segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Guadalupeças


Ontem tivemos mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Começamos com um sustinho básico, pois chegando ao local do evento não encontramos as mesas e cadeiras que habitualmente utilizamos. Apesar de ocuparmos um espaço na Praça de Alimentação, temos nosso cantinho gentilmente reservado, onde colocamos as mesas e cadeiras fornecidas para nosso evento.

É claro que sempre acaba acontecendo de precisarmos ocupar as mesas mais próximas da nossa área, mas são poucas e em geral o pessoal que vai para elas leva jogos mais tranquilos, que não ocupam muito espaço ou não são demorados.

Depois de alguns momentos de: "O que vamos fazer?", Felipe foi procurar o pessoal da administração do Prezunic para saber o que tinha ocorrido. Eles garantiram que estava tudo certo e que o cara das mesas só devia estar atrasado. Ligamos para ele e depois de alguns minutos finalmente as mesas e cadeiras chegaram. 

Começamos a arrumar rapidamente tudo em seus lugares porque já estávamos atrasados e o pessoal da Riachuelo Games tinha marcado de chegar cedo. Quando tínhamos praticamente acabado de colocar as coisas no lugar, eles chegaram e mais um grupo de 4 pessoas. O jogo que abriu o evento foi Recicle: Tempos de Crise.


Enquanto isso, o pessoal da Riachuelo Games foi arrumando o Cruz de Ferro e Vaporaria.



Eu fiquei um pouco assustada com o tamanho do Cruz de Ferro e fui jogar primeiro Vaporaria.


É um jogo difícil de avaliar, pois não sou jogadora de Wargame. Minha referência mais próxima seria Heroclix. Um jogo em que cada lado controla um determinado número de minis que tem pontos de vida, ataque, defesa e movimento. O objetivo é matar as minis um do outro e os ataques são decididos no dado. Em Vaporaria, você tem cartas para te ajudar ou atrapalhar o coleguinha. Essas cartas são pagas com pontos de Vapor ou sacrificando cartas da mão. Em Heroclix, todas as suas ações já estão na própria peça. Em ambos, você interage com elementos do cenário. Gostou ou não gostou do jogo? Claro que gostei, é porradaria de robô gigante. Tem como não gosta disso?

No playteste, eram 3 Mechas para cada lado, quem derrubasse dois primeiro ganhava a partida. No jogo mesmo, o rapaz da Riachuelo Games me explicou que haverá uma quantidade maior, se não me engano, 3 leves, 3 médios e 1 pesado. O mapa também vai ser maior, o que vai dar mais possibilidade de cenário e eles serão 3D, nada impresso.


Cada jogador começa com 5 cartas na mão, além de ajudar seus Mechas ou atrapalhar os do adversário, as cartas te permitem colocar unidades militares no mapa. Elas são muito frágeis, um Mecha passou por cima e é fim de jogo para elas. Mas não se perde nada com isso, só se tem a ganhar. Uma unidade muito boa é o Sinalizador, ele tem um alcance muito alto, então é difícil para o adversário destruir. Você só precisa ter linha de visão, ele chama tipo um ataque aéreo.


Quando seus Mechas vão sofrendo dano, você começa a rolar dado para saber se eles ainda estão ativos ou não, quanto mais danificado mais difícil vai ser de mantê-lo em funcionando. Como a temática do jogo é Steampunk, acho que deveria rolar alguma coisa tipo Mechwarrior que os robôs superaquecem e desligam, eu acho isso sensacional. Mas precisaria de algumas mudanças na mecânica para encaixar algo assim. Porque em Vaporaria seus personagens podem agir sempre, eles andam e atacam no mesmo turno, não tem a questão de marcador.

Não sei se é porque eles ainda não estão utilizando as peças do jogo mesmo, mas me pareceu que não estão aproveitando toda a potencialidade do tema. O trabalho de arte está tão bonito, queria ver mais isso misturado na mecânica do jogo e eu nem sou muito fã de Steampunk.


E o resultado da partida? Eu ganhei e ainda consegui manter meus 3 Mechas vivos, 2 deles ficaram bem danificados, mas sobreviveram. Acho que o jogo tem muito potencial e a previsão de lançamento é só 2015, então ainda tem muito para desenvolver. Espero participar de vários outros playtestes dele, principalmente quando começarem a utilizar as peças e cartas com arte do jogo mesmo. Espero que façam o mesmo com os cenários. Seria muito legal e ajudaria mais na imersão.

