segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Jogatina de final de semana: Jaipur, Ninja Dice e Go


Um dos grandes problemas lá em casa é o grande acúmulo de jogos sem ver mesa. O Felipe é muito empolgado para comprar, agora na hora de sentar e jogar, aí já é outra história. Nossos jogos ficavam empilhados em cima de três estantes. Com a coleção crescendo rapidamente, logo ficou impraticável guardá-los daquela forma. Além do problema de espaço, as caixas estavam começando a ficar danificadas e era complicado pegar qualquer coisa para jogar, porque tinha que praticamente tirar tudo do lugar e depois colocar novamente.

 A foto é meio antiga, só para dar uma ideia. A situação estava bem pior.

A solução era comprar um armário só para os jogos. Passei meses falando no ouvido dele sem sucesso. Não tínhamos onde colocá-lo, nosso apartamento é bem pequeno. Eu queria me livrar de um sofá-cama meio inútil que a gente tem para abrir espaço, mas ele foi contra. As viagens a trabalho para fora do Brasil só pioraram a situação, porque a mala sempre voltava carregada de mais jogos. A solução veio com a troca do PS3 pelo PS4 e a consequente venda da bateria do Rock Band.
 

Com o novo espaço, compramos o armário e veio a promessa de que jogaríamos mais. Pois, agora seria bem mais fácil pegar e guardar os jogos. Apesar de que não coube tudo, alguns cardgames maiores ainda ficaram de fora (AN, LOTR, GOT...). Aproveitando esse papo de móveis, acho que nunca comentei aqui sobre a compra da nossa mesa. Também foi em função dos jogos, bem no início do hobby, ainda não tinha criado o blog. Para vocês terem uma ideia, a gente mediu o tamanho da mesa pelo tabuleiro do Zombicide. O tempo passa tão rápido, parece que faz tanto séculos isso, mas tem só pouco mais de um ano.


Enfim, voltando ao armário. Ele já completou o seu primeiro mês em casa e ainda nada de começarmos a colocar em prática o combinado. Como eu já disse, o Felipe é meio compulsivo por comprar jogos e as viagens só facilitaram as coisas. O resultado são pilhas de jogos intactos. Então, sábado de tanto perturbar, consegui estrear dois jogos: Jaipur e Ninja Dice. \o/


Jaipur é um cardgame muito divertido, fácil e rápido. Cada jogador é um mercador indiano disputando para provar ser o melhor e conseguir se tornar o comerciante pessoal do Maharaja. Para isso é necessário saber negociar suas mercadorias para ter mais lucro que o seu adversário. A cada final de rodada, quem tiver sido mais bem sucedido ganha um selo de excelência, o primeiro a conseguir dois desses marcadores ganha o jogo.

A primeira vista, não é um jogo dos mais atrativos. Eu tomei conhecido dele através do Heitor alguns meses atrás e o Felipe trouxe uma cópia da França, o que também já tem um tempinho. Em Jaipur, nós temos seis tipos de mercadoria: Diamante, Ouro, Prata, Tecido, Especiarias e Couro. Os três primeiros são os mais valiosos e não podem ser vendidos sozinhos, é necessário no mínimo dois. Cada mercadoria tem uma determinada quantidade de fichas de valor. Começando com um valor mais alto e decrescendo aos poucos. É uma questão de oferta e demanda. É bom tentar vender os produtos menos valiosos o mais rápido possível para pegar as fichas correspondentes de maior valor.



Além das cartas de mercadoria, existem também os camelos. No início do jogo, são posicionadas três cartas desse tipo no meio da mesa, que representa o mercado. Os jogadores recebem cinco cartas, o que for camelo será posicionado aberto na frente do jogador. O restante das cartas vai formar o deck de compras. Serão retiradas dele duas cartas para completar o mercado, que deverá ter sempre cinco cartas disponíveis.


