domingo, 28 de dezembro de 2014

Midgard

Desde que joguei Midgard pela primeira vez, que estou prometendo escrever sobre ele, porque achei o jogo realmente muito bom. Mas acabei postando sobre outros jogos e deixando a preguiça me pegar. Além do fato de que eu queria ter o jogo para poder fazer o texto. Dá para escrever sobre um jogo sem necessariamente tê-lo, mas não gosto muito de fazer isso, porque acaba ficando uma parada mais geral. Eu faço mais isso com o que jogo em eventos porque aí o lance é mais passar uma ideia mesmo. Existem vários jogos que eu tenho e sobre os quais quero escrever há mais tempo e ainda não consegui, nem sei se vou algum dia. Porém, uma das minhas promessas de Ano Novo é tentar ser mais produtiva em 2015.

Depois da experiência inicial, fiquei louca para comprar, mas acabou nas lojas aqui do RJ e eu não queria comprar online para evitar o frete. Eu e Felipe devíamos ter guardado os elogios para depois da compra. Esperei um tempo para ver se chegava, mas não teve jeito, tive que comprar pelo site da Conclave mesmo, afinal ia rolar especial deles no Guadalupeças e tínhamos que ter jogo. Aproveitei o desconto do financiamento do Nosferatu para dar uma aliviada.

Quando o jogo chegou ainda pensei que conseguiria escrever antes do evento, mas não rolou. Isso me deu a oportunidade de jogar novamente e confirmar minha impressão inicial. Eu sou muito de querer escrever na empolgação, o que pode ser ruim, pois jogando depois é possível pegar pequenos problemas que passaram despercebidos. Não me lembro de nenhum caso assim, ainda não passei pela tristeza de escrever elogiando e depois ver que não era aquilo tudo. Já passei pelo contrário, julgar um jogo não tão bom e depois com o tempo ver que ele era melhor do que eu tinha achado a princípio.

Jogando no último Guadalupeças.

Felipe aproveitou para garantir o autógrafo na nossa cópia do jogo.

Enfim, acredito poder dizer com segurança que Midgard é um jogaço que vale super a pena ter na coleção. Esse mês só deu mineiro por aqui, rolou Especial Conclave, depois tivemos o Caçadores da Galáxia que promete ser um dos grandes lançamentos de 2015 e agora finalmente vamos ao Midgard que teve seu financiamento em 2013, época que eu ainda estava engatinhando no hobby. E bem, quando a gente começa não tem muita noção, acaba investindo em coisas não tão legais e deixando passar outras bem melhores.

Eu torci o nariz achando que seria só mais um cardgame com temática colada com cuspe. Fora que depois ainda li uma crítica negativa, por isso não gosto (e até mesmo tento evitar) de escrever sobre o que não me agrada. Até porque acho um desperdício de tempo e esforço. Já fiz comentários negativos, por exemplo, eu acho Shadows Over Camelot fraco e detesto Dwarf King. No meu post anterior, deixei claro que Masmorra de Dados não me agradou. Gosto de comentar jogos em playteste. Por exemplo, apesar de ter adorado Beat Em Up, apontei vários pontos que acredito que podem ser melhorados quando escrevi sobre ele.

A questão é justamente que tudo é opinião, eu sempre tento argumentar da melhor maneira possível, para que as pessoas entendam minhas razões. Algumas podem ter um gosto parecido com o meu, outras não. O importante é sempre tentar conferir opiniões diversificadas, avaliar os argumentos utilizados, saber reconhecer o que se alinha ao seu próprio gosto e o fundamental, se tiver oportunidade, jogue. Nada substitui a sua experiência pessoal com o jogo.

Achei importante fazer essas colocações pela minha experiência pessoal, porque se a gente não tivesse encontrado o pessoal da Conclave no Castelo das Peças e o Felipe não tivesse chegado no Cristiano (um dos autores) e pedido "Me venda o seu jogo, me convença a comprá-lo" estaríamos provavelmente até hoje sem conhecer um jogo incrível.

Ufa! Tudo isso posto, vamos começar a escrever sobre o jogo em si. Midgard é um cardgame que comporta entre 2-6 jogadores e tem uma integração muito boa entre temática e mecânica, quem me conhece sabe o quanto valorizo isso. Para escrever esse texto, eu dei uma lida no manual e gostei muito do que encontrei. Além das regras bem explicadas, o texto te coloca no clima do jogo. Alguns pontos que tinham me causado estranheza ficaram melhor esclarecidos após a leitura. Por exemplo: O conceito da Krog não tinha ficado claro. Também a questão de "roubar" os curingas do amiguinho (Thor e Tyr), apesar de ainda achar que tinha que ter alguma carta para impedir isso. Não eram dúvidas de mecânica e sim de temática que foram esclarecidas satisfatoriamente.