Quando estava no final do Vaporaria chegou o Rodrigo com seu Palmares, um Euro que como o nome já indica, tem como tema o maior quilombo da história do nosso país. Não só maior em questão de tamanho, mas também no tempo de resistência. O primeiro playteste que participei desse jogo foi no Castelo das Peças em Novembro, virei fã e desde então vinha tentando trazê-lo ao Guadalupeças. Na primeira vez, não rolou porque o Rodrigo se acidentou ao sair de casa. Depois, o jogo entrou em um processo de modificações e ficou inviável para playteste. Segue abaixo fotos da primeira versão que eu joguei e compare com as fotos dessa edição para ver como mudou.



Na edição passada, o Rodrigo me falou um pouco dessas modificações e confesso que fiquei preocupada. Ele estava substituindo os cubinhos por cartas. Um Euro sem cubinhos? Mas não é que funcionou. Os Euros são jogos de alocar trabalhadores e coletar recursos, para fazer construções e ganhar pontos. Na nova versão, os trabalhadores viraram cartas e isso ficou até melhor do que os trabalhadores individuais, porque ficou mais difícil a alocação, você precisa pensar mais. 



O jogo dura dez turnos, cada turno são dez anos, representando o tempo que o quilombo resistiu. Durante cada um desses turnos os jogadores alocam seus trabalhadores em 6 possíveis ações: pegar comida, pegar madeira, pegar escravos, carta de orixá, construção ou influência. Essa alocação dos trabalhadores é secreta, pois só os que alcançarem os maiores números conseguem fazer a ação. 

A forma de aumentar seus trabalhadores, e assim ter mais chance na conquista das ações, é pegando escravos, porém é preciso alimentá-los. Essa é uma questão que mudou para melhor nessa versão mais atual do jogo. Quando eu joguei da outra vez, pegar escravos era confuso e não muito vantajoso. As cartas ajudaram a equilibrar isso, na minha opinião.

A comida e a madeira são para as construções, paliçadas para se defender das investidas bandeirantes e plantações para ajudar na alimentação, além das oficinas que são uma novidade e que lhe dão mais madeira, trazendo mais equilíbrio ao jogo também. As cartas de orixás são bônus que você pode ganhar, pode ser algo imediato, pode ser algo que vá contar durante todo o jogo ou só no final. A influência resolve os empates e adiciona também um novo elemento, Zumbi dos Palmares. Ele vale por dois e não precisa ser alimentado.

Todo turno sai uma carta que determina o quanto o bandeirante avança e aumenta sua força, essas cartas também trazem bonificações para o turno. Quando o bandeirante chega no final de sua trilha ocorre o ataque. As paliçadas e os escravos são usados na defesa. Em caso de vitória, quem contribuiu mais é melhor recompensado e na derrota quem ajudou menos é o mais prejudicado. 

No final somasse os pontos e vemos quem ganhou. Como temos muito mais coisas que dão pontos nessa nova versão, o jogo ficou ainda mais imprevisível, o que eu acho muito bom. Gosto da emoção de não saber quem ganhou até o final. Quem eu achava que seria o ganhador ou pelo menos ficaria entre os primeiros ficou em último. Eu fiquei em terceiro, mas nem fiquei tão mal quando pensava que iria ficar.

Palmares é um jogo com uma temática sensacional e o Rodrigo está conseguindo trabalhar a mecânica muito bem, no geral achei que as modificações foram para melhor. Ainda temos os cubinhos para representar construções e recursos, mas eles serão substituídos por fichinhas. Sentirei falta dos cubinhos, porém estou mais conformada. O importante é que a jogabilidade se mantém muito boa. Agora falta começar a pensar na arte, praticamente nada ainda foi pensado nesse sentido. E eu acho que o Rodrigo deveria criar uma página do jogo no Facebook ou mesmo criar um site, fazer mais divulgação.

Depois disso, eu tinha pensado em partir para o Cruz de Ferro, mas aí chegou o Fel Barros e o seu Warzoo. Pensei que por ser cardgame seria rápido, nem foi tão demorado, mas quando acabei de jogar, o pessoal da Riachuelo Games estava indo embora. Próximo evento que irei e eles estarão presentes será o Castelo das Peças, jogar Cruz de Ferro vai ser a primeira coisa que vou fazer ao chegar. Felipe jogou e gostou bastante, falou que nem é demorado como eu pensava que fosse, e realmente, para ele ter jogado é porque foi rápido.

