segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Liberado PNP do Bifrost + Entrevista com Cussa Mitre



Neste último final de semana foi liberado o PNP do Bifrost, um rápido e divertido party game com temática de mitologia nórdica, que está com uma qualidade incrível. No primeiro momento, ele foi disponibilizado apenas para os apoiadores, mas logo estará disponível para todos. O jogo esteve em financiamento coletivo através do Catarse no final do ano passado, mas infelizmente não conseguiu bater a meta. Porém, fazendo valer o tema, foi apenas uma batalha perdida. Quem disse que seria fácil chegar ao Valhalla? Brincadeiras à parte, confira abaixo uma pequena entrevista que fizemos com Cussa Mitre, o criador do jogo.


TE: Qual a avaliação (motivos) que você faz do "fracasso" do financiamento coletivo do Bifrost, mesmo o jogo tendo sido bem divulgado e recebido pelo público em geral?

CM:  Houveram vários problemas durante o financiamento. Talvez o que mais prejudicou a gente foi o fato de que o Catarse divulgou no dia 31 de outubro uma informação de que as recompensas acima de R$ 100 poderiam ser parceladas a partir do dia 10. Fizemos uma ampla divulgação de que algumas recompensas do jogo poderiam ser parceladas e isso gerou uma grande comoção junto às pessoas. Porém, na data, várias pessoas entraram em contato conosco falando que não havia a opção de parcelamento. Fomos conversar com o Catarse e vimos que eles haviam mudado o texto do post, e que esta mudança alterava totalmente o sentido da informação. Neste ponto, muitas pessoas deixaram de confiar na plataforma (e algumas até na gente) e decidiram não mais apoiar o projeto. Infelizmente, eles só reconheceram o erro e permitiram o parcelamento do Bifrost faltando 5 dias para o final. Neste ponto, muitos já haviam apoiado com valores mais baixos e não quiseram fazer um novo apoio e pedir o estorno do anterior.

Além disso, faltando aproximadamente uma semana para o final do financiamento, um casal de amigos entrou em contato comigo informando que não estavam conseguindo apoiar o projeto e estavam desconfiados que era algum tipo de problema do Catarse. Qual não foi minha surpresa quando cheguei lá e vi que realmente o site estava com erro e nem mesmo eu, que trabalho com desenvolvimento de sistemas, consegui finalizar o apoio. E mesmo tendo informado a eles, houve uma postura do tipo "pode ter sido erro do navegador, da internet…".

Ainda houve o fato de uma grande quantidade de financiamentos coletivos terem entrado no ar ao mesmo tempo. Para efeitos de comparação, em uma semana, a gente conseguiu arrecadar 20% da meta do projeto e depois ficamos 53 dias para conseguir mais 35%. Ainda conversamos sobre isso com o Catarse, mas eles acham que ter vários projetos ao mesmo tempo é bom.

Acreditamos também que parte se deve ao fato da gente não ter feito uma divulgação tão grande do projeto antes dele entrar em financiamento. Queríamos mostrar um trabalho bom e quando chegamos nesse nível, o projeto já estava relativamente pronto. Então, resolvemos seguir em frente. Uma falha nossa.


TE: Você sempre teve um plano B para o projeto ou ele foi sendo desenvolvido a medida que foi ficando claro que o financiamento não ia rolar? 

CM: A gente sempre acreditou na possibilidade do projeto virar. Passamos o última dia grudados no computador, e apenas na hora final vimos que seria muito improvável atingir a meta (só se o Tio Patinhas resolvesse investir no projeto :p). Dois dias depois, nós reunimos a equipe para discutir o que faríamos. 

De certa forma, olhando hoje com calma, vemos que o não financiamento possibilitou o projeto evoluir e isso foi muito bom. Com a mudança para iconografia, que foi inclusive uma ideia de um jogador, a gente tem milhões de possibilidades, sem falar na facilidade para outras línguas: temos que traduzir apenas o manual.

Então, o plano B está sendo desenvolvido apenas agora. Estamos mais atento ao feedback da galera, principalmente com a liberação do PNP, onde o pessoal vai poder ver o jogo funcionando na mesa e dar as suas ideias.

TE: Você não acha que um PNP do jogo pode atrapalhar uma nova tentativa futura de financiamento?

CM: A gente pensou muito nisso. Em um dos últimos gameplays, que foi na Funbox, um dos participantes falou uma coisa que nos fez pensar muito: “Ver o vídeo do jogo é uma coisa, mas jogar ele é uma experiência totalmente diferente. Pelo vídeo, você não tem como ter o feeling do jogo”. E realmente! O Bifrost sofre da máxima do party game: se você ler o manual, ele irá parecer chato!

Então, resolvemos liberar o PNP, mas com alguns “ajustes”: ele não está “completo”. Completo no sentido de que só vai para 5 jogadores (ele não possui todos os Deuses), não possui todos os artefatos e nenhuma carta especial. Ele serve justamente para você imprimir e sentir o feeling do jogo na sua mesa.

Como não está completo, acreditamos que não irá nos atrapalhar, mas muito pelo contrário: irá nos ajudar a conquistar mais pessoas para apoiar o projeto.


TE: Já existe alguma previsão para um novo financiamento? Quais são os próximos passos?

CM: Sim. Ele será relançado no segundo trimestre de 2015, por outra plataforma de financiamento coletivo. Neste momento, a gente está esperando o feedback das pessoas em relação as mudanças realizadas, como a questão da iconografia, os novos efeitos únicos para runas e a arte temporária.

Iremos liberar em breve esse PNP para todos. Depois entraremos no processo de pedir novos orçamentos, até devido as mudanças que fizemos. O esboço do projeto já está sendo montado.

TE: Alguma modificação significativa no projeto ou podemos esperar um novo financiamento nos mesmo moldes (metas estendidas e níveis de apoio)?

CM: Algumas coisas foram totalmente modificadas. Por exemplo: os artefatos Mjönlir e Svalinn seriam liberados por metas estendidas, enquanto o Tarnhelm, o Mímisbrunnr e a Gungnir foram liberadas em metas de Likes na nossa fanpage. Mas o jogo com elas fica tão interessante, assim como as cartas especiais, que decidimos colocar elas dentro do jogo. Logo, já teremos que mudar algumas metas estendidas.

Em relação aos níveis de apoio, a gente ainda está vendo a questão toda de custo. Como ainda não conseguimos refazer todos os orçamentos, iremos analisar ainda os valores dos apoios.

Uma coisa também que já podemos divulgar é que iremos ter festas de lançamentos do jogo em algumas cidades, como Rio de Janeiro, Juiz de Fora e São Paulo.

TE: O que você recomendaria para quem está começando seu projeto de financiamento coletivo agora?

CM: Primeiramente, divulgue. Sei que pode parecer estranho falar isso, mas se possível, libere um PNP. Muitas vezes um vídeo apenas não irá passar ao jogador a sensação de estar jogando. E é isso que faz ele apoiar o jogo. Procure canais, sites e blogs especializados, converse com jogadores experientes e o principal (e talvez mais difícil para qualquer pessoa): esteja aberto a ouvir críticas e opiniões contrárias às suas. Claro que haverão pessoas que, na verdade, irão falar apenas por não gostar de ver o sucesso de outras, mas saiba diferenciar isso e sempre evoluir. 

 Material do PNP do Bifrost devidamente impresso. Créditos: On Board.

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