quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Guadalupeças: Especial Pensamento Coletivo


A edição deste mês do Guadalupeças foi um pouco atípica. Em primeiro lugar, tivemos as eleições, o que por si só, já seria suficiente para bagunçar bastante as coisas. Além disso, o administrador do espaço no qual realizamos o evento entrou de férias e ficamos sem nossas mesas e cadeiras separadas. Foi preciso nos acomodar nas mesas da praça de alimentação, que não são ruins, tem até quem as prefira, mas prejudicam na visibilidade do evento. Teve gente que foi até o local, não nos viu e foi embora.

O Felipe brincou que essa foi uma edição "oldschool", pois logo no início era assim que rolava. Mas apesar de todas essas dificuldade o evento ocorreu com sucesso e as pessoas que foram puderam se divertir bastante com os jogos da Pensamento Coletivo, além do nosso já tradicional acervo e daqueles que são trazidos pelos amigos.

Começamos o dia com um Timeline, lançado recentemente no Brasil pela Galápagos, enquanto esperávamos o povo começar a chegar. É um excelente jogo para não-gamers, pois é extremamente fácil, rápido e divertido. Quem não adora uma curiosidade? Jogamos duas partidas antes do Filipe Cunha chegar com seu arsenal de jogos. Joguei apenas três deles, queria ter jogado outros, porém o tempo nunca é suficiente. Ainda mais quando se tem William com Village e Felipe Simões com Alien Frontiers, dois títulos que eu queria jogar há bastante tempo.


Voltando aos jogos da Pensamento Coletivo, todos eram cardgames de dedução e blefe. Todos bem rápidos e com regras simples, mas que exigem uma quantidade significativa de esforço mental. O primeiro era um de números chamado Kobayakawa. Uma carta ficava aberta no centro da mesa e cada jogador tinha uma carta na mão. Na sua vez, as opções eram: comprar uma nova carta para sua mão ou substituir a carta no centro da mesa. No caso de escolher a primeira opção, uma das duas cartas deverá ser descartada aberta.

No início da partida, cada um recebe quatro moedas. No final de cada rodada há a aposta de uma moeda, na última são apostadas duas. Ganha quem tiver a maior carta ou a soma da menor com a do centro da mesa. O ganhador da rodada fica com as moedas de todos que apostaram, mais uma do banco (duas se for a última rodada). A aposta não é obrigatória. Se um jogador ficar sem moedas, ele está fora da partida. Ao final de sete rodadas, ganha quem tiver mais dinheiro. Não sou muito fã de joguinhos matemáticos, mas até que esse eu gostei.


O próximo foi Ladrões de Araque, que acabou sendo mais chamado de Vovô. Cada jogador tem sete cartas na mão: quatro de vovô, duas de ladrão e uma de policial; mais uma carta especial de uso único que fica separada. O jogo começa com uma determinada quantidade de cartas de dinheiro no centro da mesa. Na sua vez, cada jogador vai colocar uma carta no montante, declarando o tipo. Dizer a verdade ou não depende da estratégia de cada um. O vovô não faz nada, é só ponto. O ladrão fica com todas as cartas antes dele, a menos que tenha um policial logo atrás, aí é ele quem fica com tudo. Cada conjunto de cartas possui um fundo diferente para podermos saber o que cada um jogou e contar os pontos no final da partida. É um joguinho bacana, mas eu estou um pouco cansada de blefe e achei o fator sorte um pouco elevado demais.


Para fechar, o estranho Dentro de um Jardim. Um jogo que ninguém na mesa gostou. Na verdade, no início da partida a coisa estava até fluindo, porque a gente tinha entendido o jogo errado. Então, surgiu uma dúvida no meio e o Filipe veio explicar, foi aí que o jogo perdeu toda graça e sentido. O jogo tem a seguinte historinha: Houve um assassinato no jardim, existe uma carta de vítima e três cartas de possíveis assassinos. O primeiro jogador pode olhar duas cartas de assassino, escolher trocar uma carta de assassino qualquer (mesmo a que ele não viu) com a carta de vítima, então deve apostar uma das suas cinco fichas em uma das cartas de assassino.

A princípio, todos achamos que o objetivo era tentar acertar quem era o assassino, que será a carta de maior valor entre as três ou a menor, se o cinco estiver em jogo. Além disso, no início da rodada, cada jogador recebe uma carta que passa para o lado direito. Todos os jogadores então veem duas cartas, o que ajuda na eliminação dos possíveis números. Quando alguém aposta certo, recebe seu token de volta e quando aposta errado seu token é substituído por um token preto que só serve para atrapalhar. Quando mais de um jogador aposta errado no mesmo suspeito, aquele que tiver seu token mais acima ficará com todos os outros pretos. O jogo acaba quando alguém só tiver tokens pretos ou somar oito ou mais tokens. Vence quem tiver menos tokens no final.

Foto "roubada" do E aí, tem jogo?

Durante a partida e algum tempo depois, eu fiquei achando o jogo ruim e quebrado. Mas ficou na minha mente, não consegui parar de pensar nele. Algo tinha que estar errado. Fiquei com a impressão que o Filipe não explicou muito bem o jogo, talvez por causa da pressa. Tive a oportunidade de jogá-lo novamente no Boards & Burgers desta semana com o próprio Filipe, o que ajudou bastante a esclarecer meus questionamentos.

