sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Conquistando os Planetas

Conquistando os Planetas é um jogo de tabuleiro lançado pela Copag em 1980. O autor não é creditado, então não dá para saber se é gringo ou nacional. Bem obscuro, né? Para início de conversa, nunca soube que a Copag já tinha se aventurado fora do universo das cartas. Não encontrei quase nada sobre o jogo na internet, as descrições se resumem a: "é um War simplificado". O que eu achei uma forma de menosprezo imerecido. Levando-se em consideração a época em que foi criado, ele é até bem bacana. Mas você deve estar se perguntando, onde foi que eu arranjei esse jogo?


Um lugar muito legal aqui no RJ para quem gosta de todo tipo de antiguidade é a Feira da Pça XV, que acontece todo sábado pela manhã. O forte não são os jogos de tabuleiro, mas procurando bem e com um pouco de sorte, a gente pode achar algumas coisas interessantes. Esse foi o terceiro jogo que comprei lá e nem sou uma frequentadora muito assídua. Eu gosto muito de tudo relacionado com Sci-Fi, então quando bati o olho nesse jogo quis logo comprar. Mas em lugares assim, é preciso segurar um pouco a onda, senão fica difícil negociar o preço.

Acabou saindo por um valor um pouco acima do que eu gostaria. O jogo está com duas naves e duas cartas faltando, além da caixa bem surrada. O vendedor começou pedindo R$30, fechamos por R$25, mas acho que dava para chegar em R$20 com um pouco mais de insistência. Se bem que o vendedor era um pouco ruim de negociação, ele não era nenhum especialista em boardgames, mas também não era bobo. É bom pegar aqueles que não fazem ideia do que estão vendendo, foi assim que comprei um Delorean novinho, lacrado na caixa, por R$50.

O que mais me atraiu em Conquistando os Planetas (além do tema, como já deixei claro) foram os componentes. Gostei muito do tabuleiro, cartas e peças (naves e mísseis), eles tem um estilo retrofuturista que lembra bastante as representações Sci-Fi dos anos 50 e 60. Por isso mesmo, achei um pouco estranha a caixa, destoava do restante do jogo. Ela sim tinha uma pegada bem anos 80. Mas bastou um pouco de pesquisa chegar a explicação.

A versão que adquiri da Copag é uma segunda edição do jogo, a primeira foi lançada uma década antes por uma empresa chamada RIAL. Consegui essa informação em um site sobre brinquedos raros. Infelizmente, não havia mais nenhum detalhe adicional. Procurei bastante, mas não encontrei outras referências. A Copag relançou o jogo com os componentes originais, só modificando a caixa e o insert. Acredito que a mudança na caixa foi para chamar mais atenção do público alvo na época.


O insert da Copag é realmente melhor, mas achei a caixa da versão da RIAL mais bonita. Ela parece uma pintura e combina muito mais com o restante dos componentes. São apenas três tipos de cartas, porém apesar da pouca variação, os desenhos se destacam por sua qualidade. As naves e mísseis foram os que mais chamaram minha atenção, pois são feitos de acrílico. Além disso, cada um dos cinco conjuntos possuem naves em formatos diferenciados.


 

Sou novata no universo dos jogos de mesa em geral, quanto mais antigos menor ainda é o meu conhecimento. Até porque as informações vão ficando escassas, não encontrar praticamente nada sobre a RIAL me deixou perplexa. É quase como se nunca tivesse existido, me senti meio em 1984 do George Orwell. Não sei se outros jogos antigos possuíam componentes com mesmo nível de qualidade. O único jogo antigo que tenho se chama Star Traders, comprei por causa do envolvimento do Asimov. Ainda não consegui jogar, mas parece ser mecanicamente interessante. Porém, os componentes não são dos mais animadores.

Conquistando os Planetas é um jogo com regras bem simples, tanto que vieram na parte de dentro da tampa da caixa, apesar de eu achar que deve ter existido um manual que foi perdido. Enfim, cada jogador possui seis naves e quatro mísseis. No início do jogo, as cartas são embaralhadas todas juntas, com exceção das cartas de missão. Serão distribuídas dez cartas para cada jogador, nelas virá sublinhada em destaque uma determinada localização. O jogador deverá posicionar suas peças de acordo com a indicação das cartas. Depois elas serão devolvidas, separadas por tipo e embaralhadas novamente. Serão formando dois decks diferentes: mísseis e naves. Após isso, cada jogador receberá uma carta de missão secreta.


Cada carta de missão vem com duas opções de objetivos a serem cumpridos. Geralmente, são conquistar determinadas localidades ou destruir um inimigo específico. O jogo comporta até cinco participantes e vem com seis cartas de missão, essa carta extra é para caso aconteça de um objetivo de conquista seja cumprido no setup inicial, a mesma possa ser substituída. Essa parte de missão é meio fraca, acho que deveriam vir mais cartas, para aumentar a rejogabilidade. Depois de algumas partidas as missões se tornam conhecidas.



