quinta-feira, 23 de abril de 2015

Bullfrogs


No post anterior, eu comentei brevemente sobre o Bullfrogs, o aguardado jogo de batalha de sapos trazido ao Brasil pela Funbox Jogos através de um badalado financiamento coletivo simultâneo. Como eu já havia escrito, as regras são bem simples, mas é preciso ter atenção aos detalhes, porque pequenos erros podem prejudicar bastante a experiência de jogo. A mecânica está amarradinha e é bonito de ver como funciona bem utilizando tão poucos elementos. Isso é ainda mais visível e admirável na variante solo.

 Componentes do jogo.

Bullfrogs é mais um jogo que segue a linha de alto padrão de qualidade que a Funbox Jogos vem estabelecendo em todos os seus lançamentos. A caixa está bem bonita, com ótimo acabamento, resistente e comporta muito bem todos os componentes. Os meeples em formato de sapo estão uma graça, as cartas estão bem impressas e com uma boa textura, apenas de eu ter achado um pouco finas, mas nada que sleeves não resolvam. O manual está bacana, bem diagramado e explicado. É uma leitura rápida e até agradável.

O jogo começa com as quatro cartas iniciais posicionadas ao redor da carta tronco. Cada jogador possui um deck com dez cartas e um conjunto de sapos de uma determinada cor, começando o turno com três cartas na mão. A carta traz a quantidade de ações que poderão ser realizadas e o número de pontos que a mesma concederá para quem a conquistar, esse número é igual aos espaços disponíveis para alocar os sapos.

Cartas iniciais.
 
Ações em cima e pontuação em baixo.

A carta deve ser sempre jogada adjacente a uma das cartas já em jogo e as ações serão realizadas em linha reta na horizontal ou vertical. As ações possíveis são: Recrutar e Sabotar. Na primeira, o jogador colocará sapos em uma carta, que não pode ser a que ele acabou de jogar. O limite de recrutamento é de dois sapos por carta. Já na segunda, o jogador irá empurrar um sapo de um jogador adversário.

 Recrutamento.

Sabotagem.

Quando todos os espaços disponíveis na carta forem ocupados a carta afunda. Antes, no entanto, ocorre uma batalha entre os sapos dos diferentes jogadores. Cada sapo vale um ponto, existe também o sapo boi que vale o dobro. Definido o vencedor, o jogador do turno, irá pular os sapos para as folhas adjacentes, começando pelos perdedores. Só é possível colocar um sapo em cada folha, se a mesma tiver espaço disponível. Então, o máximo que se poderá pular serão quatro sapos. Os sapos restantes voltam para a reserva do jogador. O sapo boi está fora de jogo, ele é sempre o último a ser pulado e sua quantidade extremamente limitada, apenas dois, fazem dele uma peça que precisa ser utilizada com bastante sabedoria. Outra informação importante sobre ele é que não pode ser sabotado.

 Vitória dos sapos verdes.

Os sapos amarelos foram pulados primeiro, depois na folha que sobrou um dos verdes e sobraram dois verdes, o sapo volta para reserva do jogador e o sapo boi é retirado do jogo.

Nas primeiras partidas foi justamente nessa parte que erramos e isso fez muita diferença. Cada jogador estava pulando seus próprios sapos e colocando um em cada folha. Esse erro também fez com que a carta tronco ficasse lotada, porque todo mundo queria pular seus sapos para lá. Uma vez na carta tronco, os sapos não podem mais sair, porém cada sapo valerá um ponto no final da partida e o jogador que tiver a maior quantidade de sapos ganha três pontos adicionais.

Com a regra correta, a carta tronco ficou bem mais vazia, mas ainda assim não gosto muito dela. A quantidade de sapos é boa (eu acho que deveria ser menor), ninguém vai sofrer por ficar com número insuficiente para recrutar, então é muito tranquilo deixar alguns lá como reserva de pontos. Isso tira um pouco a disputa do jogo, na minha opinião. Eu acho que sapos no tronco não deveria valer nada. Ir para o tronco deveria ser uma desvantagem. A partida ficaria mais acirrada assim. Eu, particularmente, só pulo no tronco na falta de opção melhor.

O jogo termina quando a última carta for jogada. Os pontos são de acordo com aquelas que foram conquistadas, se forem da cor do jogador ganha-se um ponto adicional, e os sapos no tronco. Bullfrogs é bem rápido e dá para jogar várias partidas seguidas sem cansar. Achei impressionante a rejogabilidade, por se tratar de um jogo com tão poucos componentes. Acho que quanto mais se aprende sobre ele mais se quer jogar. Você fica pensando nas suas jogadas, se tivesse usado uma outra carta em determinado momento, recrutado de uma forma diferente e/ou sabotado deste ou daquele jeito. Guardada as devidas proporções é um pouco como Xadrez ou Go, só que de uma maneira muito mais leve e descontraída.

