quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Gran Circo


Gran Circo foi o responsável por me fazer descobrir que se produzia jogos com nível internacional no Brasil. Foi um dos primeiros da minha coleção e o que me fez começar a prestar atenção ao mercado nacional. Eu sou uma grande admiradora do trabalho do Marcos Macri com a sua MS Jogos, os lançamentos são em tiragens limitadas para manter o alto padrão de qualidade e o excelente preço.  Em geral, são jogos em formato Euro com dificuldade entre leve e moderada.


Não sei como pude depois de mais de 6 meses de blog e chegando ao post 50, ainda não ter escrito sobre nenhum jogo desse game designer incrível que é o Marcos Macri. Mas estamos corrigindo isso agora, pois chegou agora no início do mês de agosto a 2ª edição do Gran Circo. Se você, caro amigo leitor, deixou passar a 1ª edição, chegou a hora de corrigir o seu erro.

A primeira vez que o Felipe apareceu com esse jogo em casa, não levei muito fé, pois não sou muito fã da temática. Aqui cada jogador é um dono de circo disputando com os demais para ver quem será o mais bem sucedido. É necessário contratar os melhores artistas, realizar melhorias, colocar barraquinhas e fazer propaganda. Mas você não estará só, existem os parceiros para ajudar. São quatro turnos, no segundo e no último, são realizados os espetáculos. São eles que determinaram as pontuações e o vencedor, os outros turnos funcionam como uma espécie de preparação.


Em Gran Circo, temos o tabuleiro principal representando um picadeiro, onde vai acontecer a maior parte das ações e cada jogador tem seu tabuleiro individual. Além disso, temos o mini tabuleiro da cooperativa, que também traz também a tabela de renda e uma espécie de lembrete do que faz cada parceiro. O número de artistas e parceiros irá variar de acordo com a quantidade de participantes do jogos que comporta de 3-5 pessoas. A 2ª edição vem com regra para 2 pessoas, mas essa e outras novidades serão comentadas depois.




Os artistas devem ser embaralhados e arrumados em 4 pilhas iguais viradas para baixo. As melhorias, propagandas e barraquinhas também devem ser embaralhadas e organizadas em pilhas separadas igualmente viradas para baixo. Cada jogador irá receber 3 fichas de artistas, elas vem com um valor numérico que irá determinar sua renda no turno. A qualidade do artista é determinada pela quantidade de estrelas que ele possui.


O dinheiro serve para comprar as propagandas, melhorias e barraquinhas que ficam devidamente posicionadas no centro do tabuleiro principal. Depois vem a escolha dos parceiros, começando do jogador inicial (que tem sempre um critério aleatório, aqui é o último que assistiu um espetáculo circense) e rodando em sentido horário cada jogador irá escolher um parceiro. Na escolha do segundo parceiro roda ao contrário, começando pelo último e terminando no primeiro jogador. Não é permitido pegar dois parceiros iguais.  

Agora o jogo começa, cada  jogador deve colocar um artista na área do picadeiro que representa o circo de outro jogador. Para colocar em seu próprio circo só utilizando o parceiro Caça-Talentos, isso é bom quando você tem um artista 3 estrelas na mão. Os circos não podem ter artistas repetidos, é aqui que começa a sacanagem dessa fase do jogo. É a parte que eu mais gosto, porque é o momento atrapalhar os coleguinhas. Ao término da distribuição, cada circo deve ter três artistas. Aqueles que estiverem repetidos deverão ser colocados na Cooperativa. Mas ainda existe uma salvação, o parceiro Empresário. Ele permite trocar um artista seu com o de qualquer outro jogador. Não pode ser impedido. Só não pode trocar artista que tenha sido colocado utilizando Caça-Talentos.