O jogo vem com dois dados: um com as letras A e M e outro numerado de 1-3. No jogo, ele chama as naves de aeronaves, o que eu achei bem engraçado. Hoje o que chamamos de aeronaves são os aviões, por isso desde o início do texto utilizei a nomenclatura naves, por ser mais adequada ao nosso entendimento atual. Talvez na época o termo aeronaves fosse comum para designar um veículo espacial, apesar de já ler lido vários livros de FC clássico e nunca ter visto tal referência.

Mas voltando aos nossos dados, são eles que vão determinar a movimentação. No mapa, nós temos: planetas, planetóides (azul), satélites (amarelo) e meteoritos (vermelho). Alguns planetas maiores são divididos em áreas, não é permitido passar pelo seu interior para se mover entre elas. Outra limitação é quanto aos meteoritos, eles contam como casas normais para movimento, mas não se pode parar neles, pois senão sua nave ou míssil é automaticamente destruído. São regras boas que dificultam a movimentação, além das linhas que ligam os planetas, que obviamente não são continuas. As vezes, você vai estar perto do seu objetivo, mas sem um caminho direto, precisando fazer uma volta grande e nisso acabar sendo atingido por um ataque inimigo.

Se o resultado dos dados não lhe interessar, existe a opção de comprar uma carta. As cartas de naves trazem sugestão de ir direto até uma determinada localidade. Ligou o motor de dobra e foi para outro lugar completamente diferente, pode ser do outro lugar do mapa. Mas é opcional, pode ser que a movimentação oferecida pela carta também não lhe interesse, se esse for o caso, então passa o turno sem fazer nada.


As cartas de mísseis tem uma regra um pouco mais apertada, se optar por pegar uma carta desse tipo, você é obrigado a fazer o que ela diz. O que pode em alguns casos prejudicar o próprio jogador que comprou a carta. O jogo chama isso de tiro no escuro, um nome bem adequado. Acho isso bem legal. A carta de míssil vem com três ordens, a execução será de acordo com o resultado de numeração. Se o jogador tirou M+3 e escolheu por não mover um míssil três casas, mas sim pegar uma carta. Ele terá que executar a ordem de número 3 da mesma. As outras ordens podem ser muito melhores e pode rolar alguma lamentação nesse momento.


As cartas também podem vir com a informação de recuperar uma peça de acordo com seu próprio tipo, o que é muito bom. Apesar de não ficar muito claro (por isso acho que esse jogo vinha com um manual que foi perdido), eu entendi que uma vez que uma peça é trazida de volta ao jogo, apenas isso é feito no turno do jogador. Acho que faz sentido, senão o jogador ficaria com duas ações, o que seria injusto.

Já escrevi bastante sobre diversos aspectos do jogo, mas não sobre o que suas principais peças fazem exatamente. Então, vamos lá: Os mísseis eliminam qualquer nave ou outro míssil que esteja local onde seu movimento termine, mesmo que seja do próprio jogador. As naves são para ocupação, podemos ter naves diferentes em um mesmo local. Como eu já coloquei, os objetivos são basicamente conquista e destruição.

Mas se você é o tipo de jogador que gosta de "tocar o terror", Conquistando os Planetas oferece uma opção bem interessante. Que tal assumir o papel de suicida e acabar com a festa de todo mundo destruindo o Sol e consequente todo o sistema solar. Nesse caso, o jogo acaba sem vencedores. É o chamado Caminho da Morte. Para atingir esse objetivo, o jogador precisa colocar um míssil no Sol. Só existe um caminho para fazer isso, que é indo de Plutão até o Sol, através de planetóides e meteoritos.


Conquistando os Planetas é um jogo bem simples, mas tem seu charme para os fãs de Sci-Fi com seus componentes bacanas. Talvez algumas "house rules" possam tornar o jogo mais interessante. Eu tenho pensado em algumas coisas, mas ainda não experimentei nada, está tudo só no plano das ideias. Até porque preciso jogar mais vezes para poder começar a fazer modificações. A questão é encontrar interessados. Então, se alguém quiser topar essa aventura e for do RJ, é só chegar.



4 comentários:

  1. muito legal, aqui no Sul temos o Brique da Redenção que sou um frequente assíduo...mas é raríssimo algum jogo pintar ali e quando pinta os caras já te quebram no preço...

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  2. Olá Aline, você saberia me dizer onde eu posso arranjar outro desse. Eu tenho um igual ao seu, mas está incompleto. Tenho 93% do jogo. Falta apenas algumas naves. Os dados estão quase apagados. Joguei demais esse jogo na infância e adolescência. billy_gomes@hotmail.com. Obrigado! SP/SP.

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    1. Bem difícil, acho que só na sorte mesmo. O meu também está faltando componente.

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  3. Eu adoro esse jogo! Minha mãe ganhou ele quando era criança e tem guardado até hoje. Ele vem na verdade com 6 naves e 6 mísseis, para caso perca algum. Uma das partes que eu mais gosto é de cada cor de nava ter um formato diferente. Também vem com um livreto manual, mas não tem muitas coisas além do que vem escrito na tampa. É um jogo simples e divertido. Poderia ter mais cartas de missões, mas sempre tem a opção de destruir algum outro jogador e talvez tornar o jogo mais dinâmico. É um bom jogo para iniciantes. Se algum dia vier para Porto Alegre, podemos jogar juntas. =D

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