Cada jogador em Midgard é um Järl procurando conquistar pontos de Renome vencendo os desafios espalhados pelos nove mundos da Mitologia Nórdica. O jogo possui cartas de tropa, curingas, eventos e reação que formam um deck único de Compra, também temos os decks de Desafio e Recompensas. Um dos maiores charmes de Midgard é o tabuleiro que vem com a representação dos nove mundos e os espaços para colocar organizadamente os decks. Além disso, vem também com um espaço para colocar o dinheiro chamado de Stak e uma Roda do Tempo que vai controlar a duração da partida. O local onde o deck de Compras fica é chamado de Thing e temos também a Krog e o Valhalla, que são lugares de descarte de cartas.

 Aquela clássica foto dos componentes gerais do jogo.

O tempo do jogo é divido entre inverno e verão, algumas cartas de desafio são influências pela estação vigente no momento em que forem enfrentadas. O calendário só gira se o desafio vencido tiver o símbolo indicativo. Pode ocorrer de se passarem vários turnos com o contador de tempo parado, seja porque ninguém enfrentou desafios ou porque os que foram enfrentados não possuíam o ícone que faz o calendário girar. Abrindo aspas para um comentário aleatório, isso me faz pensar nas estações do ano de Game Of Thrones.

Cartas de Desafio: A primeira com icone que move o calendário e a segunda com influência de estação.

No início da partida cada jogador recebe nove cartas da Thing e seis moedas do Skat. São abertos seis Desafios e os meeples que representam cada Järl são posicionados em Midgard. Aí está uma das minhas poucas críticas ao jogo, achei a utilização de meeples extremamente nada a ver, além de ficar feio mesmo. Aproveitando que estou criticando, outra coisa que não gostei foi a caixa estilo "placa mãe", é triste demais aquilo.

As cartas de tropa vem numeradas de 0-9, para baixar é preciso pelo menos 3 em sequência ou iguais. Exemplo: 2,3,4 ou 5,5,5. Não existe limite para quantidade de cartas que o jogador pode baixar, mas não pode haver mais do que 5 tropas na mesa. Depois que 1 tropa já estar na mesa, o jogador pode ir aumentando seu tamanho acrescentado mais cartas, sempre respeitando a sequência. As cartas curinga como se pode imaginar são substitutivas , o Tyr 1 carta e o Thor 2 cartas. Existe também uma carta chamada Snedig que só entra no inicio ou final da tropa, ele não é considerado como um curinga porque não substitui carta.

 Todas as cartas de tropa do jogo.

Cartas especiais.

Para roubar um curinga do amiguinho basta ter a carta que o mesmo está substituindo. Por exemplo: Se tiver uma sequência: 1, 2, 3, Tyr, 5, 6 ou 1, 2, Thor, 5, 6 basta ter um 4 ou 3 e 4. A explicação é que eles são deuses e portanto atendem ao clamor de qualquer Järl. Mas não me conformo de não existir uma carta de reação para isso. Importante sobre curingas é que não funcionam como requisito ou na contagem de cartas da tropa, no caso específico do Thor, ele substitui duas cartas, mas não vale por duas.

 Tropa com Tyr.

Tropa com Thor.

As cartas de tropa possuem além do seu valor sequencial, um outro valor que indica a força e um símbolo de runa. Os desafios possuem requisitos, entre eles está a runa, que é única para cada carta. Os curingas também possuem seus valores de força e símbolos rúnicos. Os Desafios também trazem o local onde deverão ser enfrentados. Alguns desafios trazem efeitos especiais, que podem afetar apenas o jogador que o está enfrentando ou a todos os jogadores.

Exemplo de enfrentamento de Desafio.

Cada mundo possui um requisito de quantidade de tropas diferentes para poder viajar e também oferecem uma recompensa. Para viajar é necessário engajar a tropa que ficará impedida de realizar qualquer outra ação, se sobrarem tropas disponíveis que cumpram os requisitos do Desafios, pode-se então enfrentá-lo também. Viajar ou enfrentar Desafios permite ao jogador completar sua mão até o valor inicial de 9 cartas.

 Admirando o tabuleiro mais de perto.

Ao vencer um Desafio as tropas utilizadas vão para o Valhalla. Isso é uma das coisas mais geniais do jogo, pois permite uma rotatividade muito grande das cartas e ainda é altamente temático, afinal tudo que um guerreiro nórdico quer é morrer com glória em batalha. Para enfrentar um Desafio, o jogador deve utilizar uma tropa que cumpra todos os requisitos, se necessitar de tropas adicionais deve pagar uma moeda para cada uma delas.

