sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O Senhor dos Anéis: The Card Game


O Senhor dos Anéis: The Card Game foi a grande aquisição do mês de dezembro. Estou para escrever sobre ele praticamente desde que chegou. Mas acabei adiando e publicando outros posts na frente. Como fã é sempre difícil escrever sobre obras baseadas em Tolkien. Além disso, esse vai ser meu primeiro texto sobre um jogo "mais pesado". Podia ter escolhido algum outro com o qual não tivesse uma ligação sentimental tão forte, porém, não fui eu que o escolhi, ele que me escolheu. O mais legal é que no final das contas acabei o texto na data perfeita, pois hoje é aniversário de Tolkien. XD

A ideia aqui é propor aventuras que se passam entre o aniversário de Bilbo (3001) e o início da jornada de Frodo com o Um Anel (3018) para serem jogadas em dupla ou individualmente, mas acredito que dá para colocar mais gente sem precisar de outra caixa básica como sugerido pelo manual, é algo que ainda pretendo testar. O jogo é um LCG cooperativo, os jogadores precisam trabalhar juntos para vencer as missões. Todos os itens necessários já vem na caixa básica. Claro que existem expansões, mas nem se compara aos CCG ou TCG (nomes diferentes para o mesmo tipo de jogo) como Magic, no qual se gastam verdadeiras fortunas para se montar um bom deck.

Em O Senhor dos Anéis: The Card Game, você começa escolhendo qual tipo de deck irá utilizar: Liderança, Conhecimento, Espírito e Tática. Cada deck é acompanhado por 3 cartas de herói, as outras cartas estão divididas entre aliados, acessórios, eventos e artefatos. É possível combinar cartas de tipos diferentes e criar decks personalizados. Mas isso traz um complicador, apenas os heróis recebem fichas de recurso e as cartas para serem baixadas precisam ter seu custo pago por um herói que seja de seu mesmo tipo. 

 Heróis de Espírito e Tática.

 Heróis de Conhecimento e Liderança.

A soma da pontuação dos seus heróis irá determinar o nível de ameaça. É a principal forma de perder o jogo. Pois o nível sobe automaticamente a cada turno e não pode chegar a 50. Além disso, existem diversas outras formas de ter seu nível de ameaça aumentado que serão explicadas ao longo do texto. Você também perde se todos os seus heróis forem mortos.



A caixa básica vem com três cenários, cada um deles vem com um deck de missão, que são as etapas a serem vencidas. Para vencer essas etapas, você precisa enfrentar o deck de encontro, onde estão as cartas de infortúnio, inimigos, localização e objetivo. Cada jogador começa com seis cartas na mão. Os heróis não contam, eles já começam posicionados na mesa. Cada turno do jogo possui 7 fases: Recurso, Planejamento, Missão, Viagem, Encontro, Combate e Renovação.


 Visão geral da mesa no início da partida.

No início do turno, cada jogador compra uma carta. Após isso, cada herói recebe sua ficha de recurso. Com os recursos, você pode baixar cartas da sua mão (aliados e/ou acessórios). Então vem a fase mais importante: Missão. Primeiro, você designa quais personagens irão participar daquela missão, para isso o personagem precisa ter força de vontade. Geralmente, só os heróis tem, aliados com força de vontade são poucos. Essa parte é uma aposta, pois o perigo só é determinado depois, através das cartas de encontro. Uma carta de encontro será colocada na denominada área de perigo para cada um dos jogadores. A soma da força de ameaça dessas cartas juntas é o objetivo a ser superado pela força de vontade dos personagens designados para missão. O avanço na missão depende de em quanto a força de vontade supera a força da ameaça. Em caso de derrota seu nível de ameaça sobe. Se for empate nada acontece. Importante é que os efeitos das cartas de encontro são ativados assim que elas são reveladas. Isso pode quebrar muito seu poder na missão.

Apenas cartas de localização e inimigos somam força de ameaça. Se forem infortúnios, fazem seu efeitos e são descartadas. As cartas de objetivo produzem variações diversas que podem ajudar ou atrapalhar o jogador, ainda não topei com elas nas minhas partidas. As cartas que somam força de ameaça são acumulativas. Para se livrar delas, temos as próximas fases: Viagem e Combate.

Na Viagem, você escolhe ir para uma determinada localização da área de perigo. A localização passa então para junto da carta de missão e não conta mais para a força de ameaça. Mas o progresso que você teria na próxima fase de Missão vai para a localização. Ela atrasa o seu caminho. Mas aí é uma questão de equilíbrio, se você não viaja soma uma força de ameaça grande demais que ficará impossível de vencer e se você viajar demais não progride na missão. As cartas de localização também tem efeitos. É importante ficar atento a eles.

Antes do Combate, temos uma fase chamada de Encontro. Primeiro, escolhemos um inimigo para engajar (o que significa que aquele inimigo ficará preso a você) ou não. O inimigo pode ser escolhido independente do custo de engajamento. Depois, os inimigos vão sendo engajados aos jogadores alternadamente de acordo com o nível de ameaça de cada um. Nessa fase, só inimigos com custo de engajamento igual ou menor podem ser engajados.


 Jogo em andamento. O deck de encontro quase sumiu na foto porque o sleeve é preto. lol

Agora, vamos ao Combate, é hora de chorar. Lembra que você precisa designar personagens na fase de Missão? Pois é, esses personagens são virados e não podem ser utilizados novamente em nenhuma outra fase do turno (a menos que exista uma carta que diga o contrário e elas sempre existem). Então, como em geral quem vai à Missão são os heróis, resta aos aliados partir essa parte ou você pode reservar algum herói para o Combate. O problema é que sendo apenas três, com o decorrer do jogo, isso vai ficando cada vez mais difícil.

Como dificuldade pouca é bobagem, os inimigos atacam primeiro claro. Então, você ainda precisa gastar personagens para se defender. E tem mais, cada inimigo ganha uma carta sombria que é retirada do topo do deck de encontro e que só será revelada na hora do ataque. Isso lógico é depois de você já ter anunciado seu defensor. Um só, nada de fazer "montinho" (a menos que exista uma carta que diga o contrário e elas sempre existem). Pelo menos, você pode escolher qual inimigo vai te atacar primeiro. Importante, se você escolher não defender todo o dano vai para um de seus heróis.

Se depois disso tudo, ainda tiver sobrado algum personagem de pé para atacar é a hora. No ataque, você pode juntar vários personagens contra um único inimigo. Entre as fases de Combate, você não só pode como deve utilizar suas cartas de evento. Depois disso, vem a última fase que é levantar os personagens.

 Sofrendo...

 Morrendo...

É um jogo bem cheio de detalhes, o que prejudica bastante a explicação em forma de texto. O objetivo foi só dar uma ideia de como o jogo funciona. Mas apesar de tantos detalhes, ele não é dificil não, pelo menos no que diz respeito a aprendizagem de sua mecânica. Porque a vitória, essa sim é bem difícil. O manual é muito bom, vem com bastante exemplos e é bem ilustrado.


O que eu mais gostei do jogo foi a mecânica, muito boa tanto para 1 quanto para 2 jogadores. Porém, achei que não ficou bem integrada com a temática. O que como fã de Tolkien me fez ficar um pouco decepcionada. Ainda mais que o jogo todo é tão bonito.

Mas só de olhar a capa, já achei que tinha algo estranho. É uma imagem do Gandalf a cavalo com aranhas gigantes ao redor, no meio de uma floresta com um castelo em ruínas (Dol Guldur) e um ser alado que não consegui identificar. Isso tudo é muito O Hobbit. A Fantasy Flight lançou o jogo em 2011, apenas um ano antes do primeiro filme ser lançado.


Os cenários também todos fazem referência a elementos de O Hobbit e não formam uma história consistente. Thranduil manda uma mensagem urgente para Galadriel e então você fica vagando pelo Floresta das Trevas enfrentando infinitas aranhas e outros seres malignos. Depois que você finalmente consegue sair de lá, faz o caminho pelo Anduin até Lórien enfrentando mais um monte inimigos. Chegando lá, Galadriel manda fazer uma investigação em Dol Guldur e um de seus companheiros é aprisionado e precisa ser resgatado. Eu achei isso tudo sem sentido.

Os heróis foram outra coisa que me incomodou bastante. Dos 12 heróis, 3 deles são inventados (Thalin, Eleanor e Beravor). O Dúnhere é um personagem muito pequeno, um simples capitão de Rohan, chefe de uma região qualquer que morre na batalha dos Campos de Pellenor. É difícil entender qual foi o critério utilizado para definir os heróis nos determinados tipos. 

Só Liderança que na minha opinião faz sentido, com Aragorn, um personagem mais famoso, e Théodred e Gloín que são personagens pequenos, mas com papéis de Liderança inegáveis. Apesar de achar que talvez o nosso amigo de Rohan ficasse melhor como Espírito, mas aí seriam duas pessoas da mesma família, fico em dúvida. Agora, Légolas e Gimli em Táticas é difícil de engolir, eles nem se conheciam na época que o jogo se propõem retratar e para fechar ainda colocam o inventado Thalin.

Em Conhecimento temos Glorfindel e Denethor que são bons, apesar de eu ter minhas reservas quanto ao segundo. Mas estamos falando de conhecimento e não de sabedoria, então vamos deixar desse jeito mesmo. Então, surge mais um personagem inexistente, a tal Beravor que é uma Dúnedain, uma guardiã. Que raios ela está fazendo na esfera de Conhecimento? E a pior esfera de todas Espírito. O próprio conceito já é estranho. Só a Éowyn se encaixa nisso e talvez o Théodred, como já disse mais acima, podiam ter trocado ele de lugar com o Dúnhere. Para fechar mais uma inventada - Eleanor de Gondor.

Aí encontramos como simples aliado um personagem como Faramir ou Beorn, que seriam heróis bem melhores e coerentes que muitos dos apresentados. Entendo o porquê de não colocarem Gandalf como herói, a carta dele é a que mais faz jus ao seu personagem. Entra em jogo de repente, faz o que tem que fazer e saí. Mas os outros não vejo desculpa. Não acredito que seja uma questão de economia para as expansões. O universo de Tolkien tem muitos personagens.



Enfim, minha conclusão é as missões não formam uma história e tanto heróis quanto personagens são muito aleatórios. É como uma uma colcha de retalhos. Pegaram vários itens da obra de Tolkien misturaram tudo e esse é o resultado. É perceptível que a mecânica do jogo poderia ser utilizada com outras temáticas, não foi pensada para o Senhor dos Anéis especificamente. Mas abstraindo essas questões que podem ser puro mimimi de fã, é um jogo muito bom.

Quer jogar e está no RJ? Então, venha para o Guadalupeças, evento que ocorre todo primeiro domingo do mês no Prezunic de Guadalupe, que fica bem na Avenida Brasil, não tem erro. Nosso evento será o primeiro do ano, fica a sugestão para começar bem 2014.

3 comentários:

  1. Ótima resenha. Muito esclarecedora!

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  2. Otimo artigo sobre o jogo certamente depois que li comprarei imediatamente...

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  3. "Mas abstraindo essas questões que podem ser puro mimimi de fã, é um jogo muito bom. "
    Sinceramente são questões de puro mimimi de fã mesmo.
    ....
    Mas totalmente pertinentes e real... Mas vamos algumas considerações.
    Pelo que percebi, "O Senhor dos Anéis" é somente o título mesmo, que indiretamente se reflite a toda obra e não somente a Trilogia dos Livros "Senhor dos Aneis"
    O Hobbit é uma "introdução" a essa Trilogia , sendo então Quadrilogia.
    Voltando sobre ao Card Game....
    Se olhar as as campanhas do Core Set :
    - Passagem pela Floresta (Hobbit)
    - Jornada Anduin (Periodo Temporal de O Hobbit)
    - Fuga de Dol Guldur (Necromante , Período temporal de O Hobbit, Inicio do ressurgimento do Sauron)

    Percebe-se que todo o CoreSet na verdade é referente ao "O Hobbit".

    Os personagens Gimli , Legolas , etc já viviam nessa época, mas não foram mencionados.
    Então, foram incluidos no Set como um extra para os fãs que com certeza tivessem comprado, iriam gritar.
    Mas eu vejo o lado das Aventuras como : "E se essas aventuras fossem feitas pelos Herois X,Y,Z"
    Nesse caso, entram Legolas , Joãozinho , etc....
    É uma ficção ambientada no Universo de Tolkien... Então relaxa e curte...
    =)

    Aliás, achei o jogo super dificil em 2 jogadores....

    Não consegui ainda completar a Jornada pelo Anduin e nem aq Fuga de Dol Guldur

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