Na sua vez, o jogador tem a opção de: comprar, vender ou trocar mercadorias. Na compra é escolhida uma das cartas disponíveis no mercado (o limite da mão é sete cartas). Na venda é descartada quantas cartas de mercadoria o jogador desejar, pegando as fichas de valor correspondentes (só pode ser vendido apenas um único tipo de mercadoria de cada vez). Quando ocorre a venda de três, quatro ou cinco mercadorias de uma única vez, além das fichas de valor, é recebida também uma ficha de bônus. Na troca é onde entram os camelos na história. Só é possível pegar mais de uma carta no mercado através de troca. Para isso, pode-se utilizar cartas da mão e/ou então os camelos. É claro que utilizá-los é muito mais vantajoso. Importante: se for pegar camelos no mercado, é obrigatório levar todos os disponíveis. Existe uma ficha de bônus por maior quantidade de camelos no final da rodada, que tem duas formas de acabar: Quando as fichas de valor de três mercadorias acabam ou quando o deck de compras acaba.


O Felipe venceu por 2X0, mas ambas as rodadas foram bem equilibradas. Na primeira, ele vendeu muita mercadoria de valor mais elevado e pegou o bônus dos camelos. Achei que fosse ficar bem atrás na pontuação, mas depois de contar vimos que a diferença foi justamente a ficha bônus dos camelos. Na segunda, eu fiquei com ela e ainda peguei uma outra ficha bônus de venda cinco. Mas, novamente, ele vendeu mercadorias de maior valor e venceu. Não consegui fazer uma venda de diamantes. ¬¬

É um bom jogo para duas pessoas. Como eu já disse antes: é rápido, fácil e divertido. Além de ter uma visual bastante agradável e componentes de qualidade. As fichas de valor de mercadoria são bem bonitas, as cartas tem uma boa gramatura e o insert é muito funcional, além de ser uma graça. Se ainda resta alguma dúvida sobre a excelência do jogo. Jaipur está na lista recentemente publicada pelo Fel Barros no Redomanet dos melhores jogos para duas pessoas e ele é uma autoridade no assunto. Além disso, o jogo está em 10º no Family e 106º no Geral do BGG.

Depois disso, foi a vez do complicadinho Ninja Dice, mais um joguinho de Kickstater. Ele tem uma embalagem fofa demais e confesso que esse foi um dos principais motivadores para querer jogá-lo. Afinal, nem o tema nem a mecânica despertaram grande interesse. A dificuldade começou com o Felipe lendo o manual e não conseguindo entender. Se não me engano, ele já tinha tentado jogar com o Shamou sem sucesso no último Guadalupeças. Começou então a procura por vídeos, mas o pouco que encontramos, a maioria era só review sem gameplay. Então, chegamos ao Tom Vasel, sempre salvador.

Mesmo assim foi difícil. Ele via um pouco do vídeo e parava para olhar o manual. Assim foi até o final. Você deve estar se perguntando: Afinal, qual a dificuldade tão grande que pode existir em um Dice Rolling? Bom, a questão é que em Ninja Dice temos rolagem de dados simultânea e regras de posicionamento dos dados, que interferem um no resultado do outro.

O jogo que se desenvolve em três turnos. Cada jogador é um ninja invadindo uma casa para roubar o tesouro. A casa é representada pelos dados pretos, no primeiro turno são rolados quatro dados e mais um é adicionado para cada novo turno. Nos dados da casa temos fechadura, guardas e residentes. Nos dados do ninja temos fight, stealth, pick, wild, fortune e block. E ainda temos os dados que são rolados por outro jogador para atrapalhar que são arrow, block e hourglass. Os dados da casa são rolados primeiro e os demais simultaneamente. Cada jogador começa com três de dinheiro.


Para passar por um dado de guarda ou residente, o jogador precisa de um dado de fight ou stealth, porém precisam ser iguais. Se são dois dados de guarda, não é possível passar com um dado de fight e outro de stealth. Para as fechaduras é preciso pick. O wild serve como coringa, só não pode ser utilizado como fortune. Fortune tem o poder de quadruplicar o dado que está a sua frente. Nisso a distinção guarda e residente pode atrapalhar, até onde pude perceber é o único efeito prático.