O principal ponto é que Dentro de um Jardim não é um jogo ruim como pode parecer de início. Ele tem uma sacada diferente, que talvez seja um pouco difícil de assimilar de cara. O Filipe resumiu bem a questão: O jogo é blefe para os dois primeiros jogadores e dedução para os dois últimos. O objetivo é induzir o coleguinha ao erro para perder um token seu e o outro ficar com um token preto . Acertar o assassino só mantém a pessoa viva no jogo. Ainda está um pouco confuso, mas bem menos do que antes, talvez jogando mais umas dez vezes eu chegue ao completo entendimento do jogo.

Por falar nisso, um jogo que eu detestei quando joguei a primeira vez e queria tentar novamente para tirar a dúvida era o The Dwarf King. Mas nesse caso ficou comprovado que não é o meu tipo de jogo. Não adianta, eu não consigo jogar mais do que uma rodada. Achei muito chato, as pessoas que jogaram comigo também não ficaram muito animadas não.

Vamos aos dois inéditos mais aguardados do dia. Começando pelo Village, que tem aquele esquema de sempre dos Euros: coletar recurso e alocar os workers para fazer ações. A ambientação também é a que já estamos acostumados: rural. O que o jogo traz como diferencial é o sistema de passagem de tempo e a divisão dos meeples em gerações. São quatro no total, no início do jogo todos começam com a primeira. A boa é saber a hora de "matar" seus meeples e avançar a geração. O jogo acaba quando um dos dois espaço para alocação dos mortos acaba.


Existe o livro de registros da vila, com espaços limitados referentes a todos os tipos de ações do jogo. Os primeiros meeples a morrer em determinado local vão entrando para a história como figuras ilustres. Depois que um espaço é totalmente ocupado, o meeple que ao morrer deveria entrar nele vai para o cemitério comum. Acho que essa é a forma de ganhar mais pontos no jogo. Uma outra forma boa também é o comércio.

A coleta de recursos nesse jogo também é diferente, em cada local de ação é colocada uma determinada quantidade de recursos. Quando um jogador vai fazer a ação do local, ele pega um recurso qualquer entre os disponíveis. Se acabarem os recursos, não é mais permitido fazer aquele tipo de ação. No meio dos cubos de recurso existem cubos pretos que só servem para fazer avançar o tempo. Algumas ações ao invés de serem pagas com recurso também podem ser pagas com tempo ou utilizam ambas as coisas. A rodada acaba quando todos os cubos tiverem sido recolhidos.

Cada jogador tem o seu tabuleiro individual que representa a fazenda e tem sua contagem de tempo pessoal. Quando um meeple é alocado em uma das ações da vila, ele fica lá até morrer. A menos que o jogador utilize a ação de fazer nascer um novo meeple para pegar de volta algum que está sendo utilizado.

Gostei bastante do jogo, achei um Euro médio com tempo de duração e setup bem enxutos. A introdução do sistema de geração dos meeples dá um diferencial bacana. Apesar disso, não considero essencial na coleção. Ficaria feliz de ter, mas posso continuar jogando o dos amigos. Ainda mais que tenho dificuldade de "matar" os meeples. Só morreram dois o jogo todo, nem cheguei a completar a segunda geração.

Para fechar o dia, o aguardadíssimo Alien Frontiers. Fazia tempo que queria experimentar esse jogo, o visual dele é lindo demais. Eu adoro arte retrofuturista, já falei sobre isso recentemente aqui no blog. Agora era conferir se o jogo só tinha beleza ou se era bom mesmo. Eu não sabia nada sobre a mecânica dele, imaginava que fosse algo complicado. Estava enganada, o jogo é até bem simples e rápido. Tenho curtido bastante esta onda de alocação de dados.



Os dados representam as naves, conforme o resultado da rolagem, os jogadores escolhem em quais ações eles serão alocados. A quantidade de dados vai variar ao longo da partida conforme  os jogadores construam e/ou percam suas naves. O objetivo é dominar a maior quantidade de territórios do planeta. Para isso, são implantadas as colônias. A partida termina imediatamente no momento em que um jogador conseguir colocar sua última. A pontuação varia bastante, pois os territórios vão sendo constantemente conquistados e  perdidos.

Além da belíssima arte de capa, todos os demais componentes também são sensacionais, com destaque especial para as colônias. Adorei também a homenagem aos grandes escritores da Ficção Científica nos nomes dos territórios. Só acho que Hebert Desert ficaria muito mais adequado do que Hebert Valley como colocaram. Já está na lista de jogos a serem comprados, espero tê-lo na minha coleção em breve. Aí poderei fazer um post completão como ele merece.

 Eu sou o amarelo.

Depois ainda joguei mais umas três partidas de Timeline enquanto esperava os últimos jogos que ainda estavam rolando terminarem. Obrigada a todos que compareceram em mais uma edição do Guadalupeças, espero reencontrar a todos em 2 de novembro. Ainda não temos definido o tema da próxima edição, o Felipe quer fazer Tolkien por causa da estreia da última parte de O Hobbit. Eu gostaria de fazer Terror. Tem muito mais lógica fazer o especial Tolkien em dezembro, o problema é que estamos tentando trazer um pessoal de fora do RJ que só poderia nessa data. Vamos trabalhar para tentar organizar tudo da melhor forma possível. Fiquem ligados nas novidades acompanhando nossas páginas no FB: Turno Extra e Guadalupeças. Até a próxima, galera!!!

Segue mais algumas fotos dos jogos que rolaram.

 The Institute For Magical Arts.

Gunrunners.

 Ticket To Ride.

PS: E ainda não foi dessa vez que joguei o Uruk. XD

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