  


Terminada a distribuição, os jogadores colocam os artistas em seus tabuleiros individuais. Alguns artistas possuem uma faixa atrás de si, o que permite que formem duetos quando colocados lado a lado, o que dá mais pontos no espetáculo. Sempre que novos artistas forem chegando é permitido reorganizar a ordem em que os mesmos estão posicionados. A distribuição dos artistas vai ficando cada vez mais tensa a cada novo turno, pois a regra da repetição inclui todos os artistas em seu circo.

Depois vem a fase das compras, começando pelo jogador inicial e rodando para a esquerda, cada jogador pode comprar um item, que pode ser uma das fichas dispostas no picadeiro ou um artista da cooperativa pelo seu preço +1. O parceiro Investidor permite comprar por -1 no picadeiro e -2 fora dele, pois as peças que sobrarem depois que todos tiverem efetuados suas compras, são colocadas a parte. Mas só poderão ser compradas em um próximo turno e apenas com esse tipo de parceiro. O parceiro Sócio permite comprar sem pagar custo um artista da Cooperativa. Não há limite para comprar, o jogador pode gastar todo o dinheiro que tiver a sua disposição ou então comprar só o que lhe interessar, guardando o restante para o outro turno. O dinheiro é acumulativo.

No próximo turno, depois das fases já descritas acima, teremos o primeiro espetáculo. Para contar a pontuação o manual sugere começar pelos artistas, cada estrela vale um ponto. Depois confira os duetos, eles também valem um ponto. A pontuação das propagandas é variável, mas é fácil de identificar graças a excelente iconografia. Com a pontuação das melhorias ocorre o mesmo, mas existem dois tipos: ligadas a artistas, não considero muito vantajosas e as chamadas Especiais, essas sim, são muito boas.


As barracas podem causar uma certa dificuldade de entendimento. Primeiro ponto, elas não podem ser repetidas. Depois, elas não são acumulativas. O valor que será recebido é o correspondente a última barraca. Cada local de barraca tem um valor em dinheiro e um valor de estrelas. Elas não pontuam muito, mas dão bastante dinheiro. O que compensa, pois são bem baratas. Além disso, no último espetáculo todo dinheiro acumulado é revertido em pontos na proporção 3X1. As propagandas e barracas são retiradas de jogo e devolvidas à caixa depois do primeiro espetáculo. Para o próximo, novas precisarão ser adquiridas.

O vencedor do jogo é aquele que somar mais pontos com seus dois espetáculos, em caso de empate temos critérios para desempate, são eles respectivamente: mais artistas, mais melhorias e mais dinheiro.

Agora, vamos às novidades da 2ª edição. Além da já citada regra para 2 jogadores, o jogo foi originalmente pensado para ser 3-5 participantes e funciona muito bem com essa quantidade, temos também uma nova arte de capa e 3 mini expansões: Administradora, Apresentador e Bônus por Melhorias.


Começando pela nova arte da caixa, ela está bem bonita, trazendo em destaque o Apresentador e com alguns artistas. Não curti muito o tom rosa utilizado no lado esquerdo e substituiria o Domador por algum outro artista, sou contra animais em circos e zoológicos (é uma questão pessoal). Enfim, prefiro a capa da 1ª edição. Tem uma boa combinação de cores (azul e vermelho) com as letras amarelo e laranja combinando com a roupa do único artista na capa, o Homem-Bala. É uma capa mais sóbria e harmoniosa, na minha opinião.


Vamos as expansões: a administradora é uma ficha coringa que todo mundo possui, podendo ser utilizada uma única vez no jogo para uma de três finalidades especificas: Na fase de compra, ela pode dar desconto de -3 ou permitir uma barraca de cor repetida. Durante o espetáculo, conquistar os 3 pontos de uma melhoria especial sem que os pré-requisitos necessários tenham sido cumpridos.

