domingo, 22 de dezembro de 2013

Recicle: Tempos de Crise


Eu tinha planejado e estava me preparando para postar sobre um outro jogo, porém Recicle: Tempos de Crise me deixou tão empolgada que eu tive que escrever sobre ele imediatamente. Saí da mesa de jogo direto para o computador. Mais uma vez temos um jogo que a princípio você não dá nada. Tanto o tema quanto a arte de capa não ajudam. Pelo tema de reciclagem, você pensa logo em algo educativo e consequentemente chato. Já a capa parece que é um problema geral de todos os jogos da fase "underground" da Galápagos Jogos (eu tenho todos, só me faltava esse). Não vou dizer que é injustiçado também, porque até onde sei ele sempre foi bem avaliado e está esgotado há algum tempo.


Em Recicle: Tempos de Crise cada jogador administra uma cooperativa de reciclagem. Não preciso dizer que vence a que for melhor administrada, certo? A mecânica do jogo é totalmente Euro, a sorte é zero. Você tem três catadores para se mover pelo tabuleiro de cidade recolhendo os recursos. Além das áreas de materiais recicláveis, você tem materiais orgânicos (vão direto para o aterro sanitário da cooperativa e a cada três você ganha um ponto), praça (permite se mover para determinados lugares do mapa), carta (ações que beneficiam o jogador) e cooperativa (onde o catador vende para você). Nesse tabuleiro também temos a contagem de pontos e turnos. São seis para dois jogadores e cinco para três ou quatro jogadores. O jogo é muito rápido, tive um pouco a sensação que tenho ao jogar Agrícola, vai chegando o final e você acha que não fez nada.


Os catadores vendem o material reciclável à cooperativa (você gasta dinheiro) ou ao armazém público (você ganha dinheiro). A questão do armazém público é que para comprar de lá depois pode ser mais caro e por mais que pense que não vai precisar comprar lá, chega um momento que o jogo meio que te obriga. Além dos carrinhos dos catadores e do armazém público, esse é o tabuleiro que conta o dinheiro, item muito importante no jogo. Perceba que é possível ficar com valor negativo, isso significa que você pegou emprestado e tem também um esquema de pagamento de juros. Além disso, tem os impostos a partir do momento que se atinge uma determinada quantia de dinheiro. Estar no vermelho no final da partida perde ponto, assim como ter dinheiro sobrando dá pontos.


Outra ação possível é aquisição de fichas de equipamento de fichas de melhoria. Os principais são os equipamentos de reciclagem, você pode ter dois por vez. Sem eles não tem como reciclar e essa é claro a principal forma de ganhar dinheiro e pontos. Eles podem ser vendidos pela metade do preço de compra para abrir espaço para outros melhores. Se você não tiver os dois espaços de equipamento de reciclagem completos no final da partida perde ponto. Outra forma de reciclar que são os Ateliês, esses são livres. Existem outras melhorias que vão facilitar a administração da cooperativa. Todas muito bem pensadas.


Jogamos em apenas duas pessoas e já foi incrível, mal posso esperar para jogar com quatro. O jogo possui uma mecânica muito redonda. A princípio não percebi nenhum problema de regra, tudo funciona perfeitamente. Se fosse para reclamar de alguma coisa, nem é bem uma reclamação, é mais uma observação. Acho que pelo tema teria sido muito legal se o jogo fosse de material reciclado, tipo o Banco Imobiliário Sustentável. Não sei se os componentes são todos de material reciclável ou só a caixa, mas passa uma boa impressão. Uma outra questão é o tabuleiro da cooperativa, acho que poderia ser maior, com espaço para as outras fichas de melhorias além dos equipamentos de reciclagem.

Mas no geral adorei o jogo e recomendo fortemente. Se você ver vendendo em algum lugar compre porque é muito bom. O meu veio da Livraria Cultura lá do Recife. Cobraram um pouco a mais por causa disso, mas posso dizer que valeu cada centavo e mesmo com acréscimo nem foi tão caro. Achei bem justo o preço. É legal comprar em promoção, mas também você precisar saber reconhecer o valor das coisas.

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