Voltando ao Warzoo, como eu disse é um cardgame. Em um modo básico, você compra dez cartas escolhe cinco e coloca viradas sobre a mesa, seu adversário vai fazer o mesmo. Cada carta tem uma pontuação, as cartas vão sendo viradas e quem tiver maior pontuação ganha. O jogo é melhor de 5. A próxima carta precisa ter valor igual ou menor que a anterior, senão será preciso pagar custo. Em um modo mais avançado, as cartas possuem poderes diversos e na primeira carta tem uma disputa por liderança, isso vai determinar em que ordem as cartas serão abertas, o que faz muita diferença por causa dos poderes. 


No modo básico foi bem tranquilo, agora no avançado tomei uma surra. Só teve uma rodada que eu consegui me sair bem. É preciso ter muita capacidade de antecipação de jogada e memória também, duas coisas em que não sou muito boa. Mas gostei muito do jogo, consegue ser simples e complexo ao mesmo tempo. Poucos elementos e uma infinidade de possibilidades. Quero um print-and-play dele para perturbar a vida do Felipe.

Outra coisa muito legal desse jogo é a história por trás. Warzoo tem como inspiração o universo de A Revolução do Bichos do Orwell. Segue a história resumida que peguei na página do Facebook deles.


Os Porcos perderam o apoio dos animais e pensaram em uma forma de recuperá-lo. Foi então que eles decidiram que os Ornitorrincos eram a solução ideal. Um bicho tão parecido com vários animais atrairia a simpatia de todos (lembrem-se que todos os animais são criados iguais)

O plano deu certo por um tempo, mas eventualmente os Ornitorrincos perceberam que foram manipulados, quiseram a ruptura e começaram a erguer grades delimitando o espaço de cada um. Olhando para o cenário de tensão, o pato e a cobra conversam e chegam a conclusão que a fazenda, cheia de grades, mais parece um zoológico. Em guerra. 
Enquanto, eu estava enlouquecida nos playtestes, vários outros jogos estavam rolando a minha volta. Destaco dois que eu queria jogar bastante. Para ver outros jogos que rolaram durante essa edição do evento: clique aqui.

 

Mas escolhi fechar meu dia com um jogo que eu queria jogar ainda mais: Tzolk'in: The Mayan Calendar. Ele é mais simples do que eu esperava. Aquele esquemão Euro: alocar trabalhador, coletar recurso e fazer construções para pontuar. Mas a temática junto com o mecanismo das engrenagens girando é sensacional. Por ter sido o último foi jogado meio corrido, foi mais para conhecer mesmo. Espero poder jogá-lo com calma novamente em breve. Até para escrever um texto bem bacana sobre ele aqui, porque com certeza é um jogo que merece.


E chegamos ao final de mais um relato de jogatina, esse foi bem longo. Muita coisa para contar e muito ainda ficou de fora. Talvez, eu devesse ter divido o texto em partes, mas não consigo. Quem chegou até o final da leitura, espero que tenha gostado. Obrigada a todos que estiveram presentes no evento e nos vemos novamente em 6 de abril. Não teremos Guadalupeças em março devido ao Carnaval. Mas antes disso, teremos várias oportunidades de jogatina por aí, seja em outros eventos ou em casa mesmo. Curtam o Guadalupeças e o Turno Extra no Facebook para se manterem sempre bem informados.

2 comentários:

  1. Aline, que bom que gostou da nova versão! Sua resenha foi bem no ponto: a ideia era mudar não só pra tirar os cubinhos, como para resolver o problema que ele tinha na pontuação, na ação de pegar quilombolas e na ação de plantação.

    Fiquei muito feliz com os playtestes no Guadalupeças. Só tinha testado essa versão nova (ficou pronta na sexta!) em jogos de 2 jogadores. Lá eu vi que o balanceamento para 3 e 4 está quase no ponto, tanto que as partidas funcionaram muito bem.

    Minha ideia agora é ver se consigo economizar mais nos componentes e diminuir um pouco a duração do jogo, mas isso sem alterar a mecânica do jogo, que depois do teste de fogo no domingo está praticamente fechada.

    Aí sim, o passo seguinte é arte e divulgação. Pode deixar que antes de lançar, vai ter Facebook, site e um design gráfico decente.

    E marca na sua agenda pra início do segundo semestre o lançamento do Palmares. :)

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    1. Que bom que você gostou dos meus comentários sobre o Palmares e que o playteste no Guadalupeças tenha sido tão produtivo. Está marcado, estarei entre os primeiros da fila. Vou querer o meu autografado. XD

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