Ao final do turno, o jogador deve descartar 1 carta. Se for evento ou reação vai para Valhalla, se for tropa ou curinga vai para Krog. O próximo jogador pode escolher pagar uma moeda para pegar a carta da Krog, ao fazer isso ele ganha uma carta fechada da Thing e ainda vai ter direito de fazer a compra normal de inicio de turno. Por uma moeda, o jogador vai conseguir 3 cartas ao invés de apenas 1, nesse jogo é importante fazer rodar a mão. A explicação da Krog é boa, ela é a taverna para onde vão os soldados dispensados por um Järl, ficando assim disponíveis para serem contratados por qualquer outro que tenha interesse.

Até o momento deixei de fora as cartas de evento e reação, elas são as magias do jogo. As cartas de evento só podem ser jogadas uma vez sempre no início do turno, porém algumas cartas trazem a indicação de que outra carta de evento pode ser jogada. A carta de reação é o que o nome indica, ela pode ser jogada a qualquer momento do jogo em seu gatilho for acionado. Por exemplo: Um jogador declara que vai atacar outro Järl, então o mesmo baixa 1 carta de reação para impedir o ataque.

 Alguns exemplos de cartas de evento e reação.

Os jogadores podem atacar uns aos outros se estiverem no mesmo mundo, porém apenas com 1 tropa. O vencedor ganha 1 Recompensa. O atacado pode escolher defender ou não, a diferença é que no ataque sem defesa, o vencedor olha 2 cartas de Recompensa e escolhe 1. Quando há defesa, só a carta do topo é pega, sem essa possibilidade de escolha que pode fazer uma grande diferença. Atacar os amiguinhos não é o foco principal, é mais uma opção quando não se pode viajar ou enfrentar desafios, seus guerreiros não vão para Valhalla, não há glória nesse tipo de combate. Qualquer carta de Recompensa ganha fica oculta e só terá seu valor revelado ao fim da partida, já as cartas de Desafio vencidas pelo jogador devem ficar abertas.

Recompensas.

Uma coisa importante sobre as cartas de evento e reação é que elas vem com um valor numérico na parte inferior que pode ser usado para aumentar o valor de um Desafio e prejudicar outro Järl ou então para aumentar o poder da sua própria tropa. Não é acumulativo. Quando um jogador declara que vai enfrentar um Desafio, o próximo jogador a esquerda pode jogar uma carta para atrapalhar, se ele não quiser a oportunidade é passada para o próximo. Apenas um jogador pode jogar uma carta para atrapalhar. A compra na Krog funciona da mesma forma, apenas um jogador vai comprar e sempre a carta que estiver em cima, mesmo que haja outras cartas.

Quando acabam as cartas da Thing, as cartas do Valhalla são embaralhadas para formar um novo deck, se só houver evento e reação, então embaralha-se as cartas da Krog junto. Se não houverem cartas no Valhalla, então as cartas da Krog foram a nova Thing.

Simulação de partida.

Midgard é um jogo relativamente simples de entender, depois de alguns turnos todo mundo já está no clima e o que resta é uma dúvida ou outra em situações específicas. O jogo vem com um guia rápido bastante eficiente. A curva de aprendizagem dele é muito boa e o sistema de alta rotatividade das cartas não deixa o jogo ficar parado ou alguém abrir uma distância muito grande. Claro que tem um fator sorte alto envolvido, o Felipe ficou travado da última vez que porque não conseguia comprar nada que o ajudasse, se bem que ele é meio ruim mesmo. No Caçadores da Galáxia também ficou só assistindo e não tinha sorte envolvida no jogo.

 Não fique perdido.

Eu acho a arte de Midgard bem bonita, o tabuleiro é um charme só. Só é lamentável os meeples e a caixa como já havia exposto mais acima no texto. Também achei as cartas um pouco frágeis, não dá para jogar sem sleeves. É um jogo bom para jogar com umas 3 ou 4 pessoas, mais do que isso faz o downtime ficar meio alto demais, a menos que todos sejam jogadores experientes que façam suas ações com rapidez. Não acho que o jogo sofra muito com 2 jogadores, apesar de ainda não ter experimentado, a única alteração sugerida pelo manual é a retirada das cartas de evento e reação, mesmo assim é opcional.

Enfim, Midgard é um cardgame que achei excelente e recomendo para todo mundo. Para quem gosta de Mitologia Nórdica é um prato cheio, escrevi esse texto cantarolando as músicas do Secret Of The Runes do Therion (um dos melhores trabalhos da banda). O jogo não é colecionável (Odin seja louvado), as expansões adicionam elementos novos. Mas a caixa básica é completa e funciona perfeitamente sem necessidade de adições. Até o momento foram lançadas 4 expansões que custam por volta dos R$30 cada. O jogo básico está custando R$90 e o pacotão com tudo R$220, esse valor inclui também 300 sleeves, item essencial para todo jogo em que sejam utilizadas cartas. E se preparem para novidades em 2015: Midgard Dice.

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