a aposta na parcial. Existem três tiles de aposta em valor decrescente para cada um dos camelos. É justo que quem apostou primeiro e acertou ganhe mais. Quem apostar errado perde um de dinheiro.


Na minha opinião, colocar o tile especial na pista é a parte mais estratégica do jogo. São várias decisões a serem tomadas. Primeiro que ele possui dois lados, um que faz o camelo avançar e outro que o faz retroceder. Depois é preciso pensar em qual local da pista colocar e como movimentá-lo ao longo da corrida. O efeito do tile é acionado toda vez que o camelo termina o movimento sobre ele. Além disso, o jogador que o colocou ganha um de dinheiro cada vez que o mesmo é ativado.


O jogo tem um fator imprevisibilidade que vai além da questão de rolagem de dados. O camelos podem subir uns sobre os outros. Isso acontece quando o resultado do dado faz com que o movimento termine em um espaço já ocupado. Quando um camelo que possui outros em cima vai se mover leva todos consigo. Para completar, é o camelo de cima que é considerado o vencedor. Isso torna apostar no vencedor ou perdedor da corrida bem complicado, pois tudo muda o tempo todo.


Camel Up através de mecânicas simples, mas bem pensadas e encaixadas com o tema, dá um fôlego novo para algo que poderia parecer bem batido como uma corrida. A pirâmide torna os dados completamente aleatórios junto com a regra dos camelos subirem uns sobre os outros que potencializa ainda mais isso. O jogador precisa ficar ligado o tempo todo para acertar não só nas suas escolhas, mas no tempo delas. Pode parecer que em um jogo com tanta sorte envolvida, ter sucesso ou não também dependa disso, mas não acho que seja o caso, acredito mais nas escolhas conscientes.

Continuo não achando Camel Up o melhor jogo nesse estilo regras simples, mas inteligentes. Ticket To Ride sempre será o líder disparado, porém é um bom título para se ter na coleção. Funciona bem com qualquer número de jogadores. As partidas são rápidas e extremamente divertidas, dá para jogar várias vezes seguidas sem nem sentir. Além de não exigir muito espaço e nem possuir grande quantidade de componentes. 

PS: Tenho que fazer um post sobre Ticket To Ride, esse jogo tão incrivelmente genial. Mas é que são tantos jogos que acabo escrevendo sobre os mais novos ou não tão conhecidos. Outros dois sobre os quais também tenho obrigação de escrever algum dia são Dixit e Carcassonne. Tentarei fazer isso nos próximos posts. Será que consigo? XD

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