O apresentador vem em uma quantidade de 10 fichas, sendo de 5 tipos diferentes. Eles devem ser embaralhados e separados em uma relação 2X1 de acordo com número de jogadores. Depois da escolha dos parceiros, cada jogador pode escolher pagar 2 de dinheiro para contratá-lo. Após o espetáculo, ele é retirado de jogo, assim como as barracas e propagandas. Durante a partida, cada jogador só poderá contratar no máximo dois apresentadores, um para cada espetáculo. Mais uma vez a iconografia das fichas não deixa dúvida sobre o que cada tipo faz.

Os bônus são 4 fichas numeradas de 1 a 4 e que o jogador ganha ao comprar sua sexta melhoria. O primeiro vai ganhar a de maior valor e assim vai indo sucessivamente. A quantidade de fichas bônus em jogo deverá ser proporcional ao número de jogadores, sendo retiradas em caso de necessidade as de menor valor. Em um jogo com 5 jogadores, o último a realizar sua sexta melhoria ganha um ponto na hora. A pontuação das fichas bônus só é contabilizada no final do jogo.

Agora, vamos as primeiras impressões: Achei a administradora fraca, por ser uma peça de uso único no jogo, acho que ela tinha que fazer alguma ação mais apelona. Só vejo vantagem no desconto de -3. O apresentador é o melhor, ele realmente acrescenta algo novo. Ele é uma espécie de melhoria especial só que em forma de personagem, mais barato e com potencial de gerar mais lucro. O fato dele ser eliminado depois do espetáculo é para equilibrar. Estou bem curiosa para experimentá-lo. Já os bônus de melhoria parece ser mais um incentivo, talvez pela razão que eu apontei mais acima, quando comentei esse item do jogo. Tirando as melhorias especiais, as restantes não oferecem tanta vantagem.

Deixei para o final a regra de 2 jogadores, desde que foi anunciada fiquei super curiosa e ansiosa por ela. Qualquer jogo com mínimo de 3 jogadores é um pouco problemático lá em casa, pois em geral, jogamos sempre só eu e Felipe. Jogos com mais gente só em eventos ou quando recebemos visitas. No primeiro caso, preferimos jogos que não temos. No segundo caso, geralmente acaba rolando jogos mais casuais. Porém, ao ler a primeira linha da regra uma onda de decepção veio sobre mim: "Em uma partida com dois jogadores, haverá um terceiro jogador imaginário."

Como assim, um jogador imaginário? Que tipo de regra é essa? Achei extremamente forçado. Também deve ser bem chato, porque os jogadores ficam se revezando no controle desse fantasma. O jogo segue todas as regras de uma partida de três, com algumas exceções: Nosso amigo Gasparzinho não tem parceiros, portanto só haverá um de cada tipo em jogo. Ele possui uma renda fixa de 6 e suas ações são sempre primeiro e de uma vez só. Ele coloca todos os seus artistas no picadeiro e compra sempre o máximo que puder, se sobrar dinheiro, o mesmo é devolvido para caixa.

Marcos Macri é um excelente game designer e também mágico profissional, ainda assim não tem como fazer essa regra encaixar na mecânica do jogo, sem que ele fique parecendo deformado. Imagino que deva ter ocorrido reclamações quanto do mínimo de 3 jogadores e por isso tenha sido criada essa regra de 2, mas ela é um grande e infeliz equívoco.

Agora deixando esse fato de lado, recomendo fortemente Gran Circo. É um dos melhores jogos nacionais que já joguei, muito divertido e com material de ótima qualidade, além de bem bonito. Sua curva de aprendizagem não é muito alta, então é tranquilo juntar na mesma mesa jogadores novatos e experientes. A temática leve e o bom nível de interação ajudam na receptividade. O tempo de jogo também é outro fator que considero positivo. Não tem como ficar arrastado ou chato, ele mantém o ritmo do início ao fim. Comprando até o dia 11, o frete é grátis. Então, esse jogaço vai sair por menos de R$100. Está esperando o quê? Lembrando que a edição é limitada, são apenas 200 cópias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário