segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Guerra do Anel


Se a grande aquisição do mês passado foi O Senhor dos Anéis: The Card Game, começamos 2014 ainda no clima de Tolkien com Guerra do Anel, que provavelmente não será apenas a grande aquisição do mês, mas do ano inteiro. O jogo foi lançado faz alguns meses pela Devir e fiquei um pouco relutante em comprá-lo devido ao alto valor, mas já posso adiantar de cara que valeu a pena.

Resolvi adquiri-lo depois de ler várias críticas positivas e ao verificar no Boardgamegeek sua excelente classificação: 1º no Thematic Rank e 19º no Board Game Rank. Eu sempre quis um jogo que me transportasse à Terra-Média, que me fizesse sentir dentro da história. Minha principal insatisfação em relação ao cardgame foi justamente a falha no aspecto temático.

Guerra do Anel pode assustar um pouco por causa do tamanho. O mapa é bem grande, tanto que ele vem dividido em duas partes. Vamos aos números: São mais de 200 miniaturas, mais de 100 cartas, quase 100 marcadores e mais de 20 dados. Uma partida dura em média 6 horas.

Componentes arrumados em cima da mesa (O olho de Sauron não faz parte do jogo, é só ostentação)

Porém, a mecânica nem é tão complicada. Só tem muitos detalhezinhos para serem gravados. Então, a princípio, vai ser sempre preciso consultar o manual ou o guia rápido. É um jogo para ser jogado de 2-4 pessoas, mas o ideal são 2 apenas. Um lado controla as Forças das Sombras e o outro os Povos Livres e a Sociedade do Anel.

As Forças das Sombras vão tentar conquistar a Terra-Média e descobrir onde está o Anel. Os Povos Livres vão tentar deter o Mal enquanto avançam com a Sociedade o mais rápido possível. Simples, não? A questão é que cada ação no jogo tem uma série de detalhes e regras. Sem contar que ainda têm as Cartas de Eventos, mas vamos por partes.

Antes de começar o jogo, é preciso montar o setup inicial. Isso é um pouco chato, porque são muitas peças diferentes e no início é um pouco difícil diferenciar umas das outras. As Forças das Sombras estão divididas entre Isengard, Sauron e Sulista/Orientais. Os Povos Livres estão divididos entre Gondor, Rohan, Norte, Elfos, Anões. Dentro disso, nós temos as divisões de classes, que são: Regular, Elite e Líder.

Setup inicial montado.

A Sociedade do Anel é posicionada em Valfenda através da figura que representa Frodo e Sam, que são os portadores do Anel. Os demais Companheiros (como são denominados no jogo) ficam em uma área separada no canto superior direito ao lado de suas respectivas cartas, perto de onde está localizado o marcador de avanço e corrupção. Eles podem se separar da Sociedade, cada um de acordo com as regras de sua própria carta, para ajudar nas batalhas. As Sombras também tem seus personagens, chamados no jogo de Vassalos, apesar de serem em menor quantidade: Saruman, Rei dos Bruxos e Boca de Sauron. Eles começam fora do jogo e entram de acordo com as condições estabelecidas em suas cartas também. A arte de Guerra do Anel é do John Howe, acho que todo fã de Tolkien conhece ele. 

Sociedade do Anel.

 Vassalos das Sombras.

Gandalf Branco, Aragorn e Gollum.

Gandalf quando está na Sociedade é o Cinzento e Aragorn é apenas Passolargo. Para se transformarem, eles precisam se separar da Sociedade e satisfazer as condições de suas cartas. O Gandalf é o que separa primeiro, seguindo a lógica da história, ele sempre abandona a galera no caminho. As condições dele para virar Branco são bem mais fáceis. Já o Passolargo precisa chegar em Minas Tirith para virar Aragorn. E Gollum? Bom, ele entra em jogo como guia da Sociedade quando Frodo e Sam ficam sozinhos.

Com setup inicial pronto, o que falta para começar o jogo? Os dados, são eles que vão definir as ações. As Sombras começam com sete e os Povos Livres com quatro. A medida que novos personagens vão entrando ou sendo transformados, novos dados vão sendo adicionados. Mas se eles morrem, os dados adicionais vão embora junto. A menos que você tenha alguma carta que te permita ações livres, você está limitado as ações que saírem nos dados. Todo turno duas Cartas de Evento são compradas, uma de Estratégia e outra de Personagem.

Dados de ação.

As ações são basicamente: Mover (Faca e Bandeira), Alistar (Capacete), Atacar (Faca e Bandeira) e Jogar ou Comprar Carta (Palantír). Logicamente, cada uma dessas ações tem suas particularidades. Ambos os lados têm também uma ação especial. As Sombras é através do Olho, que joga dados para tentar achar o Anel quando a Sociedade se move e os Povos Livres tem o Desígnio do Oeste que funciona como um coringa, permitindo escolher qualquer ação. Outra forma de mudar o resultado de um dado são os Anéis Élficos. Eles ficam disponíveis para os Povos Livres, mas quando utilizados passam para o lado das Sombras. Só pode ser utilizado um anel por turno. Depois de utilizados pelas Sombras, eles saem de jogo. 
No início, ninguém está em guerra, então não há possibilidade de ataque. Na lateral direita do mapa, existe um indicador político. Para entrar em guerra é preciso fazer uma ação diplomática, essa ação é realizada com o dado de Alistamento (Capacete). As Sombras estão bem mais próximas da guerra, Isengard e Sauron só precisam de uma ação diplomática. São três níveis no indicador político, quando atacada uma nação se movimenta automaticamente. Só após entrar em guerra é que se pode alistar e entrar em combate.

Mas antes disso, é possível mover suas tropas já posicionadas pelo setup inicial. Existem dois tipos de movimento. Um é pelo dado de Personagem (Faca), você só pode mover tropas com líder ou personagens propriamente ditos e o outro pelo dado de Exército (Bandeira), para mover tropas sem líder. Os líderes são as figuras em cinza.

Os dados em geral oferecem várias opções de ações, mas é preciso escolher apenas uma. Um dado de Exército (Bandeira), por exemplo, oferece as opções de mover, atacar e jogar carta estratégia, mas não se pode fazer os três. Tem um dado que vem com duas opções de ação para escolher Alistamento/Exército (Capacete e Bandeira), porém a regra é a mesma. A ordem das ações é escolhida pelo jogador, cada lado faz as ações de seus dados alternadamente, mas sempre quem age primeiro são os Povos Livres. 

Os dados dão ações específicas para cada lado, além das gerais que já descrevi. O dado de Personagem (Faca) é muito importante para quem está jogando com os Povos Livres, pois é ele quem permite fazer ações com a Sociedade (Mover, Ocultar, Separar Companheiros e Movimentar Companheiros). Sendo que a última ação também vale para as Sombras, é possível mover todos os Nazgul. E o melhor, eles voam, então não tem limitação de terreno bloqueador ou distância. Dá para cruzar o mapa todo. Outra ação das Sombras é com o dado de Alistamento (Capacete), pois coloca um Vassalo em jogo, desde que atendidas as especificações da carta. Não basta só ter as condições, é preciso gastar um dado de ação. Mesma coisa, por exemplo, para o Passolargo virar Aragorn, não basta só chegar em Minas Tirith, é preciso usar o dado do Desígnio do Oeste.

Depois de mover as tropas e entrar em guerra, as batalhas são inevitáveis. O objetivo das Sombras é dominar a Terra-Média. As principais localidades são marcadas com pontos (1-2), é preciso somar 10 para vencer. Os Povos Livres também podem vencer através dessa mesma forma, só que ao invés de somar 10, eles só precisam de 4 e as localidades das Sombras todas valem 2. Uma questão muito importante sobre o combate é que as unidades das Sombras que são derrotadas saem do tabuleiro para reserva, podendo retornar através de Alistamento (Capacete). As unidades dos Povos Livres morrem mesmo, elas são retiradas de jogo.  

O ataque é determinado pela rolagem de dados D6 comuns, rolasse a quantidade de dados igual ao número de unidades atacantes, mas com máximo de cinco. Não adianta ter dez unidades (número máximo permitido em uma localidade), a única vantagem é manter os cinco dados por mais tempo, em caso de perda de unidades. Os líderes não contam na soma, eles permitem rolar novamente dados que falharam. È preciso tirar 5 ou 6 para obter sucesso. Cada sucesso é uma unidade que vai embora ou é rebaixada. As unidades Regulares valem 1 e as Elites 2, então se levar 1 de dano, ao invés de perder a unidade Regular, é melhor rebaixar a Elite, para não perder dados no ataque. Um combate pode ter várias rodadas, só acabando se o atacante decidir interromper o ataque ou se o defensor recuar.

Mas se as unidades dos Povos Livres estão em uma localidade com Fortaleza, eles podem declarar ter entrado na mesma e o ataque não poderá ser realizado. Nos próximos turnos, o combate terá apenas uma rodada e só será possível acertar com 6 no dado. Atacar Fortaleza é muito chato. Se for Cidade ou Fortificação, a necessidade do resultado máximo é só no primeiro ataque. É importante deixar claro que o defensor rola dados de combate da mesma forma que o atacante. Você bate, mas apanha também. É preciso avaliar os riscos.

 Porradaria no Abismo de Helm.

Enquanto as batalhas se espalham cada vez mais intensamente pelos diversos locais da Terra-Média. A Sociedade tenta avançar oculta para destruir o Anel. A Sociedade é movida pelo dado de Personagem (Faca), cada vez que a Sociedade se movimenta, as Sombras realizam uma busca para tentar encontrá-la. É jogado o número de dados de Olho disponíveis na área de busca do Anel, canto inferior esquerdo. As Sombras podem escolher quantos dados de Olho utilizar antes de sua rolagem de dados, até o número máximo de cinco. Para obter sucesso é necessário conseguir um resultado máximo na rolagem do D6. Após isso, é retirado um marcador da Reserva de Busca que irá determinar o dano sofrido pela Sociedade.

A Reserva de Busca é um conjunto de marcadores que devem ser colocados em um recipiente para sorteio. Dessa forma basicamente a Sociedade pode ser revelada e/ou sofrer pontos de corrupção. A Sociedade quando revelada se move o número em que estava seu marcador de progresso, não podendo terminar seu movimento em Cidade ou Fortaleza controlado pelos Povos Livres. A Sociedade não pode se mover quando está revelada. Então, será necessário gastar um dado de Personagem (Faca) para ocultá-la.

Bom, acho que só faltou falar das cartas. Elas são dividas em dois tipos: Personagens e Estratégia (indicado por símbolos diferentes no verso). No início do turno cada lado compra duas. O dado com o símbolo do Palantír permite comprar ou jogar qualquer carta. Outros dados podem ser usados para jogar carta, dependendo do seu tipo Personagem, Exército ou Alistamento. Isso é indicado pelo símbolo no canto superior direito da carta. As cartas servem também para serem utilizadas nos combates. Nesse caso, elas são jogadas como ação livre. Mas só é permitida uma carta para cada lado. Nada de fazer combo. As ações de combate vem descritas na parte inferior da carta. A parte superior descreve o evento propriamente dito da carta. Se uma carta é utilizada em combate, ela é descartada e perdesse o benefício do evento que ela provocaria. Então é preciso pensar bem no que vale mais a pena. Segue exemplo para ficar mais claro.

Carta de Evento das Sombras e Povos Livres.

Eu joguei 2 partidas, a primeira foi um pouco bagunçada, com algumas regras confusas e erradas. Começamos com 4 pessoas, depois 1 precisou sair, continuamos em 3 e terminamos com 2. Na verdade, não chegamos a terminar, estava perto do final e meio que desistimos. No dia seguinte, voltei a jogar, agora só com 2 pessoas. Foi bem mais tranquilo e as regras foram mais corretas. Deve ter havido algum erro ou outro, mas nada muito grande. Provavelmente, esse próprio texto deve tê-los também. Ainda preciso jogar mais algumas vezes para pegar legal o jogo. Mas a ansiedade de escrever sobre ele era grande demais, até porque não é a qualquer momento que você tem disponibilidade para passar 6 horas jogando.

Eu gostei muito de Guerra do Anel, é extremamente temático, te faz sentir de verdade dentro da história. Agora é mentira o que dizem sobre ser mais fácil para as Sombras ganharem. A única vantagem que as Sombras têm é que suas unidades não morrem, mas se uma unidade é retirada do mapa, é preciso gastar Alistamento (Capacete) para colocá-la de volta. As cartas de evento dos Povos Livres são extremamente apelonas, eles tem muito mais personagens (separando a Sociedade) e só precisam conquistar duas localidades, enquanto as Sombras precisam de cinco.

Os Povos Livres ainda tem dois personagens que fazem upgrade durante a partida. Um deles morre e volta. É ou não é muita apelação? Enquanto as Sombras só tem o Saruman, que não pode sair de Orthanc; Rei dos Bruxos, que tem como uma das condições para entrar em jogo a presença de Saruman (se ele morre, acabou) e o Boca de Sauron que é o pior de todos, só entra se a Sociedade estiver na trilha de Mordor. Somado a isso tudo, tem o meu eterno azar nos dados.

Porém, o que mais me incomodou e causou problemas foi o trabalho ruim da Devir com o manual. São diversos erros de regra, tradução, digitação e português mesmo. A própria caixa vem com um erro pavoroso nas laterais. Ainda bem que pelo menos na parte da frente conseguiram escrever certo. As cartas também não escaparam da incompetência deles. Acho que só não erraram no mapa. Mesmo assim, tenho medo de olhar e encontrar algum local com nome traduzido de maneira absurda ou escrito errado. 

Erros de concordância e digitação nas laterais da caixa.

Para quem sabe inglês, a opção é baixar o manual no próprio site da Ares, empresa criadora do jogo, ou assistir gameplay. Um muito bom, que eu recomendo é do Ricky Royal. São 15 vídeos com explicações detalhadas. Mesmo quem não sabe, mas tem uma noção sobre o jogo, consegue acompanhar relativamente bem. Clique aqui para acessar playlist completa.


PS: Senti falta de miniaturas dos Ents. T_T

[UPDATE] Confira nosso vídeo explicativo:


8 comentários:

  1. Muito bom o seu review! Resumiu direitinho as regras. Comprei o jogo recentemente, mas só consegui jogar 1 vez até agora e nem conseguimos terminar. Realmente demanda tempo, mas é um ótimo jogo, bem temático e os componentes são bonitos e bem feitos (exceto por algumas lanças, arcos e bandeiras tortas em algumas miniaturas e o Witch King não estar montado em uma fera alada. :/). Parabéns! :D

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  2. Olá, excelente review! O meu também tem os erros na caixa, além da frase final do manual "Jogue Rápido" estar truncada.... você achou mais algum erro em outro lugar? Tenho medo de ter erros no manual que atrapalhem o aprendizado do jogo....

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  3. Ficou ótimo o texto, fiquei feliz que concordamos em muitos aspectos, o jogo realmente é cheio de detalhes e é fácil perder alguma regrinha. Parabéns pelo texto!

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  4. Olá Aline!

    Estou muito interessado em comprar esse jogo, mas a DEVIR não tem previsão de reabastecer os estoques deste jogo, mas você sabe algum outro lugar que podem vender em português o jogo?

    Abraços

    contato: danilobarrosst@gmail.com

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    1. Difícil, ainda mais que eles acabaram de lançar A Batalha dos Cinco Exércitos (texto sobre ele em breve por aqui :P). Acho que você só vai encontrar para comprar na mão de outros jogadores. Tenta os grupos Meeple Market e Boardgames Brasil no Facebook.

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    2. Tem pra comprar no Bucaneiros e dividem em até 6x de R$ 83,32 sem juros.
      http://www.bucaneirosjogos.com.br/guerra-do-anel-2-edicao

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  5. Olá, no Mercado Livre já existem anúncios da reedição do jogo, percebi que os erros de digitação na caixa foram corrigidos. Tb vi que a primeira expansão deve chegar até o final de janeiro (na loja Universo Lúmina tinha pré-venda, qualquer coisa liguem pra lá, me atenderam super bem). No mais, lutemos pelo destina da Terra-Média!

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    1. Ainda bem que corrigiram, né? Reeditar com erros tão grosseiros seria absurdo. Ainda mais pelo preço alto que estão cobrando, mesmo para um jogo dessas dimensões. Eu tenho a expansão Senhores da Terra-Média, espero conseguir fazer um post sobre ela em breve.

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