segunda-feira, 30 de junho de 2014

Rampage


Mais um jogo sensacional do Antoine Bauza. Além de Takenoko, esse cara também é autor de 7 Wonders e Hanabi, isso só para citar os que já joguei. Em Rampage, o Panda comedor de bambu dá lugar aos Monstros comedores de Meeples. Quem é das antigas deve ter lembrado de um certo arcade dos anos 80. É praticamente uma adaptação do digital para o analógico, porém não é nada oficial, portanto acho que podemos considerar como uma homenagem.


Em Rampage, cada jogador é um Monstro e o tabuleiro é a cidade a ser destruída. Ganha quem devorar mais pedaços de prédios e conjuntos de Meeples. Mas para isso é preciso conseguir manter os dentes na boca. Cada Monstro possui 6 dentes, 2 fixos e 4 removíveis. A quantidade de Meeples que poderão ser comidos depende de quantos dentes o Monstro possui.


O tabuleiro de cidade é muito bonito, mas chatinho de montar. Na primeira vez, é necessário colar as bases dos prédios. É preciso ter cuidado, porque se ficar torto já era, principalmente a base principal que fica no meio e é a maior de todas. Os prédios são erguidos usando os Meeples como sustentação. Cada andar possui dois lados distintos, o interno e o externo, além do desenho dos Meeples para mostrar exatamente qual é o posicionamento. A cidade é dividida em áreas, diferenciadas por cores distintas.


No início do jogo, cada jogador recebe 3 cartas que vão diferenciar os Monstros entre si: 1 carta de superpoder secreta com uso único, 1 carta de poder e 1 carta de característica. As duas últimas podem ser utilizadas a qualquer momento e ficam abertas sobre a mesa, todos os jogadores podem ver. São 4 as ações disponíveis: Mover, Demolir, Soprar e Jogar Veículo. Porém, só é possível realizar 2 ações por turno, podendo ser repetidas se o jogador assim desejar.



Para Mover o Monstro é necessário dar um peteleco na base redonda sobre a qual o mesmo fica posicionado, que representa suas patas. Se a base encostar na calçada de um dos prédios é possível utilizar a ação de Demolir, que consiste em segurar o Monstro com a mão e soltá-lo sobre o prédio com o braço esticado. Para realizar a ação de Soprar, o jogador deve posicionar seu queixo sobre a cabeça do Monstro, o ar não pode ser puxado e segurado com antecedência. Essa ação é uma sacanagem com as pessoas mais fofinhas. Por fim, se houver algum carro na mesma área que o seu Monstro, esse pode ser arremessado contra um prédio ou Monstro adversário. O carro é posicionado sobre a cabeça do Monstro e jogado através de um peteleco. Todas as ações só podem ser obrigatoriamente praticadas com o jogador sentado.



Depois de realizadas as ações, chegou a hora de alimentar seu Monstro. Um pedaço de prédio que não tenha nada em cima pode ser comido, assim como os Meeples que estiverem espalhados na mesma área do mapa que o Monstro. Os Meeples que estiverem ainda nas ruínas dos prédios ou na calçada não podem ser devorados. É importante também não esquecer que só é permitido comer a quantidade de Meeples equivalente ao número de dentes.

Em meio a toda essa confusão causada pelos Monstros na cidade, as vezes alguns Meeples conseguem escapar. Os Meeples que estiverem completamente fora do tabuleiro vão para o Quadro de Fugitivos,  que é dividido em várias linhas, ao término de cada delas, uma punição é aplicada ao jogador que a completou. Ele possui dois lados, qual será utilizado é uma decisão que deve ser tomada antes do jogo começar. Um lado acelera mais a partida, pois se completado é o fim imediatamente. O outro lado agrupa os Meeples por cores e após a punição ser aplicada, a linha é zerada.



As punições em geral envolvem perder dente e mais alguma coisa. Outras formas de ficar banguela são: derrubar acidentalmente qualquer elemento do tabuleiro, sair do mapa durante a ação de Mover (além disso, volta para área inicial) e ser derrubado por outro Monstro. No último caso, o adversário come o seu dente, isso dá ponto no final também. Assim, como é pontuado os dentes que seu Monstro conseguir manter na boca. Se o Monstro não tiver mais dentes, ele deve dar dois Meeples do seu estômago. O Monstro caído fica como obstáculo no mapa só podendo levantar quando chegar a vez do jogador que o controla.

O jogo acaba quando todos os prédios da cidade forem devorados. Então, os outros jogadores tem mais um turno e vamos à contagem dos pontos. Os conjuntos completos de Meeples valem 10 pontos cada. Os Meeples não pontuam individualmente, uma contagem desse tipo só serve como critério de desempate. Cada dente comido do adversário vale 2 pontos e os seus próprios que forem mantidos valem 3 pontos. Cada piso de prédio vale 1 ponto.


Essa é a forma de contagem geral da pontuação, mas isso muda muito de acordo com as cartas que cada jogador tiver. São elas as maiores responsáveis pela rejogabilidade de Rampage. Tornam o jogo  mais disputado e emocionante. A mecânica em si é muito legal, com toda essa interatividade entre os jogadores e os componentes.

Além das cartas, Rampage garante sua rejogabilidade com uma série de regras variantes muito bacanas. Como sempre, só li o manual agora para escrever o texto (tenho que parar com isso), então não as conhecia. Depois vou experimentar cada uma delas, só vai ser difícil a que junta dois tabuleiros para fazer um partidão com 8 pessoas. Deve ser o caos total.

Como comprar essa belezinha? Não lembro de já ter visto esse jogo a venda aqui no Brasil. A caixa dele, desnecessariamente enorme, não ajuda na importação. Porém é fácil encontrar em lojas como Miniature Market e Cool Stuff com um preço que considero acessível. No momento em que esse texto foi escrito estava em torno 40 dólares.

Apesar de não ter um apelo temático tão forte em relação ao público feminino como Takenoko, acredito que ele possa agradar bastante por sua mecânica diferenciada. Rampage tem um aspecto Party muito forte, é um jogo para brincar. Ninguém se estressa com ele, por maior que seja o espírito competitivo.

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