O block é para evitar o arrow de outro jogador. Se um dado arrow é rolado na frente de qualquer outro dado que não seja block, o jogador perde um de dinheiro para o seu adversário. Isso tanto vale para o jogador ativo que está sendo atacado quanto para os demais jogadores que também são atacantes. É a guerra dos ninjas, todo mundo tentando atrapalhar todo mundo. O hourglass é posicionado ao lado da casa, se forem completados quatro e o jogador ativo ainda não tiver conseguido passar pela casa, ele perde e sai sem ganhar nada.

Enquanto não saírem os quatro hourglass, o jogador ativo pode re-rolar seus dados quantas vezes quiser em busca do resultado mais favorável. Ele pode utilizar um determinado dado na casa e rolar novamente o resto, mas também pode desistir se achar que não irá conseguir ou que está perdendo muito nos ataques inimigos. Quando desiste o jogador ganha um de dinheiro para cada dado utilizado. Quando consegue vencer a casa é um de dinheiro para cada dado da casa  e respectivamente por turno um, dois e três de bônus.

 
 
 


Demorei um pouco para entender o jogo e ainda tenho um pouco de dificuldade com a posição dos dados. Mas achei bem bacana essas inovações, são enriquecedoras. Dice Rolling é uma mecânica bem repetitiva e que está muito em evidência. Toda hora temos jogos desse tipo sendo lançados, então é preciso um diferencial. Já disse que a embalagem do jogo é fofa, né? As moedinhas também são muito lindinhas. Só os dados que são meio sem graça, mas aí acho que já era querer demais.



Minha grande crítica é vai para o manual, que é confuso. Os criadores do jogo podiam ter feito vídeos de  gameplay também. O jogo veio com uma expansão de acrescenta Locations Cards, mas a gente não conseguiu entender direito como funciona porque mais uma vez a explicação é falha. Custava muito colocar a imagem de uma carta como exemplo e detalhar cada item?





Ah! Esse eu ganhei de lavada, fiz mais que o dobro de pontos que o Felipe. É muito Can't Stop no BGA. Acho que eu tenho um bom equilíbrio entre continuar e parar, a menos que role muito azar nos dados. O fator sorte também está presente no Jaipur e me prejudicou bastante, porque as mercadorias boas sempre saiam quando era a vez dele.

Foram dois joguinhos pequenos, mas foi um início. Até porque, esse final de semana, eu estava de plantão no trabalho. No domingo, não jogamos em casa porque fomos à Festa do Japão. Estava tendo um workshop bem legal de Go lá. Mais uma vez tomei uma surra do Marco Curvello. Uma pena que não pude chegar mais cedo. Queria ter jogado mais, gosto muito Go, apesar de ser péssima.



 

Voltando ao assunto jogatinas caseiras, agora é tentar aumentar o ritmo ou pelo menos manter, estreando os inéditos e não deixando os demais abandonados. É legal ter um armário cheio de jogos, porém é ainda mais bacana colocá-los na mesa. Jogar em eventos é bom, mas eu gosto muito de jogar em casa também. É um ambiente mais tranquilo, uma boa forma de relaxar depois de um dia estressante.

Tenho pensando em algumas coisas para o blog. A ideia de fazer vídeos não morreu, apesar dos problemas que praticamente inviabilizaram o Guerra do Anel. Acho que tentei começar muito do alto. Estou querendo tentar coisas mais simples, jogos rápidos que não precisem de edição ou que sua necessidade seja mínima. Tudo com câmera em primeira pessoa, para quem estiver assistindo tenha a mesma visão que teria se estivesse jogando. A ideia seria focar mais em gameplay do que em explicação de regra. Sou melhor escrevendo do que falando, mesmo que seja para uma câmera. Os vídeos funcionariam como complemento dos textos.

Um comentário:

  1. Desculpa, Aline! Eu sou péssimo em pegar leve (Shidougo, para quem conhece) >.<
    Espero que esse tipo de coisa não te desanime de tentar melhorar no Go! A falha foi minha!

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