O lance no Bullfrogs é tentar combar, afundando cartas em sequência, conforme os sapos forem pulando. Às vezes, pode acontecer, de várias cartas ficarem completas ao mesmo tempo, conforme se faz o recrutamento. A ordem de resolução dos combates é decidida pelo jogador e é um ponto a se ficar atento porque pode ser o momento de fazer aquele combo lindo, afundando várias cartas em sequência e garantindo muitos pontos. Quando todos os afundamentos são resolvidos é hora de deslizar cartas, caso seja necessário. Isso ocorre quando cartas ficam isoladas, separadas do grupo. A movimentação é escolha do jogador também, mais um momento em que é preciso pensar bem.

 Após a folha afundar, uma outra ficou separada do grupo. Mas antes é preciso resolver um novo afundamento resultante dos pulos do anterior.

Afundamento resolvido, a folha que estava separada foi deslizada para ficar junto ao grupo novamente.

Bullfrogs exige uma boa visão de jogo, é preciso estar sempre ligado em tudo o que está ocorrendo. Ter um bom planejamento, mas sabendo se adaptar as mudanças que certamente vão ocorrer. As regras são simples, mas têm vários detalhes que se bem dominados são a chave para vitória. O tempo todo são apresentadas múltiplas opções de escolha. Eu consegui enxergar melhor isso ao jogar a variante solo, que merecia até um post separado só para ela. XD

VARIANTE SOLO

Em geral, não costumo gostar de regras variantes. Elas são criadas para adaptar a mecânica do jogo à situações para as quais ele não foi pensado inicialmente, torcendo as regras originais e fazendo surgir distorções que prejudicam a jogabilidade. Bons exemplos disso, são as variantes para dois jogadores de 7 Wonders e Gran Circo. Ótimos jogos, cujas variantes são horríveis.

Mas para o meu grande alívio, esse não é o caso de Bullfrogs. A variante solo é simplesmente excelente. Primeiro, que não é uma simples torção de regras. Ela te apresenta uma nova ambientação. Agora o jogador não está mais em uma batalha contra outros sapos, mas em um treinamento para mostrar que é capaz de fazer parte da guerra pelo domínio da lagoa.

Na variante solo, o jogador enfrentará o sapo boi Isaac, que não joga cartas, suas ações e movimentos são determinados pelos dados. Ele inicia a partida na carta de tronco e sempre jogará primeiro. Suas ações só ocorrem na carta onde está, mas sua presença não conta para limite ou batalha. O recrutamento é como na partida normal, mas Isaac pode recrutar na carta tronco. Ao invés de sabotar, ele expulsa um sapo de volta para reserva do jogador. Se possível, essa deve ser sua primeira ação.

 Issac aguardando para te ensinar a ser um verdadeiro guerreiro.

Movimentação e recrutamento de Isaac de acordo com os dados.

Depois de algum tempo de partida.

O sapo vermelho foi expulso e Issac recrutou mais dois no lugar.

Para o jogador, o que muda é que a carta a ser jogada é vem direto do deck, não existe mais a opção de escolher entre três cartas na mão e na pontuação, deixa de existir o bônus de cor e os pontos ganhos por Isaac são subtraídos dos conquistados pelo jogador. O importante não é ganhar, mas o quão bem o jogador se saiu. É realmente um treinamento, a variante solo permite uma visão de jogo mais clara e te obriga a pensar melhor suas ações. Não é só uma questão de fazer pontos, mas de evitar que o outro faça também, então pode ser mais vantajoso deixar de pontuar uma determinada carta para fazer uma sabotagem.

Eu gostei muito da variante solo, provavelmente será o modo que eu mais vou jogar. Com dois jogadores também é super legal. Com três jogadores, já fica mais complicado para administrar, é preciso dividir a atenção. Com quatro jogadores, eu senti bastante dificuldade, são muitas variáveis. Mas essa é uma dificuldade geral que tenho em jogos com vários jogadores e em que ocorra bastante interação, sempre acabo esquecendo de prestar a devida atenção em alguém.

Enfim, a princípio não dei muito pelo Bullfrogs, achei meio bobo. Depois com a descoberta de que estava jogando errado, a coisa melhorou bastante. Mesmo assim, não cai de amores logo de cara. Fui sendo conquistada aos poucos, a cada nova partida. Acho que essa é a melhor maneira. Porque quando um jogo te conquista logo de primeira pode ser apenas uma empolgação passageira que vai passar conforme se jogue outras vezes e aí fica aquele jogo esquecido no canto só ocupando espaço e pegando poeira.

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